A vida no mundo perdido [em hiatus] por Senhorita Charlie


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Sexta-feira, 09 de dezembro de 2016

 

O sangue sujou suas mãos, sua camisa, todos os lugares enquanto ela sacudia a garota desesperadamente. Não, não, por favor, não. Era quente, vermelho, e ela odiava. Ela odiava a sensação com todas as forças. O líquido rubro sujou a pele pálida quando ela usou dois dedos para procurar a pulsação no pescoço dela. Grunhiu quando não encontrou a pulsação, a garota não respirava. Você não pode me abandonar!

Sua garganta queimou com o grito.

Mar se sentou tão rápido que se sentiu tonta. A sala era escura, o sofá era confortável, ela ainda não tinha percebido onde estava e nem que era somente um pesadelo quando sentiu os braços ao redor dos seus ombros puxando ela para um abraço. O cheiro de alfazema encheu o seu nariz, era familiar. Suas mãos estavam tremendo – o seu corpo estava tremendo – quando ela agarrou Amanda. Ouviu a voz baixinho no seu ouvido.

— Ei, calma, foi só um sonho ruim — sentiu que a psicóloga começou a acariciar suas costas com uma das mãos — Está tudo bem.

Amanda continuou murmurando que tudo ficaria bem, que era só um sonho ruim, sentiu os braços se apertando ao seu redor e as pontas dos dedos machucando um pouco sua pele pela força da garota.

— Vem aqui — Amanda levantou e puxou ela junto — Dizem que dançar um pouco com alguém que se importa com você pode ajudar a se sentir melhor.

— Dizem? — Ela ergueu as sobrancelhas.

— Nope, mas eu tenho essa impressão.

— E que música vamos dançar?

— Hm...

— Você pode cantar alguma?

— Se você quiser. Vai te fazer se sentir melhor?

Mar assentiu, claro que aquilo faria ela se sentir melhor. Ela sentia que aquela amizade era simplesmente a melhor coisa que aconteceu na sua vida, ela não sabia que podia se sentir assim. Se sentir protegida daquele jeito. Amanda puxou seus pulsos para que Mar ficasse com os braços ao redor do seu pescoço, a psicóloga passou os braços pela sua cintura e começou a cantar baixinho:

Eu sei que lá no fundo

Há tanta beleza no mundo

Eu só queria enxergar

As tardes de domingo

O dia me sorrindo

Eu só queria enxergar

Qualquer coisa para domar

O peito em fogo

Algo pra justificar

Uma vida morna

Amanda acariciou suas costas lentamente, ela sabia que isso costumava funcionar. A sala estava escura, não tão quente quanto poderia estar. Então ela percebeu que poderia estapear Julia, como a garota podia ter uma irmã como a Amanda e ser tão filha da puta? No fundo, bem no fundo, ela sabia que se Julia não tivesse aparecido, Mar não teria aparecido na casa de Simone e a garota estaria morta naquele momento.

O que mais atormentava Mar era saber que ela poderia ter chego tarde demais, mais alguns minutos e ela nunca se perdoaria.

O mundo acaba hoje e eu estarei dançando

Repetiu e repetiu, tantas vezes quanto estava na letra. Mar puxou ela com mais força, comais vontade, escondeu o rosto no pescoço de Amanda. O cheiro era familiar, o calor e o corpo macio também era familiar. E Mar gostava de ter algo familiar, algo importante para se segurar. Ela não conseguia não se sentir orgulhosa do quanto Amanda era forte, não conseguia deixar de ficar feliz, mesmo que a situação não estivesse boa, por Simone e Amanda estarem um pouco mais próximas.

Não esqueço aquela esquina

A graça da menina

Eu só queria enxergar

Por isso eu me entrego

À um imediatismo sego

Pronta para o mundo acabar

Você acredita no depois?

Prefiro o agora

Se no fim formos só nos dois

Que seja lá fora

O mundo acaba hoje e eu estarei dançando

Diminuíram lentamente até Amanda sentar no sofá e puxar Mar, que sentou ao seu lado e se encolheu contra ela. Não era a posição mais confortável do mundo, mas era melhor do que deitar sozinha no sofá, com medo de cair em outro pesadelo. Sentiu Amanda acariciar o seu cabelo, os dedos passando delicadamente pelos fios vermelhos, enrolando uma ou outra mecha com o dedo indicador. Amanda continuou até que Mar respirasse mais devagar, relaxasse e dormisse no seu colo. Ela não se levantou, não queria se afastar. Considerando o quanto ela sabia que Mar nunca teve a vida mais fácil do mundo, Amanda não tinha coragem de tentar incomodar os sonhos tranquilo.

