A vida no mundo perdido [em hiatus] por Senhorita Charlie


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Quinta-feira, 03 de novembro de 2016

Um antigo provérbio chinês diz: Um fio invisível une todos aqueles que estão destinados a encontrar-se, independentemente do tempo, lugar ou circunstância. O fio pode esticar-se ou emaranhar-se. Mas nunca se partirá.

Talvez, se esse provérbio estivesse certo, esse fio era o que unia Simone e Amanda mesmo que elas estivessem longe. E o coração de Simone batia violentamente enquanto ela esperava o elevador deixar ela no andar correto. Respirou fundo, precisava se acalmar, até suas mãos tremiam devido ao nervosismo que ela sentir. Ela queria ver Amanda, abraçar ela, beija-la e ouvir sua voz. Porém, nem mesmo sabia se a psicóloga seria delicada com ela. Quando saiu do elevador, Simone enfiou as mãos no casaco que vestia e se aproximou da porta do apartamento. Com o resto da coragem que restou dentro dela, apertou a campainha. Amanda atendeu rapidamente.

Ah, como Simone sentiu uma saudade indescritível daqueles olhos castanhos. Você já se apaixonou pelos olhos de alguém? Pela cor, pelo olhar, pela alma vista através dessas janelas. A beleza de alguém nem sempre está somente na aparência - o que acontece em pessoas vazias -, às vezes está no todo, e, principalmente, na tal da alma. Não é a voz, é o modo de falar e as palavras. Não é o corpo, é o sentimento durante um abraço, ou beijo ou sexo. Não é a cor dos olhos, é o olhar. Amanda podia não ser a Miss Universo, mas ela definitivamente era a mulher mais bonita do mundo com aqueles olhos castanhos.

Amanda sorriu levemente e deu espaço para que a garota entrasse. A primeira coisa que ela viu, claro, foi o par de malas que estava encostado no sofá. Nenhuma das duas fazia a mínima ideia do que falar. Elas ficaram todo aquele tempo sem se ver, sem se falar, basicamente tentado esquecer uma a outra. Porém, ainda havia algum clima do que eram antes. Amanda estava vestida de um jeito tão simples e confortável que parecia exatamente o mesmo de antes, mesmo que Simone soubesse que ela não fazia a ideia que a garota apareceria, ela só vestia uma blusa e uma boxer, o que mostrava bem mais pele do que Simone achou que veria naquele momento.

O que uma garota pode falar depois de quebrar o coração de alguém? Estava lá, no fundo dos olhos castanhos, o quanto Simone a machucou. O quanto era doloroso amar alguém. Talvez Julia tivesse razão quando dizia que o amor é uma doença, mas talvez não existisse uma pessoa certa. Porém, mesmo com toda a agonia que aquilo causava nela. Por causa dessa dor, por mais que ambas quisessem simplesmente se ‘atacar'. Se beijarem, passarem a noite juntas e ficarem bem novamente.

Elas se olharam por alguns momentos. Simone tinha uma caralhada de coisa para falar, para jogar na mesa, para admitir. Ela queria pedir desculpas, ou perdão de joelhos na frente dela, se humilharia para conseguir aquilo.

Simone não fazia ideia se Amanda ia ou não empurrar ela, mas ela ‘venceu' o espaço que havia entre elas e, com toda vontade que tinha, segurou o rosto da psicóloga e a beijou. Uma espécie de alegria colorida explodiu dentro da garota quando Amanda correspondeu o beijo, gemeu baixinho de satisfação quando sentiu os braços da mulher ao redor da sua cintura e quando ela realmente a abraçou. Era como a perfeição: quente e carinhoso. Sem pensar, Simone empurrou Amanda para o sofá e subiu em seu colo. Amanda interrompeu o beijo, as mãos na cintura de Simone e a olhou, se sentindo confusa.

- Você não era tão magra assim...

- Está dizendo que eu era gorda?

- Não, não estou dizendo isso. Você entendeu o que estou dizendo.

- Você está quebrando o clima, Amanda.

- Eu só... eu estou meio preocupada com você.

- Não precisa se preocupar, só precisa me beijar.

Simone enfiou os dedos no cabelo castanho que ela realmente adorava, com força e com vontade. "Me ame quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso."  Um provérbio chinês que combinava perfeitamente com a situação de Simone. Era bom como antes, mas ela sentia que Amanda parecia incomodava com aquilo. Simone parou de beijar ela, suspirou e sentou ao seu lado. A psicóloga respirou fundo. A garota olhou para ela, sentiu como se estivesse se apaixonando de novo. Ficar tão perto outra vez era praticamente perfeito. Ela queria ficar ali para sempre, ela se sentia melhor só por estar por perto.

