A ilha do falcÃo por Vandinha


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A ILHA DO FALCÃO -- CAPÍTULO 8 


 


O QUE FAZER? 


Natasha chamou um dos garçons que circulavam e pediu mais uma garrafa de champanhe. 


-- Eu costumo participar das festas beneficentes organizadas pelas madames da cidade. Essas festas de Acácia são tão chatas que só servem para encher a cara de champanhe -- ela acrescentou -- Seu esposo sempre a deixa sair sozinha? -- disse de repente. 


-- Por que não deixaria? -- Talita deu uma risada baixa e rouca. 


-- Sei lá, talvez por ciúmes. Os homens costumam ter ciúmes de suas esposas, ainda mais de uma tão bonita como você. 


Talita sentiu o rosto queimar, tomou um pouco da bebida e para disfarçar, desviou o olhar para um grupo de pessoas que conversavam animados. Era estranho como qualquer elogio vindo de Natasha a fazia ficar vermelha. 


-- Enquanto estiver casada com Ric, serei fiel a ele. 


Natasha lhe deu um olhar longo e avaliativo. 


-- É mesmo? -- com o polegar, a empresária acariciou-lhe os lábios -- Então me prove. 


Talita ficou tensa, e a respiração dela acelerou. 


-- Mais champanhe? -- perguntou Natasha. 


-- Não, obrigada. Acho que já bebi demais -- assim que ela largou a taça de champanhe sobre a mesa, deu um gole na água mineral. 


-- Está tudo bem senhorita Falcão? -- O dono do restaurante, obviamente animado com a presença da empresária, apareceu na mesa. 


-- Na verdade, já que você me perguntou, Rodrigo, não! Não está tudo bem.  


O dono do restaurante arregalou os olhos e Talita encolheu-se na cadeira ao perceber que todos os olhares se voltaram para a mesa delas. 


-- Perdoe-nos senhorita Falcão. Qual é o problema? Diga e eu resolvo em um instante. 


-- Minha acompanhante não está se sentindo especial e, isso para mim é imperdoável. 


A vergonha de Talita aumentou ainda mais quando Natasha pegou a mão dela sobre a mesa e beijou.  


-- Perdoe a nossa falha, senhorita Talita -- disse Rodrigo, desesperado para agradar -- Vou providenciar um atendimento de princesa. Com licença. 


-- Eu te mato, Falcão! -- sussurrou ela furiosa do outro lado da mesa.  


A expressão de Natasha era de pura diversão. 


Depois de alguns minutos Rodrigo voltou a mesa acompanhado de um violinista e um bonito buquê de flores para agradar a Talita. 


-- Eu estou muito contente que vocês tenham escolhido meu restaurante para essa noite tão especial. Permita-me dizer, senhorita Falcão, a sua acompanhante é maravilhosa e vocês formam um lindo casal. 


O violinista tocou uma bela canção romântica e quando ele terminou, Rodrigo virou-se ansioso para Talita, esperando algum comentário por parte dela. 


-- Que lindo -- ela falou -- As flores também são belas. Obrigada, Rodrigo. 


Rodrigo bateu palmas de contentamento. 


-- Obrigada, Rodrigo. Acredito que agora, a senhorita Talita, esteja se sentindo especial. 


-- Jesus. Como está quente! -- comentou a médica assim que o proprietário do restaurante se afastou. 


Natasha deu risada. 


 


Andreia entrou no quarto e jogou-se na cama, sentia vontade de gritar, arrancar os cabelos, espernear, porém, só abraçou o travesseiro e começou a chorar. Como sua irmã podia pensar em algo tão maldoso? E o pior... achar que ela aceitaria fazer parte dessa trama ardilosa, criminosa. 


Quando chegou ao Brasil estava tão empolgada. Veria a sua irmã depois de tanto tempo. Imaginou conversas até a madrugada, risadas, brincadeiras, lembranças de momentos da infância e adolescência. Seria maravilhoso. Imaginou. 


Porém, no primeiro encontro no hospital, bastaram alguns minutos de conversa, para ela perceber que aquela pessoa ali não era a Marcela. Não aquela Marcela que se recordava e tanto amava. Já não reconhece mais aquela pessoa que até a pouco tempo era a sua irmã e amiga.  


-- A minha irmã não existe mais -- tristemente aceitou a realidade. 


Andreia olhou para o celular e lembrou do amigo, Sidney. Como seria bom se ele estivesse ali. Pelo menos, teria um ombro amigo para se apoiar. Decidida, pegou seu celular, escreveu uma mensagem no WhatsApp e enviou. Ele não estava online naquele momento, mas com certeza assim que visualizasse, responderia a mensagem de imediato. 


Ela continuou jogada na cama. O apartamento agora estava silencioso, mas ainda ouvia os ecos da proposta que a irmã acabara de fazer. O coração dela se apertou à lembrança do pai que tanto amava. 


-- Que saudade de você, paizinho. 


 


Natasha e Talita saíram do restaurante as gargalhadas. 