O mundo acaba hoje e eu estarei dançando com você.

 

Segunda-feira, 11 de dezembro de 2016

Simone precisou argumentar por 45 minutos para convencer Amanda que não tinha problema algum em ela comer dentro do quarto, mesmo na hora do almoço, quando Simone tinha que comer a comida sem gosto do hospital e a psicóloga tinha alguma comida teimosa. Mas, no final, a teimosia adolescente ganhou e Amanda estava acompanhando ela. Enquanto Simone estava terminando de comer lentamente aquela comida pastosa, Amanda estava raspando o fundo da bandeja de lasanha.

A caixa dizia "serve à duas pessoas" e ainda estava absolutamente quente quando Amanda estava no final da porção. Ela já havia bebido uma garrafa de 600ml de coca e estava na metade de uma (do mesmo tamanho) de Fanta Laranja. E Simone não sabia, mas ela havia bebido um copo cheio de refresco de laranja com acerola e uma barrinha de KitKat enquanto esperava os 13 minutos para a lasanha esquentar.

Amanda estava na cadeira de plástico não muito confortável, a garrafa entre as coxas (o que molhava um pouco o jeans preto que ela estava usando), a bandeja equilibrada sobre os dedos de um jeito que fazia Simone se perguntar como isso não caía. Em circunstâncias normal, Simone estaria babando pelo modo como o jeans era apertando e reclamaria por Amanda fechar a camisa xadrez vermelha até quase o pescoço (camisa essa que Simone tinha 90% de certeza de que era de Mar – e ela estava certa – mas não sabia porque Amanda estava com ela).

— O que foi? — Amanda perguntou antes de enfiar o último bocado de lasanha na boca, Simone estava sorrindo levemente para ela.

— Nada, só... Você é uma esfomeada.

— Eu gosto de comer — respondeu depois de engolir.

— Eu sei... Às vezes eu tinha a impressão de que... — Simone começou a corar. Amanda achava adorável como Simone corava às vezes, mas a visão dela corando enquanto estava frágil era ainda melhor, quase como se estivesse tudo bem.

— Impressão de que?

— Sabe... Que você gostava mais de comer do que de ficar comigo.

— Mas eu amo ficar contigo.

— Não... Estou dizendo: mais de comer comida do que de me comer — foi a vez de Amanda corar, o vermelho em um tom que parecia que todo o seu sangue se concentrou na parte visível pelo decote, pelo pescoço e pelo rosto até a testa.

— M-mais eu g-gosto. Dos dois. Eu gosto dos d-dois.

— Você acabou de gaguejar?

— Uhum. Eu... Eu preciso jogar isso fora.

Amanda saiu do quarto rapidamente, Simone sabia que Amanda não era o tipo que gostava de falar de sexo. A mulher costumava ficar corada, fugir do assunto, Simone nunca consegui ter uma daquelas conversas que podiam deixar ela molhada. Tinha certeza que ela só já viu alguns vídeos pornôs porque Julia havia insistido nas "aulas", afinal, ela não podia ensinar a irmã na prática, tentava na teoria e mostrando algum conteúdo "didático". Amanda havia contado, vermelha como um pimentão, que não ficava nem um pouco excitada com aquilo e sim tão embaraçada e enfiava o rosto onde podia: o colo de Julia, um travesseiro, o cobertor, as próprias mãos.

Mas não era sua vergonha em falar de sexo que fez Amanda fugir dali. Era simples: Mar estava certa, ela só tinha vontade depois de sentir algo. E algo forte. Mesmo depois de beijar Simone e perceber que estava apaixonada pela garota, ela demorou mais um tempo para sentir alguma vontade que suficiente para deixar ela excitada. Não que os beijos molhados de Simone e as mordidas em seu pescoço, o modo como ela ficava a psicóloga para perto, só não deixava ela pulando de tesão. Com vontade, mas não o suficiente para querer que as duas chegassem no "próximo nível". Foram meses e muitos "gelos" dados para que Amanda finalmente chegasse no nível em que ela sentia um tanto de calor apenas em pensar na garota.

Isso a aterrorizava.