- Seria abuso pedir para que você cante algo para mim?

- Seria uma honra cantar algo para você - ela levantou do sofá e puxou a garota - E dançar também, só uma última vez.

- Você realmente não vai voltar?

- Eu não sei, você não está presa a mim e nem pode vir comigo. Então vamos só cantar e dançar um pouco para que a última lembrança seja boa.

Guiou os pulsos de Simone para que ela enlaçasse seu pescoço, passou os braços ao redor da cintura da garota e puxou ela para mais perto. Amanda não gosta da sensação estranha de abraçar Simone daquele jeito, ela parecia pequena demais, bem mais magra do que antes. Quanto tempo ela ficava sem comer? O quanto tudo aquilo estava afetando a garota. Por um momento, ela pensou seriamente em desistir e ficar. De perder o seu emprego, fazer Julia odiar ela ainda mais - já que era quase uma traição - e ficar com a garota. Porém, ela sabia que não podia fazer nada para ajuda-la. Sabia que não seria capaz de ser quem Simone precisava que ela fosse. Amanda beijou sua bochecha e começou a cantar baixinho, a voz perfeita para Simone, como sempre.

She says I smell like safety and home

I named both of her eyes "Forever" and "Please don't go"

I could be a morning sunrise all the time, all the time

This could be goo, this could be good

Amanda acariciou suas costas lentamente, mesmo por cima do casaco, Simone sentia o toque morno das mãos da mulher. Ela gostava daquilo, ela sentia que precisava daquilo para viver. Como se Amanda fosse o ar que ela precisava para respirar.

And I can't change, even if I tried

Even if I wanted to

And I can't change, even if I tried

Even if I wanted to

My love, my love, my love, my love

She keeps me warm, she keeps me warm

A voz de Amanda falhou levemente, soando um pouco mais baixo do que antes. Simone havia sentido tanta falta daquilo... De ouvir a voz baixa e não tão afinada assim, do calor que saia do corpo dela, sentir os braços fortes dela ao redor da sua cintura e sentir o ar quente da respiração dela em seu pescoço. A garota apertou Amanda com mais força, com mais vontade.

What's your middle name?

Do you hate your job?

Do you fall in love too easily?

What's your favorite word?

You like kissing girls?

Can I call baby?

Yeah, yeah

She says that people stare ‘cuz we look so good together

Simone afastou um pouco o rosto para olhar diretamente para os olhos escuros da mulher. Ela sentiu como se estivesse mais calma, como se toda a dor que ela estava sentindo todo o tempo de repente diminui. Era como se ela estivesse se sentindo curada das feridas simplesmente porque Amanda estava ali, abraçando ela, cantando para ela. Simplesmente porque a psicóloga não chutou ela para longe, não estava com raiva dela.

- Eu amo tanto você - Simone murmurou e enfiou os dedos de uma mão no cabelo macio dela - Você sente minha falta?

- Todo o tempo, como se eu tivesse perdido parte de mim - Amanda segurou o rosto da garota, acariciou lentamente com os polegares - E isso está me matando todos os dias.

- Por que isso machuca tanto?

- Eu não se... ficar longe dói, mas ficar perto também machuca.

- É difícil assim perto do Arthur?

- Não, não é. Eu nunca senti falta dele como eu sinto de você, eu nunca senti por ele o que senti por você... o que eu sinto por você.

- E não podemos tentar de novo?

- Eu não posso levar você comigo... não.

- E você não pode ficar?

- Me desculpe...

Ela sabia que Amanda não ficaria, não que a psicóloga não a amasse o suficiente, talvez ela somente estivesse machucada demais para ficar, para tentar outra vez. Simone quase sentia a dor que estava dentro dela, a dor que a garota sabia que havia causado. Ela que havia desistido primeiro, ela que havia ido embora, ela sabia que não era justo simplesmente pedir para que Amanda jogasse tudo para o alto e continuasse por perto.

Simone respirou fundo, Amanda abraçou ela com mais força. A garota enfiou o rosto no pescoço dela, sentiu o cheiro conhecido de alfazema. Porém, por mais "pesado" que o clima entre elas ficasse, elas não conseguiam realmente resistir. Simone a beijou com vontade e puxou ela para trás, sentou no sofá e puxou a mulher para que ela subisse em seu colo.

- Como você consegue mudar o clima tão rápido? - Amanda perguntou quando se afastaram do beijo.

