A vida no mundo perdido [em hiatus] por Senhorita Charlie


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Sábado, 31 de dezembro de 2016

Simone respirou fundo, estava suando. Ela tinha sensação de que o verão ficava pior a cada ano. Mais quente e infernal. Era assustador como era diferente a situação que ela estava ali e a que ela estava um ano antes.

Era tudo mais fácil.

Ela olhou para o relógio na parede, quase onze da noite. No ano anterior, ela estava bêbada naquele horário. Alguma música aleatória que ela não conseguia se lembrar qual era estava tocando do seu telefone, ela estava sentada no sofá e com uma Amanda muito bêbada e muito sexy no seu colo. Ela não sabia que Amanda podia dar uma bela lap dance tão excitante. 
Ela não reclamaria se tivesse algo do tipo... Mas elas sequer haviam se beijado. Estavam dormindo na mesma cama, morando juntas, tinham uma rotina, mas não estavam realmente juntas. E Simone se perguntava se Amanda seguiria em frente logo, se em breve ela já estaria com outra pessoa. Era doloroso pensar que Amanda definitivamente encontraria alguém melhor que ela.

- Ei - Amanda chamou ela - Quer um pouco? - Ela levantou a jarra com suco.

- Hm, sim, obrigada - Amanda encheu um copo e foi para o sofá.

Amanda sentou ao seu lado, as duas bebendo devagar. A psicóloga respirou fundo, era estranho saber o quanto era diferente a situação atual da situação em que estavam no ano anterior. Amanda se inclinou para frente e deixou o copo na mesa-de-centro.

Ela sentiu Simone deitar a cabeça no seu ombro. Amanda passou um braço ao seu redor e a segurou um pouco mais perto. Depois de meia hora, Julia avisou que ia ver alguém em outro apartamento (era 80% uma desculpa perfeita para deixar elas juntas). Como a maior parte do casas, elas deixaram a TV no canal em que estava com a contagem regressiva.

Simone tirou a cabeça do seu ombro e olhou para ela. Amanda virou o rosto. A garota colocou as mãos nos seus ombros e sentiu a psicóloga colocar as mãos na sua cintura. Ela sabia que nunca se cansaria de ver o olhar que Amanda tinha nos momentos antes de um beijo. Olhos castanhos brilhando e se movendo entre os lábios e os olhos verdes que estavam fazendo a mesma coisa.

O movimento delas foi praticamente sincronizado e seus lábios se tocaram exatamente no momento em que o grande ‘zero' apareceu na tela da TV e os fogos fizeram a sala brilhar com o colorido.

Simone afastou um pouco o corpo (se forçando a continuar beijando a psicóloga) e puxou as pernas para cima do sofá. Elas se conheciam o suficiente para saberem como se tocar, se mover, sem precisarem se olhar ou falar algo. Simone se inclinou para trás, deitando no sofá e Amanda a acompanhou. A garota cruzou os tornozelos atrás da psicóloga, enfiou os dedos no seu cabelo e gemeu baixinho quando a mulher finalmente empurrou a língua para dentro da sua boca.

- Amanda - falou baixo quando se afastaram para respirar por um segundo.

- Sim?

- Eu não quero fazer isso aqui... No sofá.

Amanda assentiu, beijou ela mais uma vez. Passou os braços ao redor da sua cintura e se ajoelhou no sofá. Se levantou, carregando ela. Simone agarrou a parte de trás da sua camisa e apoiou a testa no seu ombro. Ela chutou a porta atrás de si depois que entrou no quarto. Foi até a cama e deixou Simone deitar suavemente na cama.

Era difícil ouvir até o próprio coração com o som dos fogos de artifício do lado de fora. O quarto estava escuro, mas a luz colorida brilhava fraca quando os fogos de algum lugar por perto estouravam.

Amanda mordeu seu lábio inferior antes de seguir a linha do seu maxilar com beijos e mordidas. Ela sentiu as pernas da garota apertarem ela com mais força quando beijou um ponto fraco no pescoço. Ela deixou um caminho com pequenas marcas de mordidas pelo pescoço até o limite do decote. Simone não hesitou em deixar Amanda tirar sua camisa.

A psicóloga passou delicadamente os dedos pelas cicatrizes, beijou algumas gentilmente. Não era uma surpresa que ela fizesse isso. Muito menos que fizesse isso murmurando coisas como ‘vai ficar tudo bem' e ‘eu amo você', às vezes tão baixinho que Simone não entendia quais eram as palavras sussurradas contra a sua pele. Simone deixou ela tirar o jeans e Amanda tocou, beijou e murmurou do mesmo jeito.

Amanda deixou Simone puxar sua camisa para fora do seu corpo. A calcinha e o sutiã foram para em algum canto do quarto. Simone enfiou as unhas nas suas costas quando Amanda passou a dar atenção aos seus seios no mesmo momento em deixou o dedo indicador escorregar lentamente para dentro. Ela pegou ritmo quando o médio acompanhou o outro e ela usou o polegar para fazer os movimentos circulares que ela sabia muito bem que deixava Simone no limite. Ela beijou a garota quando chegou os dedos, quando deu as últimas estocadas firmes para fazer ela praticamente gritar seu nome no ápice.