Não porque naquele momento ela não sentia o fogo, se Simone beijasse ela daquele jeito, o jeito favorito da garota: os dedos enfiados no cabelo castanho e a outra mão agarrando seu ombro ou sua cintura. Ela conseguiria empurrar com tanta facilidade quanto antes, sem frustração. Ela entendia o porquê, Simone estava frágil demais para Amanda pensar em se tocarem. O que a aterrorizava era saber que precisava sentir algo forte. Algo que a bebida não dava a ela.

Amanda foi para o banheiro, molhou o rosto e se escondeu em um cubículo do banheiro sentada sobre a tampa abaixada do vaso. Apoiou os cotovelos nas coxas e escondeu o rosto nas mãos.

— Merda, merda, merda...

Amanda nunca se apaixonou por Simone.

Veio devagar, crescendo como uma árvore, e a semente foi plantada quando a garota aceitou o "eu, você é bonecos de ação". Foi um "slowburn", lento, se aquecendo devagar até que Amanda murmurasse "eu te amo" tão baixo que a garota em seus braços nunca ouvisse. Ela demorou semanas para beijar Simone, demorou meses para que tivessem a primeira vez e quebrou todas as vezes em que uma machucou a outra, mesmo quando era uma mágoa quase infantil. Simone se apaixonou como a explosão de uma bomba, Amanda começou a amar como uma vela queimando lentamente.

E ela conhecia a explosão: foi o que ela sentiu com Clara.

Amanda grunhiu, ela não queria pensar naquilo. Pelo menos não enquanto Simone estava longe do seu estado normal (mesmo que ela parecesse bem melhor do que quando Amanda voltou, afinal, argumentar daquele jeito lembrava muito a garota que ela conheceu). Ela respirou fundo, tão fundo que sentiu seu pulmão arder pela quantidade de ar, e soltou em uma velocidade torturantemente lenta. Levantou e se espreguiçou com vontade. Ela jogou mais água fria no rosto, passando os dedos pelo cabelo, o soltando um pouco, depois prendeu novamente. Ela voltou para o quarto e se jogou na cadeira, a cabeça para trás e os olhos fechados.

— Você vai sempre tentar fugir quando eu falo de sexo?

—  Eu não me sinto muito confortável falando sobre sexo.

— Por que?

— Eu só não me sinto confortável, você já deveria saber disso.

— Eu sei...

— E isso te incomoda muito? — Amanda olhou para ela com as sobrancelhas erguidas.

— Só é... só é estranho.

— E você só decidiu me dizer isso agora? — Amanda revirou os olhos — Nem todo mundo é tão ninfomaníaco quanto você.

— Eu não sou ninfomaníaca. Eu só precisei esperar meses para transar com você!

Amanda levantou: — Okay, então por que você me quer aqui? Se te incomoda tanto o fato de que não eu não sou tão sexual quanto você. Se você não sentiu minha falta, ou se importa comigo, então por que? Por que?

— Não é assim…

— Claro que é — ela grunhiu.

— Não, não é! — Simone se empurrou um pouco para trás para se sentar — Só é... só é complicado....

— Me diga porque é complicado.

— Porque... porque é um pouco complicado mostrar o quanto você se importa com alguém quando você mal se importa consigo mesma.

— E por que você não se importa.

— Eu acho que você pode imaginar — Amanda grunhiu — Você pode cantar?

Amanda assentiu, mas ela não conseguia pensar em nenhuma música que fosse feliz, suave ou delicada. Ela se curvou para frente, um braço apoiado na cama e o queixo apoiado nas costas da mão.

I miss crying over you

I miss lying ‘bout wanting someone new

Feeling less means hurting less

But it ain’t the same without pain

Amanda fez desenhos circulares pelas bandagens no braço da garota. Ela não gostava da sensação daquilo sob o seu dedo, não gostava de imaginar a pele ferida, as cicatrizes e muito menos como Mar encontrou a garota sangrando.

I want you to hurt me harder

I need you to hurt me harder

I want you to love me bad

Lead me on ‘till I go mad

Be the worst I ever had

I want you to hurt me harder

Simone engoliu seco, ela entendia a música. Não só por estar tão acostumada a ouvir músicas em inglês e entendia a letra. Mas sim porque ela conseguia entender como era uma música, hm... masoquista.

So fuck me on the bathroom floor

And I’ll pretend that I don’t love you no more

I’m too lucid and you’re too vague

I want you inside of me like a plague

Mesmo que não fosse

I want you to hurt me harder

I need you to hurt me harder

I want you to love me bad

Lead me on ‘till I go mad

Be the worst I ever had

I want you to hurt me harder

O refrão era incomodo. Simone sabia o quanto as músicas que Amanda escolhia costumavam refletir o que ela estava pensando, o que ela estava sentindo.

