2121: resiliência por Cristiane Schwinden


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Capítulo 9 - Desconstrução

 

- Sentiu saudades, sobrinha? Eu senti. Mas não irei matar as saudades hoje, quem sabe outro dia.

Theo se debateu o quanto pode, sua voz não saia, seu lado esquerdo estava parcialmente paralisado, não tinha forças, nem saída. Tentou buscar o botão que chamava atendimento, mas Elias segurou seu pulso com força.

- Está pensando que aqui tem botão azul? Esqueça, sua única chance de continuar viva é sendo uma boa garotinha, e me deixar fazer tudo que vim fazer.

Theo continuou se debatendo, em pânico. Elias usava roupas verdes de enfermagem, havia previamente adulterado as câmeras que podiam capturá-lo.

- Escute, vai ser rápido, só quero coletar seu sangue e sua medula óssea, por enquanto isso vai me bastar, mas eu volto outro dia para te buscar, você é uma garota preciosa. - Elias continuava segurando firmemente seu pulso.

- Posso te soltar? Colabore comigo e deixo você em paz em alguns minutos, eu prometo.

Theo balançou a cabeça, em positivo, sua mão tremia.

Elias colheu duas ampolas de sangue de seu braço, guardando cuidadosamente numa pequena maleta.

- Isso vai doer um pouco, mas você estará melhor amanhã. Consegue se virar? Preciso que fique de lado.

Theo virou-se com esforço, Elias tirou seu cobertor, baixando seu short e sua calcinha.

- Vou fazer uma punção na sua bacia, e remover um pouco de sua medula do interior do osso. - Elias preparava o local na lateral do seu corpo, um pouco abaixo da cintura. - Você vai ficar bem, não se preocupe, não lhe fará falta.

Theo se retraiu com a dor da grande agulha que lhe foi penetrada, até o interior do osso. Acoplou posteriormente uma seringa no encaixe do aparato da agulha, sugando lentamente um líquido viscoso avermelhado. Tentou gritar, mas não saia palavra alguma.

- É o suficiente. - Elias guardou também o conteúdo recolhido na maleta, a fechando. - Se eu fosse você, não contaria para ninguém que estive aqui, para sua própria segurança.

Theo voltou a posição inicial, Elias subiu sua calcinha, fazendo um gracejo malicioso.

- Se no nosso próximo encontro você estiver sem essa sonda urinária, acho que poderemos brincar um pouco. - Correu a mão por sua perna, subindo até seus seios.

Theo apenas respirava rápido, com um semblante de nojo e medo. Elias a cobriu, e saiu sorrateiramente, em silêncio, apagando a luz. Ela ficou ainda alguns minutos em choque, paralisada, não sabia o que fazer. Apertou o botão de emergência, quando a enfermeira chegou, fez o gesto com a mão que significa dor.

- Dor onde?

Theo descobriu-se, e mostrou a região onde havia sido perfurada.

- O que foi isso? - A enfermeira olhou de perto, sem entender. - Quem fez isso?

Ela saiu do quarto para chamar ajuda, quando voltou, encontrou Theo tendo uma convulsão.

Quando Sam chegou de manhã, lhe deu bom dia e um beijo na testa, mas Theo continuou dormindo. Sam logo começou a pintar ao seu lado, despreocupadamente. Assustou-se com a entrada afobada de Letícia no quarto.

- O que aconteceu com Theo? - Letícia a indagou, se aproximando da cama.

- Como assim? Ela está dormindo.

- Não, ela teve uma convulsão de madrugada, e apareceu com um furo na coxa.

- O que?? - Sam levantou-se abruptamente do sofá, descobrindo o cobertor de Theo. - Onde?

- Aqui. - Letícia mostrou o hematoma com a marca do furo no centro.

- Por que a furaram aqui? Eu não fui avisada desse procedimento. - Sam dizia irritada.

- Não sei, ninguém sabe de nada.

- Ninguém? Como ninguém? Que bagunça é esse hospital?

- Não foi ninguém do hospital, a princípio, eu li no prontuário que ela pediu ajuda de madrugada, disse que estava com dor e apontou esse furo, depois teve a convulsão.

- Ela teve uma convulsão?

- Você não sabia? - Letícia também estava agitada.

- Não, achei que estava dormindo. Temos que descobrir o que aconteceu, como pode essa menina aparecer com um furo no corpo assim do nada? E algo causou a convulsão, ela pode estar com alguma infecção!

