A vida no mundo perdido [em hiatus] por Senhorita Charlie


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Sexta-feira, 05 de novembro de 2016

Amanda percebeu que não gostava de aviões, sua cabeça estava latejando quando ela foi uma das últimas pessoas a sair do veículo, além de sentir seu estômago revirar desagradavelmente. Ela segurou a alça da bolsa de mão com mais força, se sentia extremamente nervos por estar sozinha em um lugar completamente novo. Do outro lado do cordão, se destacando por parecer extremamente tranquila entre a multidão, ela segurava uma plaquinha escrito "Amanda B." enquanto esperava calmamente pela psicóloga.

Tinha os olhos escuros, tão escuros que era praticamente impossível ver sua pupila. O cabelo escuro era curto e parecia combinar com a provável praticidade dela. Amanda sorriu levemente para ela e conseguiu se aproximar. A garota ofereceu a mão para um cumprimento, Amanda segurou sua mão e apertou.

- Eu sou a Clara, sua colega de apartamento - sorriu.

- Olá - Amanda se sentiu um pouco nervosa com o olhar da outra - Então... o que eu faço agora?

- Vamos pegar suas malas e vamos para o apartamento, é um pouco longe daqui.

- Certo.

Elas foram em direção à esteira e pegaram o par de malas. Clara carregou a menos, já que Amanda não deixou ela carregar as duas de jeito nenhum. O carro da mulher estava estacionado um pouco longe do aeroporto. Era um carro prata pequeno, ela abriu o porta-malas e elas colocaram o par ali dentro. Entraram no carro e Clara começou a dirigir em direção ao apartamento.

- Então... Você é uma das pessoas nesse projeto?

- Uhum, acho que peguei a última vaga.

- Sim. Eu achei que as vagas não seriam preenchidas.

- Por que?

- Que tal a piadinha com o Acre? - Clara riu, Amanda a acompanhou - notando, claro em como a risada dela era adorável - ela achou aquilo agradável - Quando você voltar pro Rio, vai poder dizer que o Acre existe.

- Vou lembrar de espalhar esse boato - Clara sorriu para ela, era um sorriso gentil e quase carinhoso.

O apartamento não era tão longe assim, Clara estacionou e ajudou Amanda a carregar as malas para o apartamento. Ficava no quinto andar, 504. Amanda olhou ao redor quando entrou no local, reparou como era relativamente pequeno. Um balcão dividia a sala da cozinha, era um lugar arrumado. Ela gostou do lugar, do clima que tinha ali. Parecia um lugar simples, Clara parecia uma mulher legal.

Talvez não fosse ser tão difícil quanto ela havia imaginado.

- Quer uma água? Café? Energético? Cerveja? Qualquer coisa?

- Um pouco de água está bom.

Clara assentiu e foi para a cozinha, encheu um copo de água e levou para Amanda, que agradeceu e sorriu. Ela puxou as malas em direção ao quarto. Elas conversaram um pouco sobre o projeto, Clara explicou que ele já existia há algum tempo, porém, cada vez havia mais crianças dentro do projeto, assim precisavam de mais psicólogos. Então, os líderes do projeto decidiram chamar alguns psicólogos para o projeto. Como a clínica que Amanda trabalhava fazia parte de uma espécie de rede, foi uma das clínicas escolhidas para mandarem psicólogos para o projeto.

Clara explicou que ela levaria Amanda para a clínica principal na manhã seguinte, depois Clara poderia levar a mulher para o trabalho todos os dias, mesmo que elas não trabalhassem no mesmo lugar. Clara era três anos mais velha que Amanda, diferentemente de Amanda, era psiquiatra, por isso provavelmente não trabalhariam no mesmo lugar.

Amanda achou a conversa fluida, mesmo que fosse apenas sobre o projeto, ela não havia pensado muito sobre o projeto em si. Afinal, estava ocupada preocupada com Julia, Simone e a grande mudança.