- Você está bem? - Simone assentiu contra o seu ombro - Eu amo você.

- Eu também amo você.

Terça-feira, 03 de janeiro de 2017

Mar se odiava.

E ela odiava o fato de agora ser realmente um monstro.

Ter seu coração quebrado. Quebrar o coração de quem você ama porque isso talvez evite que você a machuque ainda mais. Qual dói mais? Qual te destrói mais?

Mas ela não havia só quebrado o coração de Ana. Não, ela não só havia dito que não a amava e que não se importava. Mesmo que estivesse em uma cama de hospital por ter apanhado para defender a garota, ela sabia que foi convincente. Só que não era o suficiente.

Ela não estava bêbada, não estava com raiva, estava sendo deliberadamente cruel. As marcas de dedos, os hematomas no pescoço, no braço, na cintura... Tudo desaparecia. Não ficaria nenhuma cicatriz em seu corpo. Em semanas, seria como se nada tivesse acontecido. Porém, era algo que nenhuma das duas esqueceria. Mar não sabia o quão pesado o trauma seria, o quão diferente seria do dela e nem como seria se ela tivesse deixado Henrique e os amigos dele machucarem Ana. Ela só sabia que destruir alguém é o jeito mais fácil a definitivo de se afastar.

Mar era instável, quase uma bomba relógio. Então ela faria Ana ir embora, ela fez Ana ir embora e dessa vez não haveria um caminho de volta. Ela faria Amanda e Simone irem embora.

Mais mentiras contadas, mais promessas quebradas, mais danos feitos. 
Depois de alguns minutos que Ana saiu do quarto, Amanda entrou. A psicóloga olhou para a garota com a cabeça inclinada levemente para o lado, adoravelmente confusa. Ela se aproximou da cama e abraçou a garota, Mar grunhiu baixo, passou os braços ao redor da sua cintura e enfiou o rosto na curva do seu pescoço, respirando fundo e sentindo o cheiro familiar ocupar sua mente. Deixando seu corpo relaxar contra o aperto forte que ela precisava tanto. As mãos de Amanda acariciaram suas costas, movimentos circulares que aqueciam ela de um jeito confortável. Mar não sabia se a psicóloga tinha esse efeito nela porque era uma espécie de dom ou se porque Mar se sentia confortável perto dela. Ela se sentia segura perto dela. Porém, tudo o que Mar queria fazer no momento era ficar ali, sentindo a psicóloga a abraçar como se pudesse juntar

- O que aconteceu? - Sua voz era suave e calma, em um volume baixo que fazia ela soar mais grave. Era uma voz familiar e Mar lembrar que ainda havia alguém que ela não havia machucado. Que ainda havia alguém que ela poderia machucar - Você pode me contar qualquer coisa, eu não vou ir embora.

- Você deveria - a voz dela falhou como se ela estivesse quebrada demais até para falar - Ir embora, você deveria ir embora.

- É mesmo? Você está me segurando como se a sua vida dependesse disso...

- Eu sei - ela sabia que deveria soltar e mandar Amanda ir embora, mas ela só conseguia segurar a garota mais perto e continuar com o rosto enfiado nela, respirando fundo e sentindo como seus músculos relaxavam devagar.

- Então eu não preciso ir embora.

- Amanda...

A psicóloga murmurou shh e beijou sua têmpora. Apertou a garota contra com o máximo de força que podia sem machucar. Mar grunhiu, ela tinha que fazer de uma vez. Se fizesse Amanda ir embora, se a assustasse o suficiente, talvez nem mesmo precisaria tentar afastar Simone. Amanda tentaria manter a garota a salvo.

- Eu machuquei ela - olhou direto para aqueles olhos castanhos que sempre era cheios de empatia e carinho - Eu falei coisas ruins para ela. E eu... Machuquei ela fisicamente - respirou fundo, se afundando ao máximo possível na máscara cruel - Eu a estuprei.

Então ela falou detalhes que Amanda não precisava saber. Sobre como a garota tentou fugir, implorou para ela não continuar e a olhou como se fosse o fim do mundo. Sobre os empurrões inúteis, os soluços do choro e os gemidos de dor de cada estocada forte.

Mar sentiu o aperto forte nos ombros, as mãos de Amanda eram mais fortes do que ela havia pensado e realmente machucavam. E ela não a olhava com medo, como havia imaginado, era mais uma fúria fria crescendo a cada palavras, a cada detalhe da nova destruição de Mar.

