(auto) desafio: um prompt fill por dia em dezembro por Senhorita Charlie


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Eu não tenho vergonha de ter depressão. 


Eu não tenho vergonha de fazer terapia toda sexta-feira.


Eu não tenho vergonha de tomar os remédios que eu preciso tomar.


Eu tenho medo de contar à ela. E se ela desistir de mim? E se ela perceber que eu sou problemática demais para ser amada? Mas o meu terapeuta continua insistindo para que eu traga ela. Afinal, aparentemente eu passo a maior parte do tempo falando sobre ela. Eu falo mais sobre a minha namorada do que eu falo sobre os meus problemas.


No começo, antes de eu começar a namorar com ela (porque somo amigas há algum tempo), eu realmente falava sobre os meus problemas. Sobre toda a culpa que eu continuo sentindo mesmo depois de alguns anos. E ele tenta me convencer que eu não tinha responsabilidade nenhuma em cuidar da minha mãe. E que eu não tinha como salvar ela.


Além de ter demorado um certo tempo para aceitar que eu gosto de garotas. E ter demorado algum tempo para conseguir começar a me abrir e a deixar ele me ajudar. Depressão e transtorno de ansiedade é só um pouquinho de déficit de atenção.


É o trio da desgraça.


E eu não quero que ela saiba do meu trio do inferno. De qualquer maneira, ele está me pedindo há seis meses. E eu finalmente desisto de resistir. Eu prometi levar ela... levar ela amanhã.


E eu ainda não falei isso para ela. Como em vários dias da semana, eu acabo decidindo passar a noite com ela. Meu pai trabalha no turno noturno, então não é um problema que eu passe aqui (e ele não reclama porque mesmo que ele não seja 100% fã do meu relacionamento, ele sabe que não vai mudar). 


“Ei” ela se ajoelha atrás de mim na cama e me abraça “Você parece nervosa.”


“Não é nada.”


“Tem certeza?” ela beija a minha bochecha, perto da orelha. Nós estamos juntas há sete meses e meio e, bem, digamos que não fomos além de beijos “Livre amanhã? Por algum milagre?”


Eu mordo a parte interna na minha bochecha antes de continuar: “Bem, eu quero falar sobre isso.”


“Sobre o que?”


“Eu quero te pedir uma coisa.”


“O que? Vai finalmente me contar o que você faz nessas misteriosas tardes de sexta?”


“Terapia” eu falo baixo.


“Terapia?” eu concordo com a cabeça “Oh...”


“Me descu-”


“Não precisa pedir desculpas. Quer falar sobre isso?”


Eu respiro fundo antes de falar sobre como o meu terapeuta quer que ela vá comigo em uma das sessões. Sobre com o que eu fui diagnosticada. Sobre os remédios. E ela me pergunta porque eu não contei.


“Eu estava com medo de você ir embora. De você desistir de mim.”


Ela me beija e promete que não vai me abandonar. Ela me beija e promete que está tudo bem. Ela beija minha testa e pergunta se essa parte de mim tem algo a ver com o fato de eu sempre fugir e me negar a deixar nós irmos para um ponto além dos beijos.


Eu só preciso assentir para que ela entenda.


Então ela promete outra vez. De novo, de novo e de novo.


E eu acredito porque ela nunca quebra as promessas.

Nome: Hey Sally (Assinado) · Data: 12/12/2017 18:09 · Para: Dia 11 - Sem título

Melhor coisa do mundo! 



Resposta do autor:

Obrigada :)



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