A vida no mundo perdido [em hiatus] por Senhorita Charlie


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Quinta-feira, 01 de dezembro de 2016

Amanda estava deitada com o rosto enfiado no sofá, os braços dormentes debaixo do corpo, tinha quase certeza de que ficariam pequenas marcas de sangue no sofá. Como era natural, ela havia se culpado a ponto de ficar com raiva o suficiente para uma crise. Poderia ter quebrado o espelho do banheiro, mas as paredes foram o suficiente para os seus socos que arrancavam sangue se suas próprias mãos.

Ela se sentia entorpecida o suficiente para os machucados não doerem. Se perguntava o quanto de culpa ela tinha no que aconteceu. Sentiu o sofá afundar, também sentiu o cheiro do sabonete que ela usava. A mulher ainda estava com os cabelos e a pele levemente úmida quando se sentou no sofá.

- Você quer voltar, não é?

- Eu não posso, você sabe que eu não posso voltar.

- Você não pode ou você tem medo de voltar?

Amanda suspirou e enfiou mais o rosto na almofada. Sua cabeça latejava e a luz incomodava, mas ela não queria se levantar e ir apagar para mergulhar em uma escuridão confortável. Ela tinha medo de voltar, medo do quanto Julia a odiaria e de como Simone reagiria (e provavelmente a rejeitaria). Ela tinha quase certeza de que a única pessoa que ficaria feliz com sua volta seria Mar.

Ela pensou que o clima entre elas ficaria um tanto estranho, mas não ficou, o que era muito bom. E era bom porque Clara parecia se importar, parecia querer ajudar pelo altruísmo. O que fazia elas ainda mais parecidas. A psicóloga podia sentir o calor da sua mão em suas costas, era um toque confortante e delicado.

- Eu tenho a impressão de que você sente medo todo o tempo, eu só não sei do que você tem tanto medo.

- É complicado.

- Meu trabalho é lidar com pessoas complicadas.

- Eu sei...

Amanda respirou fundo, ela levantou e se sentou. Clara segurou seu pulso direito e puxou para si, Amanda não mexeu os dedos porque ardiam. Clara levantou e puxou a psicóloga em direção ao banheiro, ela abriu a torneira e, com toda delicadeza possível, puxou as mãos para baixo da água e limpou o sangue.

- TEI - Amanda falou baixo - É o que há de errado comigo.

- Não tem nada de errado com isso, é só parte de quem você é.

- Mas machuca as pessoas.

- As pessoas naturalmente machucam as outras. Agora vem aqui, vou fazer algo para você comer. E vou comprar as suas passagens.

- Mas...

- Caladinha, você tem que resolver a sua vida por lá, não acha? Eu resolvo com o chefe, você resolve com a sua família.

 

Sexta-feira, 02 de dezembro de 2016

Mar estava com os braços cruzados e encostada no poste, já era um pouco mais de nove da noite. Era uma noite quente, afinal, estavam quase no verão. Ela sabia o horário de saída de Patrícia e exatamente por isso ela estava ali. Ela sentia uma raiva quase irracional da mulher. Ela era a maldita mãe de Simone, por que ela deixou isso acontecer? Ou pior, por que ela não se importava que sua filha estava no hospital por rasgar a própria pele? Mar havia reparado que o rosto de Simone estava machucado.

Mar tinha um péssimo histórico familiar e isso fazia ela odiar Patrícia com tudo que ela podia.

Patrícia se enfiou no carro, mas ela sequer teve tempo de enfiar a chave no lugar, afinal, Mar agarrou a parte de trás do seu blazer e a puxou para fora. Mar era muito longe de ser delicada, o som do baque das costas de Patrícia contra o carro faria qualquer um se encolher de nervoso.

- Você deveria ao menos fingir que se importa

- E você não deveria tentar me dizer como eu deveria agir com a minha filha.

- Que por acaso você esqueceu da existência por dezesseis anos, muito conveniente.

- O que eu fiz e deixei de fazer não é da sua conta.

- É sua filha, sua filha duma puta. É a porra da sua filha.

- É a minha filha, não a sua.

- Mas pelo menos eu me importo!

- Como se o que ela fez fosse algo importante, é só palhaçada, ela só quer chamar atenção!

O punho cerrado de Mar acertou seu maxilar com força, Mar sentiu um certo prazer quando a dor leve atingiu seus dedos. Então socou outra e outra vez, Patrícia cuspiu sangue. Mar definitivamente gostou do medo nos olhos escuros da mulher, gostou de como isso machucava a mulher. Apesar de não gostar de como ela tinha essa tendência gigantesca a ser violenta, mas parecia menos ruim quando a outra pessoa realmente merecia de uma sacudida.