-- Eu achei o máximo quando você disse que eu não estava se sentindo especial. Ele arregalou aqueles olhos enormes -- a médica ria sem parar -- Parecia um macaco Tarsius. 


-- Os olhos dele pareciam dois biscoitos queimados -- Natasha ligou o som do carro -- Gosta dos Tribalistas? 


-- Adoro! -- respondeu eufórica, sentindo o efeito da bebida ingerida em demasia, subir a cabeça. 


-- Então somos duas. 


Houve um momento de silêncio. Talita tentava fingir que não via os olhares divertidos e penetrantes que Natasha a dirigia. 


-- Você ficou com vergonha -- disse Natasha, depois de algum tempo. 


-- E como não ficaria? Todas as pessoas que estavam no restaurante pararam o que estavam fazendo para olhar em nossa direção. Você que... 


Talita percebeu por fim que Natasha não estava prestando atenção na conversa e foi diminuindo o tom de voz. 


-- O que está acontecendo? -- para surpresa da médica, Natasha não a olhou, mas sim cravou os olhos no espelho retrovisor -- O que está acontecendo? -- insistiu, assustada. 


-- Estamos sendo seguidas -- respondeu sem tirar os olhos do retrovisor. 


-- Como você sabe? 


-- Estamos viajando já há uns quinze minutos, e o carro continua atrás de nós -- disse, tentando manter a calma. 


Talita olhou para trás, e esboçou um gesto de preocupação. 


-- Você é louca de andar sem seguranças. É arriscado para uma pessoa de sua posição. Compreendo que se sinta mal em ter alguém o tempo todo te vigiando, mas realmente deveria tomar cuidado. Você é um alvo fácil. Sei que é muito mais gostoso e descontraído andar por aí assim, mas repito: não é sensato, o Brasil é um país violento. Aquelas pessoas podem ser, sequestradores ou assassinos. 


Talita calou-se ao perceber que Natasha colocou uma pistola sobre o colo. 


-- Oh, meu Deus!!! Você tem uma arma. 


Natasha a olhou com um sorriso zombeteiro nos lábios.  


-- Calma, só usarei a arma se eles nos atacarem. Mas, você tem razão, eu tenho que tomar certas precauções. 


-- Eles ainda estão atrás de nós -- Talita disse com voz entrecortada. 


-- Vamos por essa rodovia, para pegarmos uma estrada mais vazia para que eu possa acelerar um pouco para ver se eles se distanciam. Estamos quase chegando nas balsas. 


Natasha pisou fundo e se afastou com facilidade. Seu carro era muito mais potente que o de seu perseguidor.  


Em poucos minutos, entraram numa estrada estreita, Natasha diminuiu a marcha para passar pelos portões abertos e parar diante de uma bilheteria.  


O carro suspeito as seguiu, mas parou a certa distância da entrada das balsas. 


Natasha comprou o bilhete para a viagem e chamou o vigilante para conversar. 


-- Está vendo aquele carro? Caso ele nos siga, chame a polícia. 


 


 


Oito horas o relógio despertou. Andreia espreguiçou-se e sentou na cama. Levou alguns minutos para colocar suas ideias em ordem e caminhar desanimada até o banheiro.  


Tomou um banho demorado, colocou uma roupa confortável e foi para a cozinha preparar o seu café. 


-- Bom dia! -- disse Marcela, saindo do quarto e indo também em direção a cozinha. 


-- Bom dia! -- A ruiva respondeu de forma fria. A lembrança da conversa da noite passada ainda irritava Andreia. 


-- Pode deixar que eu preparo o café -- falou gentilmente -- A Sibele já deve estar vindo. 


Andreia não respondeu, apenas ficou ali, sentada na cadeira, calada e pensativa. Observava a irmã enquanto ela preparava o café. Com aquele jeito doce enganava completamente as pessoas, mas, na verdade, possuía uma mente maldosa.  


-- Bom dia! -- Sibele entrou na cozinha, um pouco receosa. 


-- Sente-se -- disse Marcela, apontando para a cadeira -- Quer um café, ou um suco? 


-- Prefiro café -- ela respondeu, sentando-se lentamente. 


-- Hoje vou até o hospital visitar o papai. Você vai comigo, Sibele? -- perguntou Marcela enquanto colocava a jarra de vidro com o café fumegante à mesa, junto com um bolo de cenoura -- Sou uma ótima doceira -- disse ela cortando o bolo. 


-- Você? -- Andreia, franziu a testa ao olhar para ela, ainda de pé -- Desde quando? 


-- Desde que abriram essa panificadora lá na esquina -- deu uma risada divertida. 


-- Eu vou com você -- disse Sibele -- Quero visitar o seu pai. 


-- Vou levar o carro do papai -- disse Andreia, levantando-se. 


A ruiva olhou para o relógio de parede da cozinha. Ainda era cedo, mas no momento, só queria se livrar das duas mulheres. Desculpou-se rapidamente, sem explicações, pegou o carro e acelerou em direção ao hospital. Parou no estacionamento e assim que entrou na recepção, ouviu a voz do doutor Vicente. 