I’m in pursuit in the pursuit of self-inflicted misery

I need a sadist and you are the epitome

Strike me with your words, beat me with your lies

Hit me with your unlove, smile while I cry, cry

I need you to hurt me, baby

Amanda cantou os três últimos versos baixinho, rouca, quase dolorida demais.

— Eu preciso ir — ela murmurou depois de engolir seco.

— Amanda... — segurou sua manga e puxou..

— Eu não quero que você me machuque — murmurou, beijou sua testa — Mas eu não posso impedir se você me machucar.

Sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Mar nunca gostou das aulas de reposição, aulas durante o terceiro turno eram cansativas, entediantes e o pior: terminavam tarde. Ela não gostava de estar dentro do colégio as quase nove da noite. E o pior: ela estava apanhando.

Mar sabia que isso aconteceria no momento em que conseguiu agarrar a camisa de Henrique e puxar ele para trás. Ela não saberia dizer o que fez ela subir um lance de escadas, até o quinto andar, em vez de descer. Ela sabia que Ana provavelmente estaria lá, a garota sempre saia um pouco depois do professor para evitar se encontrar com Mar na saída. Então ela subiu para ‘conferir’, quase como um instinto – quase o mesmo que ela sentiu antes.

Ela odiava Henrique com todas as forças, naquele momento, ela definitivamente o mataria somente com as mãos. Ela desejava que Amanda tivesse feito isso no Baile de Primavera. Ela havia sentido quase aquilo quando voltou pelo livro meses antes, mas agora era diferente.

Ele estava tentando machucar Ana.

E ela era capaz de matar qualquer um que ousasse pensar em machucar a garota.

Ana havia feito o que ela pediu, corra, conseguiu dizer enquanto caia de joelhos, corra, por favor. Foi por pouco, muito pouco. Mar havia impedido que Henrique machucasse Simone. Mas dessa vez ele não estava sozinho. Estava com o garoto que aparentemente era o melhor amigo dele e um novato. Nenhum dos outros dois porque Henrique mandou que segurassem Mar.

Ela sentia as mãos fortes agarrando seu braço, ficaria marcado – caso ela saísse daquela situação. E ela não tinha muita esperança de que eles ficariam só com os socos os chutes, afinal, ela literalmente interrompeu a diversão pervertida dele. Soltem. Henrique mandou, ele sorria como se fosse a coisa mais divertida do dia. O gosto de sangue era enjoativo, a dor era sufocante, mas não era a primeira vez que ela sentia aquilo. Os chutes de Henrique eram fortes, ela sabia que definitivamente algum osso seria quebrado. Os outros dois garotos pareciam mais escravos do que quem queria bater.

O novato conferiu o corredor e viu dois professores e dois guardas municipais se aproximando da sala. Merda.

— Estão vindo — ele engoliu seco, Henrique olhou para ele, os punhos cerrados e a respiração acelerada — Fudeu.

Era a última sala do corredor, não havia como escapar. Apesar de toda a raiva e de Henrique tentar lutar, os dois guardas e o professor mais alto – ele lecionava filosofia para o segundo e terceiro ano, agarraram os garotos. O segundo professor, ele dava aulas de biologia para o primeiro ano, por isso ele conhecia aquela garota. Ele se ajoelhou ao seu lado e tentou ajudar ela a levantar.

Ela cuspiu sangue e tentou evitar jogar uma parte do próprio peso no homem, mas todo o seu corpo doía e não era fácil se mover assim. Ela não sabia se era somente a dor física, se era porque isso lembrava ela demais sobre quando foi expulsa de casa. Tinha quase certeza que tinha mais de uma costela quebrada. Descer as escadas até o segundo andar só fez a dor aumentar, aumentar praticamente exponencialmente a cada degrau. O professor deixou ela sentar no banco acolchoado nada confortável que tinha na sala do lado de fora da diretoria. Henrique e os garotos estavam na “sala de vidro” com os dois guardas e o coordenador.

— Você sabe que precisamos levar ela para o hospital e chamar a mochila.

— Eu sei — a diretora respondeu e andou até a sala e parou na frente da garota — Você se meteu em uma roubada.

— Uhum.

— Primeiro, vamos fazer você ter algum atendimento médico, depois nós resolvemos outras coisas.