- Fique aí, eu vou verificar, ok?

Uma hora depois, e nada de Letícia voltar. Sam andava pelo quarto, baratinada. Percebeu Theo de olhos abertos.

- Theo? Você está aí?

Theo balançou a cabeça negativamente.

- Me entende?

- Theo assentiu.

- O que aconteceu? O que aconteceu essa madrugada? - Sam tentava se controlar, para não a agitar.

Theo apenas moveu a cabeça para o lado, estava grogue por conta da convulsão.

- Amor, apenas responda sim ou não. Teve alguém estranho ou suspeita essa madrugada no seu quarto?

Theo ergueu o polegar.

- Essa pessoa estranha fez algo no seu quadril?

Ergueu novamente o polegar.

- Era alguém que trabalha aqui?

Theo negou.

- Era alguém que você conhece? Conseguiu identificar?

Theo concordou.

- Espera.

Sam colocou a tela sob sua mão, para que ela escrevesse.

Com dificuldade, Theo escreveu letra a letra.

"Elias"

Sam tomou um susto quando entendeu o que estava escrito, cobrindo a boca com espanto.

- Elias esteve aqui? Tem certeza?

Theo assentiu.

- Ele injetou algo em você?

Negativa.

- Por que ele te furou? Para te torturar?

Outra negativa. Theo estava sonolenta, os olhos queriam se fechar.

- Ok, descanse, Letícia já está verificando isso, vamos ver as imagens de vigilância e redobrar a segurança, fique tranquila, vou cuidar disso agora.

Theo procurou a mão de Sam, a segurando.

- Quer que eu fique?

Theo concordou.

- Eu ficarei, durma um pouco, eu prometo ficar o tempo todo aqui do seu lado, combinado?

Letícia retornou pouco depois, não trazia novidades.

- As câmeras foram desligadas, ninguém sabe o que aconteceu, só sabem que alguém coletou sangue e medula óssea.

- Medula?

- Sim, da crista ilíaca, na bacia. Quem faria uma maldade dessas? Isso dói pra caramba, geralmente é feito com anestesia geral ou epidural.

- Elias. - Sam ergueu a tela, mostrando o nome escrito.

- Você acha que foi ele?

- Theo me disse. Ela acordou ainda meio dopada, mas escreveu o nome dele na tela. Ele pode ter feito outras coisas com ela, temos que examiná-la.

- Ela já foi examinada, aparentemente foram apenas essas duas coisas, e o susto que essa menina deve ter levado. Mas por que raios esse louco quer sangue e medula de Theo?

- Lembra aquilo que eu falei sobre Theo ser um clone? Tem a ver com isso, mas é complexo demais para te explicar agora, e é melhor você nem entrar nisso, porque Elias é capaz de tudo, não quero envolver outras pessoas.

- Ok, ok, esse mistério de novo. - Letícia exasperou, e se atirou no sofá.

Sam continuava sentada na cadeira ao lado do leito, segurando a mão de Theo.

- Eu não quero sair daqui hoje, você pode me ajudar?

- Claro, vou tentar achar alguém para me substituir no plantão.

- Vou pedir para Claire aumentar a segurança. - Sam corria seus dedos pela testa e cabelos de Theo, a fitando. - E vou conversar com Doutor Franco, ele precisa fazer a cirurgia para que Theo recupere a voz.

***

Três dias após o incidente com Elias, e Theo voltava de uma nova neuro cirurgia, era esperada uma melhora não apenas na fala, mas também na mobilidade do lado esquerdo.

Letícia e Sam aguardavam que Theo acordasse, estavam espojadas no sofá cinza.

- O que você acha que será que primeira coisa que Theo vai falar? - Letícia perguntou, tentando espantar o sono.

- Fome? Café? Bife?

- É possível. Ou dor, ela ainda está com dor no local da punção que Elias fez.

- Nem me fale nesse homem. - Sam bufou. - Theo fica estranha quando toco nesse assunto, mas acho que ele a molestou, ou a ameaçou de algo.

- Pelas coisas que você me falou, eu não duvido. Sempre achei que esse tio Elias era um nojento, você precisava ver a forma como ele olhava para Theo.

- Ele frequentava a casa dela?

- Geralmente nas festas de família.

Theo acordou, se mexendo lentamente na cama.

- Bom dia, mocinha. - Letícia a cumprimentou, as duas se aproximaram do leito.

- É boa noite, Lê. - Sam a corrigiu.