- Se você tentar manter a Simone de mim, ah, é melhor você rezar para todos os deuses do mundo para que eu não mate você.

 

Sábado, 03 de dezembro de 2016

Mar parecia um cachorrinho feliz - dava para imaginar ela com um rabo se balançando animadamente, quando viu Amanda aparecer. O voo atrasou, isso deixou ela mais ansiosa. E, naturalmente, mais aliviada quando finalmente pode passar os braços ao redor da mulher e levantá-la em um abraço empolgado. Amanda grunhiu de dor pela força do abraço, mas não era ruim, ela gostou de ter alguém tão feliz com a sua volta.

Já era quase onze da noite quando finalmente entraram no apartamento. Julia - como era previsível - não apareceu e sequer deu algum sinal de vida. Na verdade, Mar não conseguia falar com ela desde o dia em que foram para a casa de Simone. Mas Mar não queria pensar sobre aquilo. Doía de um jeito infernal. Amanda deixou as malas em um canto da sala, reparou como Mar parecia nervosa, sabia que uma ou duas doses de alguma bebida poderiam acalmar ela, gesticulou em direção ao lugar onde deixava algumas garrafas.

- Fique a vontade, Marisa.

Mar abriu a garrafa e encheu o copo com o rum, ela não sabia muito bem porque Amanda tinha algumas garrafas de bebida, já que sabia que a psicóloga não era o tipo de pessoa que bebia tanto assim. Mas é claro que ela não reclamaria disso, sentou na poltrona e bebeu um gole. Bebidas alcoólicas nunca tem o melhor gosto do mundo, mas aquela tinha um sabor muito melhor do que Mar estava acostumada

- Sabe o que é pior? - Mar murmurou.

- Não...

- Eu deveria ter notado que ela estava mentindo.

- Não é culpa sua - Amanda levantou - Vou fazer pipoca e vamos assistir um filme, podemos conversar sobre isso depois, okay?

Mar assentiu, ela não queria falar sobre isso. Ela não queria conversar sobre como era culpa dela. As pontas dos seus dedos ainda estavam levemente sensíveis pela força com que ela arrastou elas pela escova dura, tanta força que havia conseguido arrancar sangue. Se fechasse os olhos e deixasse sua mente viajar, ela praticamente sentia o sangue quente nas mãos. Ela havia amarrado as roupas em uma sacola, enchido de álcool e colocado fogo no beco perto de onde morava.

Amanda voltou com um pote enorme cheio de pipoca quentinha e com cheiro de manteiga, uma garrafa de dois litros de Fanta Uva debaixo do braço e um par de copos. A psicóloga sentou ao seu lado e colocou um filme para assistirem, Mar olhou para ela por alguns minutos antes de falar baixo.

- Eu nunca tive isso, sabia?

- "Netflix and chill"?

- É... é que você é tão legal comigo. É quase como... é quase como se eu fosse especial.

- Eu vou mandar você calar a boca agora - Amanda falou com uma mão cheia de pipoca a meio caminho da sua boca. - Não é porque eu tento ser gentil com todo mundo que significa que você não é especial. Claro que você é especial.

- Você perdoou até a sua tia.

- Eu não deveria?

- Eu não falei isso... você dá uma nova chance para todo mundo. Quem mais faz isso?

- A Ana te deu uma chance.

- E eu machuquei ela.

- Ela não te machucou também? Quando ela foi pra cama com a Simone?

- Eu só queria que a primeira vez dela fosse especial.

- Não acha que a virgindade é algo muito superestimado?

- Falou a mulher que era virgem até os 27 anos.

- Eu não tive tempo. Ou oportunidade.

- Você namorou um cara por meses. E vocês se gostaram por cinco anos antes disso.

- Hm - Amanda corou e enfiou um bocado de pipocas na boca.

- Amanda?

- Hm?

- Você está corada.

- Uhum.

- Você, hm, nunca quis transar com ele? Ou com qualquer um?

- Vamos discutir a minha vida sexual tardia?

- Não é tardia - Amanda ergueu as sobrancelhas - O que? Não é tarde se foi quando você quis.

- É só que...

- É só que o que? A psicologia diz que tem idade para isso.

- Não, não exatamente.

- Então? Ninguém é obrigado a perder a virgindade dentro da "idade aceitável" só porque e o que costuma acontecer. Eu duvido que você tenha contado para a Simone que você era virgem.