Então ela decidiu ir mais longe, eu poderia fazer isso com você, falou e escorregou as mãos da sua cintura, enfiou o indicador entre o jeans e a pele dos dois lados. Lentamente, descrevendo mais detalhes do que ela poderia fazer, ela escorregou as mãos para frente até chegar na fivela do cinto. Como o olhar de Amanda não mudou muito, ela mudou a ameaça para Simone. Primeiro, como ela faria, segundo, como ela se arrependia de não ter deixado Henrique fazer há meses. Ainda não parecia o suficiente para ter alguma resposta, alguma ameaça, somente a fúria fria paralisada que mantinha Amanda perto dela parada como uma estátua.

Ela sequer terminou a frase, no momento em que ela mencionou Julia, o tapa veio com força. Sentiu o gosto de sangue e a dor no pescoço. Também sentiu os dedos no seu queixo, fazendo ela virar o rosto outra vez. O aperto era forte o suficiente para ela sentir as unhas cravadas na sua pele e para não conseguir mover a mandíbula. E ali estava a raiva que ela queria antes. Queimando, ardendo e ameaçadora. Ela podia ver o vermelho subindo pelo pescoço de Amanda, além dos músculos tensos e a respiração pesada.

A psicóloga era racional. A maior parte dela realmente acreditava que Mar não faria nada daquilo, a maior parte do estava lutando para não acreditar Mar havia feito aquilo. E era a parte que continuava no comando na maior parte do tempo... Até qualquer centelha de perigo ser ligada à Julia. Ela não era a irmã perfeita, sabia que não havia cuidado tão bem assim dela durante todo esse tempo, mas ela havia continuado de pé por causa dela.

E ninguém podia ousar tocar em nem um fio de cabelo de Julia sem permissão.

Não importava quem fosse, ameaçar a garota era entrar em uma zona perigosa. Era pedir para se machucar.

Era um momento em que Amanda não se importava com quem era, era o momento em que Amanda era o perigo. Por mais que ela detestasse violência, por mais que ela detestasse o TEI e a sensação que vinha antes de uma crise, ela praticamente deixava vir. Deixava a raiva entrar e entrava nesse ‘modo monstro' onde ela precisava muito se segurar para não esmagar a cara de alguém.

Ela tirou a mão do seu queixo e agarrou seu pescoço.

- Não ouse ameaçar ela, não ouse nem pensar sobre isso - Mar tirou as mãos da fivela do cinto para agarrar o braço, não era a primeira vez que alguém agarrava seu pescoço, mas era diferente. Nunca foi forte assim, sempre foi com a intenção de machucar, mas a sensação ali era que a intenção era ir mais longe que isso - Você se lembra do que eu disse sobre o Henrique? Eu posso fazer o mesmo com você. Eu posso fazer pior. Você disse que ninguém podia ajudar a Ana enquanto você a machucava... E ninguém pode salvar você de mim quando eu precisar acabar com você.

Mar esperava raiva, ódio. Mas não esperava que o jogo virasse tão subitamente. Não esperava que em poucos segundos, Amanda parecesse tão assustadora.

- Eu sei que eu posso ser boa. Eu sou na maior parte do tempo, mas tem uma coisa que você talvez ainda não saiba - tirou a mão que ainda estava no ombro da garota, que estava arranhando seu braço (afinal, fazia dias que ela não podia cortar ou lixa as unhas), e colocou a ponta do dedo indicador contra a própria têmpora - Existe essa parte ruim. Essa parte quebrada que me faz ser pior do que você pode imaginar. Eu vou me arrepender se precisar matar você, eu sei, mas você não vai ver isso se tentar machucar a minha irmã. Entendeu? - Mar assentiu do melhor jeito que podia - Eu estava errada sobre você. E você está errada sobre mim.

 

Amanda a soltou e virou imediatamente, ela podia ouvir Mar gemer e puxar o ar com força, mas ela precisava sair o mais rápido possível. Precisava de um pouco de água fria no rosto para se acalmar, a última vez em que ela teve uma crise tão forte foi no beco naquela noite. Não era só raiva, era algo misturado com instinto protetor que trazia essa parte dela. Era o tipo de coisa que fazia ela achar que era um monstro.

Ela podia matar alguém com as próprias mãos sem hesitar.

 

Notas finais:

Se quiser falar comigo, venha no Twitter 

 

(também há o Facebook, mas eu uso mais Twitter e Tumblr 



Comentários


Nome: rhina (Assinado) · Data: 14/07/2017 15:05 · Para: 19. Está no Sangue

 

Marisa perdendo todos.....pior .....se perdendo

porque Mar???? Machucar....sempre machucar....

a vida pode ser mais Do que isso...

ainda que no passado pessoas ferraram com sua vida.....

VOCÊ é diferente. ..

VOCÊ merece o melhor 

VOCÊ NÃO É A CULPADA PELO SEU PASSADO E SIM A VÍTIMA 

sei que são muitas emoções. ...sentimentos. ...

ainda tenho fé em vc.

capítulo maravilhoso 

rhina



Resposta do autor:

É uma espécie de reação quase natural a tudo que ela passou e a quem ela (pensa que) é

Obrigada



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