- Nossa, é mesmo, eu nem percebi que havia anoitecido.

- Theo? Está aí?

A única reação de Theo foi franzir o cenho, parecia incomodada.

- Está com alguma dor?

- É a perna?

Theo apenas se mexia incomodada quando alguém falava algo.

- Tem algo estranho acontecendo. - Sam se dava conta.

- Ela está se irritando com nossa voz, venha aqui. - Letícia levou Sam para fora do quarto.

- O que você acha que aconteceu? - Sam perguntou, com preocupação.

- Talvez seja ainda efeito dos anestésicos, mas parece que algo deu errado.

- Precisamos falar com Doutor Franco. - Sam sacou o comunicador e tentou falar com o médico, mas não foi atendida, mandou uma mensagem.

- Nada?

- Vamos esperar ele responder. Se Deus quiser isso é apenas algo passageiro, daqui a pouco tudo volta ao normal.

O médico respondeu de madrugada, dizendo que iria ao hospital pela manhã. Quando chegou, ele a examinou, e suas feições não pareciam felizes com o resultado.

- Venham ao meu consultório. - O médico de cabelos grisalhos desgrenhados convocou.

As duas sentaram-se apreensivamente nas cadeiras em frente à mesa do médico, que conferia alguns exames em sua tela.

- Os nanobots agiram de forma desordenada, ainda não sabemos o que aconteceu. - Finalmente ele disse.

- Então não houve melhora?

- Na verdade houve uma piora, ela não consegue processar o meio externo, por isso fica agitada quando falam ao seu redor, ela ouve, mas não entende.

Sam correu a mão pelos cabelos, desapontada.

- Como isso pode ser possível? - Letícia se exaltava. - Vocês passaram dias e dias planejando essa cirurgia, e programando os nanobots, como pode dar tudo errado?

- Os engenheiros geneticistas estão verificando. - Doutor Franco dizia calmamente. - Confesso que nunca havia testemunhado tamanho problema com os nanobots.

- Espera... - Sam se dava conta de algo. - Os nanobots são programados baseados em que? No DNA de Theo?

- Sim.

- Deve ser isso. - Sam sacudia a cabeça. - O DNA dela é diferente.

- Como assim?

- Doutor, essa sala é um ambiente seguro?

- É sim, não há vigilância eletrônica aqui dentro. Mas o que você quer dizer com diferente?

- Não me pergunte como, mas Theo é um clone imperfeito, seu DNA é uma bagunça.

- Clone? A clonagem humana ainda é proibida na Nova Capital.

- Você sabe de quem ela é filha, não sabe?

- Isso explica várias coisas, Doutor Franco, inclusive o problema da imunidade e da coagulação. - Letícia completou.

- Digamos que isto seja verdade, onde está a original? O código original seria de grande ajuda, poderíamos programar os nanobots conhecendo o genoma original.

- Está morta. - Letícia respondeu desapontada.

- Mas eu sei onde estão os restos mortais.

- Onde?

- Lê, você iria comigo até lá? É em outro estado.

- Claro. Se for para consertar esse estrago, vou até a China plantando bananeiras.

Sam despediu-se de Theo no início da tarde, sem falar nada, para não a incomodar. Lhe deu apenas um longo beijo na testa, Theo seguia alheia ao mundo.

Duas horas depois, Sam e Letícia pousavam num luxuoso helicóptero da Archer na Ilha das Peças, com todas as credenciais e senhas necessárias para acessar aquela fatídica sala dos horrores. Era inevitável para Sam relembrar aquela noite de aventuras e revelações, a última antes do tiro.

- Letícia, acho que não tenho como preparar você suficientemente para o que você verá aqui dentro, é perturbador, o que eu vi aqui me assombra até hoje.

- Então você já esteve aqui?

- Eu e Theo, mas não posso me alongar nesse assunto. Além dos restos mortais numa gaveta, você verá cinco tubos com os clones de Theo, então prepare-se.

Entraram na sala fria sob os olhares dos seguranças, mal fecharam as portas e Letícia exclamou um grito assustado.

- Eu avisei que era perturbador. - Sam evitava olhar diretamente para os clones.

- Meu Deus... Estão todas vivas?

- Sim, e estou esperando Theo ter condições de conversar para decidirmos o que fazer com essas irmãzinhas.

Letícia andava pela sala, olhando cilindro por cilindro, boquiaberta.

- Você acha que elas sobreviveriam fora dos tubos?