- Eu não sei - ela segurou a nuca da mulher e passou a ponta do nariz pelo seu pescoço - Eu não quero pensar nisso, uma última vez...

Então ela segurou a barra da blusa e puxou para cima até tirar a peça. Ela havia sentido falta de tocar Amanda com tanta vontade, seus dedos enterrados com força, ela gosta do quão quente era a pele, a carne, da mulher. Simone beijou seu ombro, passou os dentes levemente pela pele dela. Ela passou os dedos com força pelas costas dela, quase a arranhando, Amanda gemeu baixo com isso. As mãos de Simone agarraram sua bunda com força. Amanda saiu do seu colo, segurou seus pulsos e começou a andar para trás, puxando ela lentamente em direção ao quarto.

Elas não precisavam realmente de alguma palavra, ambas sabiam exatamente o que aconteceria. Ou quase. Elas entraram no quarto, estava um tanto escuro. Amanda deitou na cama e Simone subiu na cama também. A psicóloga passou os braços ao redor do pescoço dela, as coxas ao redor do seu quadril, segurando ela perto. Nenhuma das duas queria realmente pensar que aquela era provavelmente a última vez em que ficariam juntas durante um longo tempo. Ou talvez pelo resto da vida. Simone desceu os beijos pelo pescoço e pelo peito, ela realmente havia sentido uma falta terrível de sentir a pele quente sobre seus lábios, a carne macia que podia ser mordida.

Continuou descendo os beijos pela sua barriga até o cós da calça. Ela beijou as coxas delicadamente, passou a ponta do nariz ali, sentindo o cheiro que ela havia sentido falta. Suas mãos tremiam levemente quando ela enfiou os dedos entre o elástico da boxer e a pele dela. Ela puxou para fora até tirar a peça de roupa e então enfiou o rosto em um dos lugares favoritos dela. Amanda enfiou os dedos no seu cabelo. As sensações eram as mesmas, o sabor era exatamente o mesmo, era tão irresistível quanto antes. E os sons dos gemidos de Amanda continuavam parecendo uma melodia para Simone.

A garota engatinhou pela cama até estar em cima da psicóloga outra vez, a beijou lentamente, ela gostava daquela sensação de beijar depois de um orgasmo. Amanda passou os braços ao redor dos seus ombros novamente. Simone se apoiou em uma mão e colocou a outra mão em sua cintura.

- Normalmente você veste menos roupas...

Amanda murmurou, a garota riu baixinho. Ela se ajoelhou e tirou o casaco e a camisa do colégio, ficando só com a blusa de mangas compridas cinza escura. Amanda sentou e passou os braços ao redor da sua cintura. A garota segurou seus ombros enquanto a beijava outra vez, sentiu as mãos dela escorregarem até a barra da sua camisa, então segurou os pulsos dela. Amanda afastou o rosto e perguntou:

- O que houve?

- Nada...

- Tem certeza? - Mexeu levemente as mãos e Simone segurou seus pulsos com ainda mais força.

- Tenho.

- Então por que você está segurando os meus pulsos com tanta força? Desde quando você não deixa eu tirar a sua camisa?

- Amanda...

- Vamos - ela afastou as mãos da barra da camisa e a garota soltou seus pulsos - Simone?

A garota suspirou, ela não queria realmente fazer aquilo, mas ela sentia que precisava. Talvez, apenas talvez, isso conseguisse conversar Amanda de ficar, por mais injusto e doloroso que fosse. Ela segurou a barra da camisa e tirou, rápido antes que perdesse totalmente a coragem de fazer aquilo. Ela desviou o olhar, não queria ver qual seria a reação da mulher. Ela estava com medo... ouviu a respiração dela falhar por um segundo. Ela esperava que os cortes não estivessem parecendo tão ruins, mesmo que alguns estivessem ardendo levemente. Ela sentiu os dedos da psicóloga tocarem levemente os cortes avermelhados no ombro direito, virou o rosto para ela.

- Por que...? - O toque dela era tão delicado que Simone deixaria ela toca-la assim o tempo todo.

- Me desculpe.

- Você não precisa pedir desculpas - segurou seu rosto.

- Cada corte que faço, eu sinto como se eu jogasse todas as horas em que resisti no lixo como se fosse nada demais.

Nome: rhina (Assinado) · Data: 01/04/2017 21:20 · Para: 07. Uma Última Vez

 

Emocionante demais......mexe com minhas sensibilidades 

sim.....me conquista a todo instante. ...a cada parágrafo. ....sentimento. ...amo sua escrita 

rhina



Resposta do autor:

Eu tento passar os sentimentos do melhor jeito que posso



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