- Claro que eu não contei.

- Por que?

- Provavelmente ela riria da minha cara.

- Não.

- Você não riria?

- Não, eu acharia adorável. E impressionante. Eu tenho vinte anos e as vezes penso demais sobre sexo, como você chegou até quase os trinta sem nunca fazer?

- Eu disse: não tive tempo ou oportunidade.

- Eu acho que você não teve vontade. Vamos, não é mais fácil admitir isso? Não é como se essa porra fosse errada.

- Está bem, está bem, eu nunca tive vontade.

- E você precisa ter sentimentos para isso?

- Acho que sim.

Mar viu Amanda enfiar mais pipoca na boca. Amanda ficava adorável com as bochechas estufadas como um esquilo enquanto ela tentava colocar mais e mais comida para dentro. Mar encheu o copo com mais Fanta Uva - afinal, ela não queria ficar bêbada e decidiu acompanhar a psicóloga no refrigerante. Ela precisa de sentimentos para sentir algum tesão, isso é muito adorável. Amanda Puppy Borges. Oh... Mar não conseguiu segurar e cuspiu todo o refrigerante quando a ideia de que Amanda precisava de sentimentos, de sentimentos românticos, para transar com alguém realmente penetrou na sua mente.

Julia provavelmente a esquartejaria com todo aquele líquido roxo no tapete branco.

- Oh, puta merda - Amanda grunhiu enquanto engolia as pipocas - O que foi?

- Você precisa de sentimentos...

- Eu preciso de um pano para limpar essa sujeira, isso sim - Amanda levantou, Mar agarrou seu pulso - Ei!

- Você ainda não entendeu?

- Entendi o que?

- Quem foi a última pessoa com quem você transou? - Amanda abriu e fechou a boca algumas vezes antes de grunhir.

- Eu estava bêbada.

- Aham, só bêbada? Quantas vezes você já esteve bêbada e sozinha com Arthur?

- Algumas vezes.... eu não tenho sentimentos pela Clara, ela só é legal e... e é isso. Ela é legal.

- Amanda?

- Nope. Sem sentimentos. Eu a-

- Você ama a Simone, yeah, eu sei. Claro que você ama a Simone, eu não estou duvidando disso. Sabia que você pode amar alguém e se apaixonar por outra pessoa? - Amanda a olhou com as sobrancelhas erguidas, ela não precisava falar algo para que Mar soubesse o que ela estava pensando - Não, eu não estou apaixonada pela sua irmã... eu acho, pelo menos.

- Como você pode não saber se está ou não apaixonada?

- Você não é o maior exemplo de alguém que sabe o que realmente sente.

Amanda grunhiu e se jogou no sofá, ela pegou o pote de pipoca e voltou a comer. Mar suspirou e se jogou no sofá ao seu lado.

Mar definitivamente não estava acostumada a isso, não daquele jeito. Com Ana, elas acabavam se beijando e deixando o filme de lado. Com Simone, a garota acabava dormindo e Mar levava ela para a cama. Com Julia, antes de quebrar o coração da garota, acabavam transando no sofá. Com Amanda era diferente, era simplesmente confortável, o filme mal tinha começado quando Amanda percebeu que Mar tinha um pequeno problema em deixar as pernas confortáveis e deixou a garota colocá-las sobre suas coxas.

Ela não estava realmente sóbria e estava cansada, não estavam nem na metade do filme quando Mar deitou a cabeça no ombro de Amanda. No último quarto do filme, Mar estava cochilando com o rosto enfiado no pescoço da psicóloga e as mãos agarrando seu braço e as pernas encolhidas.

- Marisa - Amanda murmurou e colocou a mão no seu ombro - Ei, acorde o suficiente para eu te levar pro quarto.

Mar gemeu e enfiou mais o rosto em Amanda, uma mão continuou agarrando seu braço e ela acabou abraçando os ombros da mulher. Amanda riu baixinho, era quase uma criança adormecida. A psicóloga livrou o braço do aperto, passou pelas costas da garota e a puxou para mais perto. Enfiou o outro braço por baixo dos seus joelhos e se levantou. Precisou de alguns segundos para se firmar com o peso. Amanda já havia carregado Julia e Simone várias vezes, mas as duas garotas eram mais leves que ela, enquanto Mar era um pouco mais pesadas (músculos, uh? Amanda não sabia de onde vinha tudo aquilo) por isso Amanda gemeu de dor. Porém, ela estava determinada a não deixar Mar cair.