Mar assentiu e continuou de olhos fechados, se concentrando em respirar. Ela esperava que seu primo não ficasse irritado por ela ter se metido em briga. Definitivamente apanhar não era seus planos para sexta a noite.

Domingo, 22 de novembro de 2015

Simone não se considerava a garota mais criativa do mundo então, obviamente, o seu encontro com Amanda seria perto de casa, em um lugar que conhecia bem: o shopping. Ela precisava mudar onde os encontros aconteciam. Seria algo simples, nada realmente romântico (afinal, um shopping na zona norte não é exatamente o destino de alguém que quer um encontro romântico). Só comer algo, conversar um pouco e beijar tanto que elas pareceriam coladas.

Ela vestiu o jeans que aparentemente fazia sua bunda parecer praticamente irresistível, pelo menos Amanda costumava escorregar a mão até enfiar no bolso traseiro toda vez que ela usava um jeans apertado como aquele e Simone adorava isso. Ela se enfiou na camisa branca e azul com o brasão da Corvinal. Ela não conseguia deixar de sorrir levemente por imaginar que Amanda definitivamente seria Lufa-Lufa (Lucas também seria). E talvez Julia fosse Sonserina. Simone não fazia ideia do porquê de estar imaginando em que casa de Hogwarts cada uma ficaria.

Era exatamente meio-dia quando Amanda tocou a campainha. Fofa como sempre, ela simplesmente ficava adorável com jeans e uma camisa social, as mangas dobradas até os cotovelos. Simone não resistiu em sorrir como uma boba apaixonada quando viu a mulher.

— Então, para onde nós vamos, meu amor?

— Shopping, como sempre.

— Você não é muito criativa para encontros...

— Você me deixou escolher, não reclame.

Simone riu baixo quando Amanda a abraçou e beijou sua têmpora, ela nunca foi o tipo de pessoa que amava abraços, mas ela nunca conseguiria negar abraços para seu pai ou para Amanda. Mas quem negaria um abraço a Amanda?

A psicóloga puxou ela para o carro e abriu a porta do carona, deixou a garota entrar e se enfiou para colocar o sinto. Em poucos minutos, Amanda estava procurando alguma vaga no estacionamento. Depois de achar um espaço com a lâmpada verde, elas saíram do carro. Como estava um calor quase infernal, foi um alívio entrar no shopping em si. Elas foram direto para a praça de alimentação, a psicóloga arrastou a garota imediatamente para o ‘restaurante’ favorito dela.

Massas, molhos e carne, ela adorava comida. Simone também adorava comida, mas a psicóloga sempre ficava mais animada com comida do que ela. Depois de um certo tempo, elas voltaram para uma das poucas mesas com suas bandejas.

O cheiro do molho deixou Amanda praticamente salivando, ela não reclamou quando Simone pegou o seu potinho de queijo ralado e colocou no próprio prato. Amanda nem mesmo abriu a coca antes de encher o garfo com um bocado de Nhoque e enfiou na boca, com cuidado de sujara camisa com o molho.

— Você é muito esfomeada...

— Uhum.

Simone riu e observou a namorada enfiar mais comida na boca. Claro que ela mesma preferia um sanduíche gordo e ‘saudável” do Bob’s do que aquela comida, mas não era ela que estava pagando e ela realmente gostava de ver a mulher aproveitando a comida.

Depois de rasparem o prato, Amanda entrou na fila para comprar sundae. Simone colocou a mão no seu braço e escorregou até entrelaçar os dedos. Ela apoiou o queixo no seu ombro enquanto andavam. A mulher comprou só um sundae porque a garota já estava cheia de comida. Elas caminharam lentamente pelo shopping, conversando enquanto a psicóloga comia.

 

Não era um grande encontro, era simples. Mas, para Simone, tudo com Amanda era especial.

Notas finais:

* O título veio da ideia da música "The Great Divide", "A Grande Divisão" ficaria estranho. Eu estou meio apaixonada por essa música e uma parte dela combina perfeitamente, em português é algo do tipo: É engraçado como a história acaba em um instante, como algo tão próximo pode acabar tão distante. 

E tem outro trecho: Lavo as minhas mãos, viro as minhas costas, eu não preciso das mémórias que nós tínhamos, eu estou te deixando para trás.

* As músicas são: Dançando - Agridoce e Hurt Me Harder - Zolita (e só para constar: na minha mente, a Amanda tem um sotaque adorável, okay? Ela ainda está falando um pouco 'estranho', sem o sotaque carioca - que, claro, para o meu ouvido é: sem sotaque. Mas eu sei que todo mundo tem sotaque, mas que ninguém percebe o próprio. Então, ela cantando em inglês tem um sotaque puxa o 's' que é uma beleza)

* Eu já adicionei ambas na playlist do livro lá no Spotify.