Depois da conversa sobre o projeto, acabaram fluindo a conversa para coisas sobre a cidade e Amanda perdeu as contas de quantas perguntas ela respondeu sobre o Rio de Janeiro. Clara gostava do sotaque de Amanda, a maioria das pessoas pareciam gostar do sotaque carioca (apesar de nenhum - ou quase nenhum - carioca entender qual era o tal do amor por esse sotaque).

Elas passaram horas conversando sobre aquilo, Amanda não falou muito sobre Simone e Julia, não falou tanto sobre si. Clara fez um jantar rápido, macarrão com molho. Depois de mais algum tempo, Amanda decidiu tomar um bom banho, vestir uma roupa confortável e dormir. Ela não havia notado o quanto ela estava cansada até deitar na cama macia e confortável. Ela passou um braço embaixo do travesseiro, deitada virada para a cama, fechou e suspirou.

Amanda se sentiu desabar.

Ela gostaria que Julia não a odiasse daquele jeito, que a garota tivesse ido com ela. Amanda tinha certeza que poderia arranjar um jeito de tudo dar certo. E ela queria que ir embora não machucasse Simone daquele jeito. Mas claro que ela confiava em Mar, imaginava que a garota estaria sempre por perto de Simone. Era a melhor amiga que Simone poderia ter arranjado, por mais que Mar não fosse a pessoa mais exemplar que ela conhecia, havia algo nela que impedia Amanda de achar que não daria certo.

Ela esperava que fosse uma boa escolha, a melhor escolha. Que ir embora era a melhor coisa que ela poderia fazer por si mesma.

Segunda-feira, 07 de novembro de 2016

Julia enfiou o rosto no travesseiro, estava com dor de cabeça, parecia prestes a explodir em mil pedaços. Ela não queria levantar, ela queria ficar deitada ali o dia inteiro. Era estranho ficar no apartamento vazio, era estranho levantar durante a madrugada e ver Amanda na sala em uma posição desconfortável. Ela sentia falta até mesmo do "romance suado" entre a psicóloga e o sofá.

A garota ouviu o barulho de alguém batendo na porta. Ela suspirou, levantou e atendeu. Do outro lado da porta estava Mar. Ela estava com um short mais curto do que o recomendável e uma blusa sem mangas (que mesmo que ela não gostasse muito sobre os próprios braços, ver ela deixando eles a mostra era uma visão bem agradável). As roupas que não cobriam tanta carne assim foi o suficiente para fazer Julia corar levemente.

- Ah, oi - ela sorriu levemente- Hm, sua irmã me pediu para manter o apartamento limpo enquanto você não voltava para casa.

- Isso é definitivamente a cara dela - resmungou e deu um passo para o lado, deixando espaço para ela passar. Julia se sentiu um tanto tensa quando a garota passou por ela, por que Mar precisava ter aquele corpo?

- Eu sei, achei que você não ia voltar. E que você ia me odiar.

- Eu odeio você.

- Claro que me odeia. Falou com a Amanda?

- Não.

Mar suspirou, Julia trancou a porta. Elas não tinham muito o que falar, o que fazer. Julia virou para ela, viu que a garota a olhava com o velho olhar que deixava claro que ainda havia a velha tensão sexual entre elas. Claro que Julia podia ver que Mar sentia uma certa culpa por sentia alguma atração por qualquer garota que não fosse a namorada dela. Mar se aproximou, Julia tentou não desejar que Mar a tocasse, porém ela deixou que Mar segurasse seu rosto delicadamente.

- Por que é tão difícil resistir a você? Meu Deus, eu te desejo pra caralho e não posso te tocar - Mar murmurou e acariciou as bochechas dela com os polegares - Tão perfeita...

- Você não deveria estar tão perto...

- Eu sei. Quer que eu me afaste?

- Não... - segurou sua cintura - Você vai machucar ela...

- Eu sei, Julia. É o que eu faço, não?

