(auto) desafio: um prompt fill por dia em dezembro por charliefgrosskopf


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Julia não era a melhor aluna da sala e nem a pior aluna, ela gostava de sentar atrás porque gostava de observar os outros alunos. Principalmente no primeiro dia de aula. Ela estava batendo na mesa com as pontas dos dedos na mesa, o pé direito também estava batendo rapidamente no chão. Com a mão que ela não estava usando para bater na mesa, e apoiou o cotovelo na mesa e o queixo na mão.


Ninguém até o momento parecia interessante o suficiente para ela pensar que talvez fosse legal tentar puxar alguma conversa. Ela pegou a caneta vermelha e começou a desenhar coisas aleatórias, ergueu os olhos quando ouviu a porta ser aberta outra vez.


A garota que entrou parecia tímida. Segurando a alça da mochila com uma mão, os dedos longos apertando a alça com força e a outra mão segurava o pulso do braço que estava segurando a alça da mochila. O cabelo loiro-escuro estava preso em um rabo-de-cavalo alto - quando ela sentou, Julia conseguiu ver que o cabelo dela chegava até quase o meio das costas. Ela era alta e parecia tentar se encolher para parecer menos do que realmente era.


O que mais chamou a atenção de Julia foi que ela estava com uma camisa de mangas longas. Quem conseguia vestir uma camisa dessas no calor de fevereiro do Rio de Janeiro?


Algo nela fez Julia querer continuar olhando e observando ela pelo resto das outras aulas. Pelo resto da semana. Ninguém sentou ao lado dela e ela também não pareceu interessada em tentar falar com outras pessoas. Depois de voltar do pequeno recesso do carnaval, Julia finalmente decidiu que seria uma boa ideia tentar falar com a garota.


Julia tentava ser simpática com as pessoas, mas ela evitava tocar nas pessoas. Ela não gostava muito dessa ‘habilidade’ de sentir as dores de outras pessoas quando as tocava. Mesmo que fosse por só um segundo. Então ela não se incomodou pela garota não ser muito fã de nenhum tipo de toque


A única pessoa que Julia não tinha problemas em tocar era Amanda, mas só porque era a irmã dela e ela estava mais do que acostumada com isso.


“Mar” ela falou depois de algumas semanas conversando um pouco por dia “Eu não gosto muito de Marisa.


“Okay” Julia sorriu para ela “Então vou te chamar de Mar.”


Ela não descobriu muita coisa sobre Mar. Ela era a filha mais nova de três, a família dela era evangélica bem ao estilo que vai a igreja sempre, próximos aos pastores e os que mais colaboram com dízimo. E ela estava sendo “treinada” para ser pastora.


E observando, percebeu outras coisas. Como, ela sempre pulava para longe de quem tocava ela, mesmo que não fosse de propósito. Ela participava das aulas de educação física e era boa nisso. Ela era rápida e forte e era fascinante observar ela.


E Julia também descobriu que estava se apaixonando por ela.


***


Elas estavam praticamente sozinhas na biblioteca. Somente elas, o professor responsável pela biblioteca e uma outra garota. Estavam sentadas uma no lado da outra. Já estavam quase no meio do ano e faziam todos os trabalhos em dupla juntas. Como aquele trabalho de filosofia.


Era uma daquelas vezes raras em que Mar estava com as mangas puxadas até o meio dos antebraços e por causa disso Julia tocou ela sem querer.


E ela nunca sentiu tanta dor na vida dela. O suficiente para apagar.


E claro que Mar teve um breve ataque de pânico quando viu Julia desmaiar do lado dela.


O professor se ofereceu para ajudar, mas Mar podia carregar ela sozinha. A diretoria era no andar de baixo e foi fácil carregar ela. Julia não era muito pesada. Ela colocou a garota no banco acolchoado e falou com a coordenadora.


Ela entregou água para Julia quando a garota acordou. Em um pouco mais de meia hora, a irmã de Julia chegou.