- Acho que não, elas são mais defeituosas que Theo. - Sam respondeu.

- Você consegue se imaginar cercada por seis Theos? - Letícia riu.

- Acho que me apaixonaria por todas. - Sam também riu, quebrando o clima inicialmente tenso.

- Ok, vamos ao que viemos fazer, estou incomodada com esse monte de Theos nuas ao meu redor, onde fica a gaveta?

Sam foi até o final da sala, abrindo a gaveta que parecia um cofre. Ambas removeram o conteúdo que estava dentro de uma caixa acrílica. Guardaram em uma maleta térmica rapidamente, estavam desconfortáveis manuseando aquele pequeno cadáver.

- Tem algo mais aqui. - Letícia percebeu.

- É uma flash, deve ter informações importantes aqui dentro. - Sam abriu uma caixinha onde havia um pequeno chip.

- Vamos levar também, talvez tenha informações sobre o genoma original e sobre a clonagem.

- Ãhn, ok. - Sam guardou no bolso.

- Sam, você pode me responder uma coisa? - Letícia a fitava, pensativa.

- Não prometo responder.

- Por que isso tudo? - Ela correu a mão pelo ar, se referia aos clones.

- Ganância, Lê. Pura ganância do senhor Benjamin Archer.

- Uma pena você não ter conhecido seu sogro, era um amor de pessoa.

- Sério?

- Claro que não, Ben era um babaca egoísta. Vamos sair dessa sala, está me dando calafrios.

Enquanto voavam de volta para San Paolo, Sam resolveu verificar o conteúdo da flash com seu comunicador.

- Está criptografado. - Letícia percebeu.

- Espera, fiz alguns amigos no setor de TI da Archer. - Sam digitou algumas coisas no comunicador. - Pronto, agora é só esperar.

Onze minutos depois.

- Pronto, está decodificado. - Sam começava a ler as informações. - Eu sabia, eu sabia!

- O que?

- Todas as 14 crianças nasceram por cesariana no dia 17 de abril de 2098.

- Faz todo sentido.

- O que faz sentido?

- Você nunca desconfiou de nada? Faz muito mais sentido Theo ser ariana, ela não tem nada de peixes, ela tem toda aquela impulsividade e tal.

- Podemos voltar ao que realmente importa, ou quer conversar sobre astrologia?

- Prossiga.

- Imogen foi a barriga número 13, tem um parêntese ao lado de seu nome, "neutralizada", tem o nome das outras mães aqui, e quatro delas também tem essa observação ao lado. - Sam ia narrando.

- Você acha que neutralizada quer dizer...

- Sim, queima de arquivo. - Sam disse de forma séria.

- Então restam nove mães vivas, você quer tentar localizá-las?

- Não vejo utilidade no momento, vamos focar nessa questão do genoma, acho que já temos tudo que eles precisam para uma nova cirurgia.

- Mas talvez essas mulheres corram risco. - Letícia disse.

- Eu sei, e acho que Benjamin matou Imogen por conta disso, talvez ela estivesse ameaçando contar o que sabia sobre esse projeto.

- Hum.

Chegaram a noitinha em San Paolo, entregaram tudo ao setor responsável no hospital, Sam foi para casa, e Letícia para um plantão.

A nova cirurgia seria em quatro dias, no sábado à noite Letícia e Daniela visitaram a mansão de vidro, as três se reuniram ao redor da piscina, onde bebiam e conversavam descontraidamente.

- Como você aguenta morar com esse porco chauvinista? - Daniela indagou Sam, estavam nas espreguiçadeiras.

- Não é tão ruim assim, Mike é boa companhia na maior parte do tempo.

- Eu não consigo acreditar nisso, mas tudo bem, você namorou com ele por oito anos, deve estar anestesiada para tanto preconceito e machismo.

- Porque já fui como ele, então sei como a mente dele funciona. - Sam explicava.

- Você ainda tem muita coisa conservadora aí dentro, Samantha. Já tive vontade de te pegar pelos ombros e te sacudir algumas vezes. - Letícia brincou.

- É porque está arraigado aqui dentro, mas aos poucos estou desconstruindo.

- Desconstruindo? Essa é uma ótima palavra, foi Theo que te ensinou?

- Foi sim, ela foi o catalisador dessa minha evolução.

Um silêncio reflexivo tomou conta por alguns segundos, Letícia voltou a falar.

- E se não der certo de novo?