Julia não respondeu, o hálito de cigarro misturado com bebida (e com o leve cheiro do refrigerante de limão) era quente. Ela respirou fundo, o cheiro fazia ela lembrar de coisas boas. Por mais que Mar tenha quebrado o coração dela em milhares de pedaços, ela se lembrava perfeitamente de como elas tiveram momentos realmente bons. Sexuais ou não, apenas momentos carinhosos, eram bons. Ela sentiu as mãos de Mar no seu rosto, o carinho daquele toque podia não ser vindo de algum amor, mas era bom do mesmo jeito. Henrique nunca tocou ela daquele jeito, ele nunca foi realmente carinhoso ou amoroso com ela. Pedro foi, porém, era diferente. Aquilo era quase nostálgico.

Mar estava se controlando para não fazer o que ela queria muito fazer: beijar Julia até a exaustão.

Era tenso, o silêncio era quebrado pela respiração acelerada de ambas. Mar beijou a testa dela, deixou seus lábios tocando ela por alguns segundos. Cada músculo do seu corpo desejava aquela garota com tudo o que podia. Ela abaixou um pouco a cabeça, seus dedos se enfiaram no cabelo dela com vontade. Julia segurou sua cintura e puxou ela para mais perto.

- Você vai me bater se eu beijar você? - Mar perguntou baixinho.

- Não, eu não vou te bater...

Mar sorriu levemente e a beijou. Empurrou a garota até que as costas dela batessem na porta. Julia segurava sua cintura com toda força e estava nas pontas dos pés. Mar deixou uma mão enfiada no cabelo dela e passou o outro braço ao redor da cintura da garota. Ela sabia que não deveria fazer aquilo. Sua função era simples: ir até o apartamento, limpar a poeira e manter a geladeira sem coisas estragadas. Ela achava que Julia não estaria lá, mas bateu na porta apenas por educação. E Julia estava, mas Mar deveria apenas limpar o apartamento e ir embora.

Simplesmente ir embora.

Porém, ali estava ela: beijando, agarrando Julia. Com força, vontade, ela sentia o corpo da garota esquentar sob suas mãos. Julia pegou impulso e passou as pernas ao redor de Mar. As duas tinham certeza que provavelmente se arrependeriam depois, mas no momento estavam ocupadas em se agarrar ali mesmo. Mar deu um passo para trás, os braços ao redor de Julia a segurando com força.

Mar andou até o quarto, ela não se lembrava de como Julia segurava ela com tanta força. Ou talvez agora a garota estivesse segurando ela com tanta força. Com mais delicadeza do que o esperado, Mar colocou Julia na cama, continuou em cima dela e a beijou com vontade. Mar enfiou as mãos por baixo da camisa dela, passando pela barriga até os seios, os agarrou com toda vontade. Julia gemeu baixo quando Mar mordeu seu pescoço. Com pressa, Julia puxou a camisa da garota para cima, Mar foi para trás e tirou a blusa, Julia passou as unhas pela barriga dela. Quando Mar se abaixou de novo, Julia agarrou suas costas.

Mar tirou sua blusa e beijou cada pedaço de pele que podia, deixou marcas de chupões sem hesitar. Enfiou os dedos entre o short e a pele da garota e puxou a última peça de roupa. Mar encaixou uma mão entre as suas pernas e pressionou, Julia gemeu baixo. Depois de provocar por mais alguns momentos, Mar se inclinou para frente e murmurou:

- Vire-se...

Deu espaço para que Julia vira-se de barriga para baixo. Beijou seu ombro e se ajoelhou atrás dela, segurou seu quadril para que ela se erguesse um pouco. Julia gemeu alto quando sentiu os dedos de Mar entrando delicadamente nela. Mar enfiou os dedos no seu cabelo e puxou para trás enquanto estocava com vontade.

Ela não precisou se esforçar tanto para fazer a garota chegar ao ápice, talvez pelos hormônios, talvez porque ela era sensível ou talvez Mar fosse boa naquilo. Julia deitou com o rosto enfiado no travesseiro, respirando rápido. Mar riu, limpou os dedos com a boca mesmo. Praticamente deitou nela, sem realmente deixar o peso em cima da garota.