Julia ergueu os olhos quando sentiu a presença na frente dela, também sentiu o cheiro de alfazema. Amanda ajoelhou na frente dela. E Julia agarrou seu braço e enfiou o rosto no pescoço da irmã.


Ela sabia que parecia estranho, mas a dor de Amanda era familiar. E era fácil de lidar porque ela estava acostumada. Conhecia aqueles sentimentos desde sempre e ela sabia muito bem como lidar com isso. Então Julia se deixou afundar na dor constante que ela conhecia melhor do que a própria.


“Ei, está tudo bem” Amanda passou o braço livre ao seu redor “Vamos para casa.”


O caminho foi em silêncio. Julia só soltou ela por tempo o suficiente para que entrassem no carro. Julia continuo segurando o braço de Amanda pelo caminho inteiro.


“Vai me contar o que aconteceu?” Amanda falou depois que as duas estavam confortáveis no sofá.


Julia assentiu.


***


“Está se sentindo melhor?” Mar perguntou e sentou no chão ao lado de Julia. Estavam no terminal rodoviário.


“Uhum. Foi só uma queda de pressão.”


“Você não sabe mentir.”


“Eu não estou mentindo” Mar arqueou a sobrancelha “É complicado.”


“Complicado?”


“Você não vai acreditar em mim.”


“Tente.”


Julia engoliu seco, quase ninguém sabia sobre essa habilidade: “Eu, hm, sou um pouco diferente.”


“Diferente?”


“Digamos que eu meio que posso sentir algumas coisas quando eu toco as pessoas.”


“Oh, eu já ouvi falar desse tipo de coisas. Essas pessoas sensitivas.”


“É meio raro.”


“É muito raro. O que você pode sentir?”


“Essa é a parte complicada.”


“Hm. É constrangedor?”


“Não. Eu acho” ela não tinha coragem de olhar para a garota sentada ao lado dela “Eu... eu posso sentir a dor das pessoas. Física e emocional.”


“Oh...”


“A Amanda acha que talvez eu tenha desmaiado porque fazia um tempo que eu não fazia isso. Sabe? Tocar pessoas novas.”


“Faz sentido” Mar falou baixo.


“Eu... não tenho certeza se é isso.”


“Por que?”


“Porque...” Julia olhou para ela. 


Ela não havia reparado como os olhos dela não eram realmente de uma cor só. Verde-musgo com riscos mais claros, dourados e era lindos.


Julia segurou o rosto dela. Ela não achava que realmente deveria fazer isso (mesmo que ela quisesse muito), mas autocontrole nunca foi realmente um forte. Antes que a ‘habilidade’ dela realmente bater, ela beijou a garota.


Era impossível de realmente ser explicado.


A dor emocional era mais pesado do que a dor física, as ela se conseguiu se concentrar primeiro na dor física. As costas ardiam em lugares diferentes, os ombros estavam doendo e os joelhos incomodavam. Mas a dor emocional era muito pior.


Era coisa demais e ela não conseguia respirar.


Dor acumulada e ignorada. Rejeição, agonia, raiva, ódio e coisas que Julia não conseguia definir. Mas eram causas diferentes e dores emocionais diferentes. Não era porque foi a primeira vez depois de muito tempo, foi porque ela nunca tocou alguém com toda essa dor


“Julia?” Mar perguntou quando se afastaram um pouco.


“Hm?”


“Me desculpe.”


“Vai ficar tudo bem.”

Nome: Hey Sally (Assinado) · Data: 14/12/2017 00:01 · Para: Dia 13 - A garota dos olhos tristes

Eu odeio a família da mar do fundo do meu coração.

Eu torço muito pra um final feliz pra ela.

Por favor?

Nunca te pedi nada.



Resposta do autor:

Eles são terríveis

Talvez ela tenha (porque eu gostei muito desse prompt e eu acho que vou escrever um conto mais longo com isso e ela vai ser feliz)

 



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