- Será apenas uma batalha perdida, e já perdemos tantas outras batalhas. - Sam respondeu, fitando a água calma na piscina.

- Se esse quadro não for revertido, Theo estará cega, muda, e tecnicamente surda, seria uma situação delicada.

Sam sentiu um nó esmagando sua garganta, e não conseguiu responder.

- Essa noite sonhei que estava assistindo um dos jogos de basquete de Theo. - Daniela disse.

- Ela não era uma das melhores do time, mas quando estava inspirada... Ninguém segurava. - Letícia comentou.

- Não mesmo, ela saia derrubando todo mundo que se metesse na sua frente. - Daniela riu, perceberam o semblante triste de Sam.

Letícia saiu de sua espreguiçadeira, e deitou-se ao lado de Sam.

- Venha cá, você está precisando de um abraço e um pouco de cafuné. - Letícia trouxe Sam para seu colo, afundando seus dedos em seus cabelos, carinhosamente.

Longos minutos depois, Sam voltou a falar.

- Está tudo errado, não está? - Sam disse, com a voz baixa.

- Sim, tudo de cabeça para baixo, Theo caprichou na reviravolta.

- Não foi culpa dela.

- Agora seria um bom momento para você contar por que ela tentou se matar.

Sam suspirou pesadamente, decidindo o que fazer.

- Ok, eu volto já.

Sam saiu da área da piscina, entrando em casa. Retornou com um papel em mãos, entregando à Letícia.

- Mas tem sangue nesse papel.

- Tem sim, é a carta de despedida de Theo. Acho que você vai ter uma ideia do que aconteceu lendo isso. Leia os dois lados.

Letícia leu tudo atenciosamente, Daniela aproximou-se, sentando ao lado. Ao final, Letícia estava boquiaberta.

- Foi por você. - Letícia concluía.

- Ela não queria morrer, ela não queria ir embora, vocês não imaginam o quanto essa menina chorou antes de fazer isso, mas eu não sabia dos seus planos, era uma despedida.

Daniela terminava de ler.

- Caramba, ela te ama mesmo.

- É recíproco, Dani..oi o catalisador dessa minha evolucaoucos estou desconstruindo.

preconceito e machismo.

- Amor, se seu coração estiver prestes a parar, vou te ligar numa tomada, ok? - Daniela brincou com Letícia.

- Ótimo, não aguentaria carregar essa culpa, não.

- Pelo menos ela sobreviveu, e você também. Dos males o menor, o resto é nanobots e fisioterapia. - Daniela finalizou.

Sam arranjou pijamas para todas, acabaram dormindo na enorme cama de Theo, após algumas horas conversando, até serem vencidas pelo sono.

Desavisado, Mike abriu a porta do quarto de Sam no dia seguinte, assustando-se com a presença delas. Sam era a única acordada, estava no banheiro.

- Que baixaria é essa? - Exclamou, acordando as duas ao mesmo tempo.

- Não te ensinaram a bater na porta, não? - Letícia resmungou.

- Eu posso entrar no quarto de Sam quando eu quiser.

- Não pode, não. - Sam vociferou ao sair do banheiro. - Agora deixe de ser mal-educado e nos deixe a sós, você está constrangendo as meninas.

- Meninas? - Mike riu irônico.

- Saia, Mike, faça essa gentileza, deixe de ser desagradável. - Sam pediu.

- Você ainda não conhece meu lado desagradável. - Rosnou e saiu.

***

O dia da quinta cirurgia chegou, Theo havia voltado para o quarto no início da noite. Na manhã seguinte Doutor Franco aguardava que ela acordasse, ao lado de Sam e Letícia.

- Deixem as expectativas baixas, é melhor assim. - Ele as orientava.

- Eu já nem rezo mais para que ela volte a falar, se ela voltar ao estado que estava antes daquela cirurgia, já estará ótimo. - Sam disse.

Minutos depois Theo mexeu-se na cama, abrindo os olhos.

- Opa, alguém acordou. - Todos levantaram.

- Bom dia, recruta. - Sam tomou sua mão, a cumprimentando, mas não houve resposta.

- Theo? Sou eu, seu adorado médico, consegue me ouvir?

Theo continuava com um olhar vazio, que mudava lentamente de foco de vez em quando.

- Amor, se me ouve aperte minha mão.

Nada aconteceu.

- Ela não está aqui, mas talvez acabe voltando em breve. - Letícia disse, com decepção.