- Sai de cima de mim, sai de cima de mim, sai de cima de mim - Julia praticamente gritou e girou, mas Mar apenas riu e deitou de costas com a garota em cima dela, teve cuidado para não cair da cama e a abraçou ela - Meu Deus, Mar!

- Você pediu para eu sair de cima você - riu e beijou seu ombro.

- Não faça isso - Julia murmurou.

- Fazer o que? - Mar perguntou e acariciou sua barriga delicadamente.

- Fazer eu me apaixonar por você - segurou sua mão para que ela parasse de acariciar sua barriga, ela murmurou baixinho - Me machucar de novo...

- Isso não está no meu plano - Julia escorregou um pouco para o lado, sem realmente sair de cima da garota e deitou a cabeça no travesseiro, virou o rosto para ela e Mar a olhou - Não deveríamos ter feito isso, não é?

- Definitivamente.

- E por que fizemos?

- Porque é irresistível - tocou seu rosto delicadamente com as pontas dos dedos - Você é irresistível.

- Eu sou um pecado.

- Eu gosto de pecados.

- Para de flertar, filha da puta.

- Eu flerto até com um poste - Julia riu baixinho - Sabe de uma coisa que você deveria fazer?

- Sentar na sua cara?

- Não - sua voz soou delicada e gentil - Você deveria ir atrás da Amanda.

- Eu não vou atrás da Amanda... - Julia se livrou da sua mão e levantou, se sentou na cama - Eu não vou atrás dela...

- Por que não? Por acaso você não entendeu o que eu falei sobre isso?

- Eu ouvi...

- Mas você é rancorosa demais para pensar em dar uma chance para a sua própria irmã - Mar sentou.

- Talvez eu seja rancorosa, talvez eu esteja tentando me proteger.

- Mas ela é a sua família.

- E o que você sabe sobre família? - Julia virou para ela - Você odeia a sua família, não é? Você não pode falar merda nenhuma sobre isso.

Julia levantou e começou a catar as roupas dela, estava vermelha de raiva e sequer olhou para Mar outra vez. Talvez ela fosse rancorosa, talvez ela fosse extremamente orgulhosa. Ela sentia falta de Amanda, aquilo machucava. Faziam alguns dias que a psicóloga tinha ido embora e a garota sentia como se fossem anos.

- Talvez a minha família não me ame como a Amanda te ama - Mar murmurou, a voz rouca e Julia ouviu ela fungar - Então eu acho que seria uma boa ideia você parar de atacar todo mundo ao seu redor e ir atrás da sua família.

Nome: KPegoretti (Assinado) · Data: 06/04/2017 17:49 · Para: 09. Algumas Coisas Diferentes

Quanta aflição, não sei se fico Alegre ou se choro. A história nos prende de uma maneira fascinante. Amando cada capítulo, aguardo ansiosa pelos outros. Espero que tudo acabe bem. 



Resposta do autor:

Acho que um pouco de cada. 

Eu sou adepta de fazer todo mundo sofrer e dar um final feliz 



Nome: Vanessa (Assinado) · Data: 02/04/2017 21:18 · Para: 09. Algumas Coisas Diferentes

Meu coração tá aqui pequenininho esperando os próximos capítulos.

Tudo muito tenso ainda, mais amando a história.



Resposta do autor:

Oh, sorry not sorry 

Essa história é bem mais tensa do que a primeira parte 



Nome: rhina (Assinado) · Data: 02/04/2017 14:43 · Para: 09. Algumas Coisas Diferentes

 

Oi

Bom dia

eu não sei se pulo e grito de alegria 

ou se eu pulo e grito de tristeza. ....

eu quero muito elas juntas....mas este momento pode ou não ser bom para que elas fiquem juntas. ...

elas são perfeitas juntas. ...as amo

rhina



Resposta do autor:

Oi

Acho que é melhor fazer um pouco de cada

Elas precisam resolver coisas antes e ficarem mais estáveis antes de ficarem juntos outra vez



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