* A maior parte das músicas estão lá porque eu gosto, mas provavelmente vou fazer outra só com as que realmente são cantadas dentro do livro.

* Não me pergunte como a Amanda conhece essas músicas, eu imagino ela no Spotify catando por qualquer coisa para ouvir e dando de cara nessas músicas - foi assim que eu dei de cara com elas.

* Se olharem as minhas playlists, vocês notarão que eu sou a pessoa que coloca Marilyn Manson e Demi Lovato na mesma playlist.

* Se acharem muito chato ler a letra, eu posso colocar só a primeira frase e deixar implicíto que ela pode ter cantado só uma parte ou a música inteira. Eu vou entender se acharem um tédio ler mais do que já leem.

* E não, esse flashback no final não era necessário, mas é que eu escrevi uma coisa fofa e decidi colocar para lembrar que nem tudo está perdido ou acabado.

 

> E só para quem não vai procurar a tradução, aqui uma tradução livre, não muito ao pé da letra, afinal, "harder" significa literalmente "mais difícil" e a tradução muda com o contexto. Afinal, "fuck me harder" não é "me foda mais difícil", uh?:

 

Eu sinto falta de chorar sobre você

Eu sinto falta de mentir sobre querer alguém novo

Sentir menos significa doer menos

Mas isso não é o mesmo sem dor

 

Eu quero que você me machuque mais

Eu preciso que  você me machuque mais

E quero que você me ame mal

Me conduza a loucura

Seja o pior que eu já tive

Eu quero que você me machuque

 

Então me foda no chão do banheiro

E eu vou fingir que eu não te amo mais

Eu sou muito lucída e você é muito vaga

Eu quero você dentro de mim como uma praga

 

— o refrão que não vou repetir - 

 

Eu estou em busca de sofrimento auto-infligido

Preciso de uma sádica e você é a epítome

Me ataque com as suas palavra, me bata com as suas mentiras

Me bata com o seu não-amor, sorria enquanto eu choro

Eu preciso que você me machuque, querida




Comentários


Nome: rhina (Assinado) · Data: 13/07/2017 22:50 · Para: 14. A Grande Quebra

 

Simone. ...Amanda

Mar. ....Júlia. ...

Ana. ...Clara. ...

personagens que amo....cada uma e suas respetivas histórias. ..

traumas....conflitos. ...amores....medos. ...

Mar  e Júlia. ...me encanta. ...o que elas tiveram....o que 

não tiveram....e o que tem mas negam

que capítulo. ....Amanda transação com Clara. ...em tempo

recorde....o que isso acrescenta na definição da Amanda?

Rhina



Resposta do autor:

Personagens demais para alguém que não consegue lidar com a escrita de tudo isso, mas eu tento.

O que elas tiveram, o que tem e o que poderiam ter é só especulação demais

É uma coisa que vai mudar tudo



Nome: Cristine (Assinado) · Data: 10/06/2017 17:27 · Para: 14. A Grande Quebra
Eu acompanho as suas histórias a um tempo e às acho bastante interessante, especialmente essa.

Bom... eu sei que é meu primeiro comentário aqui, mas humildemete peço para que você poste logo o próximo capítulo monamour... Não aguento de tanta ansiedade. OMG!

kkkj

BJSS até!


Nome: Kihl (Assinado) · Data: 14/05/2017 23:40 · Para: 14. A Grande Quebra

Contando os dias pro próximo capítulo... Muito ansiosa pelo final desse livro e torcendo por Amanda e Simone com um final feliz juntas...



Resposta do autor:

(Desculpa toda essa demora para responder, culpa dos problemas usuais e logo devo postar os capítulos atrasados). Eu prometo um final pelo menos relativamente feliz. 



Nome: Mel24 (Assinado) · Data: 09/05/2017 05:07 · Para: 14. A Grande Quebra

Oh meu Deus... apaixonada por essa historia. Estou torcendo por um final feliz de Amanda e Simone por favor não me decepcione...rs Até o próximo capítulo, ansiosa =)



Resposta do autor:

(Desculpa toda essa demora para responder, culpa dos problemas usuais e logo devo postar os capítulos atrasados) oi, isso é ótimo <3 eu prometo pelo menos um final relativamente feliz ^^



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