- Theo, olhe na direção da minha voz. - Doutor Franco tentava.

- Não deu certo... - Sam constatava, com um suspiro triste.

- Theodora, você está aí? É bom começar a falar, estou achando você muito quieta. - Letícia brincou.

Não havia reação alguma, nem sequer desconforto.

- Não desanime, continuaremos tentando. - O médico afastou-se da cama. - Vou falar com minha equipe, começaremos a desenvolver novas soluções ainda hoje.

- Mas que droga... - Sam atirou-se no sofá.

- É só mais uma batalha, lembra? Ganharemos outras. - Letícia a confortava.

- Retornarei à tarde, irei fazer alguns testes e examiná-la de forma mais minuciosa. - O médico despediu-se abandonando o quarto.

Letícia também foi embora logo depois, estava atrasada para o plantão das oito.

Sam ficou alguns minutos com o rosto enfiado nas mãos, desolada, sentia a situação regredindo cada vez mais.

- Bom dia, oficial.

 

 

Desconstrução: s.f.: base da transformação humana, quebrando paradigmas, desconstruindo dogmas, e questionando regras sociais para que possamos ir para o próximo estágio de uma liberdade que desconhecemos.

Nome: Ada M Melo (Assinado) · Data: 14/12/2015 12:37 · Para: Capitulo 9 - Desconstrução

agora de presente queremos pra começar a cabeça do Elias numa bandeja!!! e Cris esse bom dia oficial foi a Theo certo? depois do Elias queremos o Mike levando um pé na bunda...



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 13/12/2015 16:28 · Para: Capitulo 9 - Desconstrução

#CrisFazaSamExpulsaroMike 

 Então não era um pesadelo o que será que o monstro do Elias vai fazer com o material que ele colheu da Theo conhecendo a sorte dela deve ser algo bem pavoroso medo. E o Mike nada justifica a Sam ainda permiti esse idiota na casa delas será que ela esta pensando em obrigar a Theo a conviver com ele quando ela tiver alta isso seria o cumulo do absurdo ninguém pode ser assim sem noção bjs Cris a sua historia esta mais instigante a cada capitulo melhor impossível

 



Nome: Laura Campos (Assinado) · Data: 13/12/2015 11:38 · Para: Capitulo 9 - Desconstrução

Olá, Cristiane!!

Venho acompanhando suas histórias desde o site anterior e também em seu blog, confesso que nunca tinha comentado em seus inscritos.

Gosto muito de sua escrita, o modo como você elenca os fatos, como traz os conflitos humanos, a maneira de descrever os lugares, situações e, acima de tudo, como descreve os sentimentos de inquietação e esperança que eclodem na alma humana.

Aguardei inquietamente a continuação de 2121, estou gostando muito, mas sinceramente não entendo a proximidade de Mike. Depois de todos os probelmas que Sam teve com ele , qual o motivo de quere-lo por perto e, acima de tudo, morando na casa da Theo, com direito a certos tipos de intimidades??

 

 

 

PS: Agora utlizado a linguagem informal rsrsrsr O Mike é um pé no saco, um babaca, idiota.

 

 



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 13/12/2015 10:52 · Para: Capitulo 9 - Desconstrução
Ah theo. Impossível nao chorar. Sofre tanto. Maldito Mike . Esse precisa urgentemente de desconstrução. Ela voltou agora? Muito sofrimento. Muito amor delas. Agora as meninas sabem do tamanho dessw amor. Obrigada cap neste domingo bjs


Nome: Baiana (Assinado) · Data: 13/12/2015 06:35 · Para: Capitulo 9 - Desconstrução

Esse Elias cada vez mais sádico,ainda bem que a Sam foi o ser pensante da relação,peloenos uma vez. E por falar nessa sem noção,ela está esperando o que,para mandar o idiota embora? Ele mostrar seu lado desagradável para a Theo? Pois que eu me lembre ele sempre foi um poço de delicadeza com as duas.SQN

Ainda acho que a Michelle poderia entrar no páreo 



Nome: Ana_Clara (Assinado) · Data: 13/12/2015 04:11 · Para: Capitulo 9 - Desconstrução

Caraca, foi a Theo que cumprimentou a Sam certo? Quantas emoções para apenas um capítulo! Já não aguento mais ver a Theo sofrer. Foram tantas provações e ela está firme. Sou fã dessa garota! Aliás, será que esses clones todos não poderiam doar uma nova mão e novas córneas para a nossa guerreira?



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