Andou o mais rápido que podia e deixou a garota adormecida na sua cama. Mar grunhiu e enfiou o rosto no travesseiro. A garota estava tão cansada, precisava tanto daquele sono, que não deu sinal de que acordaria quando Amanda tirou os tênis, as meias, o cinto e a calça (isso preocupou um pouco a mulher, como alguém cai tão profundamente no sono que sequer nota suas calças sendo tiradas?). A psicóloga arrumou o cobertor em cima dela e beijou sua têmpora.

Ela não esqueceria de todo o ódio que viu na garota quando ela perdeu o controle, o sangue nas suas mãos e nem o que ela teria feito com Ana se Amanda não tivesse aparecido. Não se esqueceria de que só 'venceu' a briga porque ela passou uma grande parte da sua vida escolar tendo que se defender das pessoas mais fortes que só queriam machucar. Porém, Amanda também não esqueceria de como entre a raiva de Julia e Simone, Mar era única que parecia se importar com ela. Que Mar havia pedido para ela ir embora porque sabia o quanto Arthur a machucaria, que Mar ligava praticamente todos os dias e queria saber como tudo estava indo. Nem de como a garota pareceu feliz e aliviada quando Amanda apareceu, da força com que ela a abraçou.

Por isso, Amanda não tentou escapar quando Mar - mais dormindo do que acordada, ela sequer mencionou algo sobre estar sem calça - murmurou pedindo para ela ficar. Por isso Amanda não reclamou ou hesitou quando Mar pediu para ela cantar algo até a garota. Por isso Amanda somente a abraçou quando Mar envolveu sua cintura e enfiou o rosto no seu peito depois que já havia dormido.

 

Terça-feira, 06 de dezembro de 2016

Mar acordou devagar e sentiu o cheiro agradável de alfazema, ela podia sentir as mãos quentes em suas costas. Suas mãos agarravam a camisa de quem estava abraçando ela. O cheiro de alfazema, o calor confortável, fez ela grunhir e acabar se empurrando um pouco mais contra a mulher. Depois de uns cinco minutos acordada, ela ouviu Amanda murmurar.

- A Bela Adormecida acordou...

- Como você notou?

- A sua respiração.

- Oh, eu deveria saber disso - riu baixo, Julia havia lhe contado que Amanda sempre sabia quando as pessoas estavam acordadas na sua cama - Eu dormi muito?

- Quase oito horas. Você dorme mesmo, hein? Nem notou quando eu tirei a sua calça.

- Normalmente sou eu quem tiro a roupa das pessoas.

- Você tem uma mente muito suja.

- É, eu sei - Mar respirou fundo, puxando o máximo de cheiro possível ela murmurou - Você é cheirosa.

- As pessoas dizem isso.

- Porque é verdade...

- Você está bem?

- Sim, eu só... eu não costumo ficar assim.

- Na mesma cama que alguém mesmo sem transar com esse alguém?

- Não... confortável com alguém.

- Você não se sente confortável com a Ana?

- Sinto... é diferente.

- O que eu tenho de diferente.

- É... é como se você estivesse... tentando, como se você estivesse tentando cuidar de mim. As pessoas não costumam querer cuidar de mim. Acho que porque eu tento ser só a bad girl.

- Eu estou cuidando de você, não? Quando foi a última vez que você conseguiu dormir assim?

- Acho que antes de terminar com a Ana... eu não consigo ficar muito tempo dormindo sem ter algum pesadelo envolvendo Simone e sangue.

- E agora você está se sentindo melhor? Depois de dormir durante essas horas?

- Uhum.

- Isso é bom - Amanda beijou sua têmpora - Agora levante, estou com fome, uh?

- Esfomeada.

***

Amanda se perguntou se Simone se sentiu nervosa daquele jeito quando precisou visitar ela depois do acidente de carro.

A psicóloga conferiu mais de uma vez se o papel estava bem colado na sua blusa. Mar parou atrás dela e passou um braço ao redor dos seus ombros, ela ofereceu um pouco do salgadinho com suposto sabor de cebola, ela negou com a cabeça. Mar ergueu as sobrancelhas, Amanda nunca negava comida, mas como ela estava nervosa, fazia sentido. Mar virou o pacotinho e encheu a boca com salgadinhos.

Quando elas finalmente puderam subir, Amanda pediu para Mar entrar no quarto antes. A garota ficou lá dentro por nem cinco, ela queria dar para Amanda o máximo de tempo possível. Amanda entrou no quarto com os braços cruzados, isso impedia que Simone visse suas mãos tremendo levemente.