-- Bom dia, minha querida -- ele se aproximou e pôs uma mão sobre o ombro dela. 


-- Bom dia, doutor -- disse ela, parando diante do balcão da recepção. 


-- Infelizmente não tenho boas notícias -- o médico enfiou as mãos nos bolsos. 


Como se isso fosse novidade. Pensou Andreia. Ultimamente boas notícias andam raras em sua vida. 


-- Meu pai piorou? -- perguntou nervosamente. 


-- Não! -- respondeu ele, rapidamente -- O estado do seu pai é o mesmo. Não houve nenhuma mudança. 


Adriana suspirou aliviada. 


-- Menos mal, doutor. Então, o que aconteceu? 


-- O hospital está nos pressionando. Não podemos mais ficar com o seu pai internado aqui, teremos que o transferir para um hospital do SUS. 


Adriana abaixou a cabeça, triste e derrotada. 


-- O plano de saúde foi cancelado. Não é mesmo? 


-- Sim, eles não estão mais fazendo os pagamentos -- a voz baixa de Vicente tinha uma ponta de preocupação. 


-- Eu já estava preparada para isso. A recepcionista havia me alertado -- ela sorriu sem ânimo -- Não vejo problema em meu pai ser atendido pelo SUS, fico apenas chateada por ele não ser mais acompanhado pelo senhor. 


O cardiologista piscou várias vezes, como se quisesse dizer algo muito importante. 


-- Venha comigo, Andreia -- doutor Vicente pegou o braço dela e sentaram-se em uma poltrona que havia na recepção -- Quero que saibas que sou totalmente contra a transferência de seu pai para outro hospital. O estado dele é gravíssimo. Será um risco muito grande -- o olhar de Vicente tornou-se sombrio -- Tentei convencer a direção, mas foi inútil. Segundo eles os gastos estão sendo enormes e ninguém quer arcar com o prejuízo. 


Andreia o encarou, sem acreditar. 


-- Quer dizer que ele corre risco de morte? 


-- Arrisco afirmar que ele não vai resistir -- o cardiologista segurou suas mãos em sinal de apoio -- Conheço Fábio há anos, ele é meu grande amigo. Tem certeza que não há nada que possam fazer para evitar isso? 


Tremendo de revolta e desespero, Andreia desabou em lágrimas, enquanto Vicente tentava consolá-la. 


-- Não temos dinheiro, doutor -- disse com a voz embargada pelo choro -- Oh, Deus, o que será de meu pai agora?  


-- Calma, Andreia. Tente se tranquilizar. Agindo dessa forma não conseguirá pensar em uma saída. 


Andreia fungou, sabia que ele tinha razão. Ela estava muito tensa e precisava se acalmar. Caso contrário, acabaria tendo uma crise nervosa ali mesmo, na recepção. 


-- O que aconteceu? -- Marcela perguntou, assustada ao ver a irmã chorando desconsolada -- Papai morreu? 


Sibele a segurou pela cintura buscando apoiá-la naquele momento tão difícil. 


-- Não -- Andreia respondeu, enxugando os olhos -- O plano de saúde do papai foi cancelado. Seremos obrigados a leva-lo para outro hospital. 


-- O que? -- perguntou Marcela, olhando na direção da irmã -- Não me diga que até isso papai não estava conseguindo pagar. Que absurdo!  


Andreia balançou a cabeça, desanimada. A única pessoa no mundo que havia se importado realmente com ela, o homem que lhe dera a oportunidade de ter um lar, uma família, que a criou como se ela fosse de seu próprio sangue, estava morrendo e não podia fazer nada. Uma onda de desespero tomou conta da ruiva. 


 

Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 12/01/2018 02:06 · Para: Capitulo 8 O QUE FAZER?

A situação está cada vez mais desesperadora para as irmãs e pão. Isso vai ser decisivo psra Andrea concordar com o plano sórdido. Boa noite.



Resposta do autor:

Olá Patty

Beijão.



Nome: Mille (Assinado) · Data: 11/01/2018 16:58 · Para: Capitulo 8 O QUE FAZER?

Ou Vandinha 

Só problemas para a Andreia e essa irmã cabeça de vento para ficar resmungando. 

Falcão sendo perseguida e se saindo bem, olha a Talita está a um passo de cair no charme da Natacha .

Bjus e até o próximo capítulo 



Resposta do autor:

Oi Mille.

Quem será o perseguidor? Mistérios.

Beijos.



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 11/01/2018 16:18 · Para: Capitulo 8 O QUE FAZER?

Andreia está tentando ser honesta, mas não vai conseguir

Lá vai ela para o plano diabólico

Para completar só faltava ela casar com a Sibele  para ficarem de olho se ela não vai desistir e Marcela virar amante de Sibele.

Agora o bicho vai pegar

Abraços fraternos procê



Resposta do autor:

Olá!

Andreia se encontra em um beco sem saída. Qual será sua decisão?

Beijos.



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