Ela definitivamente odiava aquela visão. Simone tão magra e pálida daquele jeito, claramente doente. Os curativos envolvendo ambos os braços, um acesso no seu antebraço com soro entrando de gota a gota dentro do seu sistema. O monitor cardíaco emitia os bipes lentamente.

- Ei - Amanda falou baixo, apertou mais os braços e Simone conseguiu ver seus músculos mais claramente - Eu... eu senti a sua falta...

- Acho que isso é bom - o tom de voz de Simone foi mais frio do que Amanda esperava, doeu mais do que ela esperava. Os olhos verdes estavam frios também, era como uma espécie de estaca no seu peito.

- Provavelmente - mudou o peso entre os pés - É... eu esperava que você fosse um pouco menos fria.

- Eu acho que você já deveria saber disso, Amanda. Eu não sou mais a garota que você ama, eu sou o que sobrou dela.

- Eu sei - Amanda passou a língua entre os lábios enquanto encarava os próprios sapatos - Eu não vim por quem você era, eu vim por quem você se tornou.

- Não precisava vir, eu não pedi. Eu não quero.

- Você quer quebrar o meu coração de novo? Vá em frente, eu te dou o passe livre para me despedaçar.

- Eu não quero te quebrar, só quero te dizer que você não precisa ficar.

- Se não quer que eu fique, eu não fico.

Amanda se inclinou e beijou sua bochecha. Simone se lembrou de como ficou corada na primeira vez que a psicóloga fez isso. Na verdade, Simone se lembrava perfeitamente da sensação estranha no estomago - das tais borboletas que as pessoas tanto falam - de quando começou a inegavelmente se apaixonar pela mulher. Ela sentiu algo parecido quando os lábios tocaram a sua bochecha, mas pareceu ser algo mais doloroso.

- Eu não estou desistindo de você, eu estou desistindo de mim - Simone murmurou - E eu não quero que você veja isso.

- E eu não quero que você desista - Amanda passou os dedos pelo curativo até tocar as costas da sua mão - Eu quero que você me deixe te ajudar. Eu quero que pare de ser egoísta.

- Eu não sou egoísta - Amanda inclinou a cabeça para o lado.

- Desde que seu pai se foi, você tem agido como se a sua dor fosse a única que importa.

­- Eu...

- Você não tentou ver o meu lado do problema, okay. Você não sentiu a minha falta, okay. Mas, no mínimo, você tem que fingir que se importa com alguém que gosta de você. A Marisa se importa com você, por acaso você se importa com ela?

- Claro que eu me importo. E eu me importo com você.

- Não, você não se importa comigo - Amanda tirou as mãos do braço da garota e segurou o lençol, seus dedos agarrando o pano com força, ela fechou os olhos e abaixou a cabeça - É claro que você não se importa.

- Amanda...

A psicóloga se curvou para frente e enfiou o rosto na barriga da garota, ela sentia que deveria ir embora. Porém, ela não conseguiu resistir a enfiar o rosto ali e sentir o calor de Simone. Ela grunhiu baixo, o som era dolorido e Simone engoliu seco com isso.

Amanda enfiou o rosto com mais força quando ela não conseguiu mais segurar as lágrimas. Simone colocou a mão em suas costas e acariciou lentamente, ela sentiu o calor sob os seus dedos e como seus músculos eram macios e firmes.

- Não me faça ir embora outra vez...

 

- Eu não vou, Amanda... eu não vou...

Nome: rhina (Assinado) · Data: 30/04/2017 20:27 · Para: 13. Egoístas

 

Oi

sim....KateC. ....ela escreve muito bem.....bem....

Amo todas suas histórias 

rhina



Nome: KateC (Assinado) · Data: 30/04/2017 19:26 · Para: 13. Egoístas

Oi, autora! Comentando a primeira vez pra dizer que segurei as lágrimas no final desse capítulo. Por favor, faça essas duas ficarem juntas, não aguento mais vê-las sofrer assim. Elas precisam muito uma da outra...

E outra coisa, não coloca essa Clara no caminho delas, sem mais complicações. Não merecemos sofrer tanto ??’”

Sua fic é linda e você escreve muito bem! 



Resposta do autor:

Oi. Eu posso mandar lencinhos umedecidos por correio se você quiser

Uma hora elas vão ficar juntas, só que não agora

A Clara é legal, poxa -.-

Obrigada <3

 



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