A ilha do falcÃo por Vandinha


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A ILHA DO FALCÃO -- CAPÍTULO 7  

 

 

 

  O PLANO   

 

-- O quadro clínico dele continua estável -- falou doutor Vicente, aproximando-se -- Meu amigo é um guerreiro.  

 

-- Posso ficar com ele, doutor?  

 

-- Não há o que fazer aqui. Por que não vai para casa descansar e volta amanhã?  

 

-- Eu prefiro ficar -- insistiu Andreia.  

 

-- Não gaste suas energias todas de uma vez, Andreia. Você ainda vai precisar muito dela -- o médico a olhou com muita pena.   

 

-- Tem certeza de que ele não vai precisar de mim?  

 

-- Absoluta.  

 

Quando Andreia tocou as mãos do pai, elas estavam frias. Ficou olhando para ele por alguns minutos, esperando uma reação, um piscar de olhos, um sinal qualquer que lhe trouxesse esperança. Mas nada aconteceu.  

 

-- Obrigada, doutor. Voltarei pela manhã -- virando-se, Andreia saiu do quarto pensando em como seu mundo virou de pernas para o ar em tão pouco tempo.   

 

-- Senhorita Andreia!  

 

Estava tão distraída, que a voz da recepcionista, provocou-lhe um sobressalto.   

 

-- Pois não? -- olhou para a moça vestida com o uniforme do hospital.  

 

-- Por favor, senhorita, precisamos conversar.  

 

Andreia suspirou longamente. Estava em uma fase tão ruim que esperava sempre o pior.   

 

-- Pode falar -- ela se encostou contra o balcão.  

 

-- A administração do hospital pediu-me para informá-la que a operadora cancelou o contrato de plano de saúde do senhor Fábio Dias.  

 

Os olhos de Andreia se arregalaram de surpresa e ela se debruçou para frente.  

 

-- Como assim, cancelou? -- Andreia empalideceu. As palavras da recepcionista atingiram-na como um soco no estomago.  

 

-- Segundo eles, o senhor Fábio está inadimplente por mais de sessenta dias, consecutivos, e que foi notificado há cinquenta dias.  

 

Em um momento, Andreia sentiu suas pernas fraquejarem e o ar faltar. Começou a caminhar lentamente em direção à porta.  

 

-- Senhorita Andreia...   

 

A voz da recepcionista parecia longe...   

 

-- O que a senhorita vai fazer?  

 

Andreia apoiou-se com as mãos na parede e olhou para ela.  

 

-- Por favor, vamos deixar esse assunto para amanhã. Hoje não estou com cabeça para mais nada.  

 

Saiu para a rua em total estado de desânimo. Entrou no primeiro táxi da fila e passou o endereço para o motorista.  

 

Enquanto o veículo se distanciava do hospital, pensava em como resolveria mais esse problema.  

 

 

 

 

 

Marcela, estava sentado no sofá com o porta-retratos de Andreia sobre uma das pernas. Ouvia o que Sibele falava, com toda a atenção possível.  

 

-- Sua irmã tem todos os requisitos, ela se enquadra direitinho no papel de Carolina.  

 

-- Minha irmã nunca aceitará. Ela é toda certinha -- Com um sorriso amargo, Marcela se levantou e caminhou pela ampla sala -- Que oportunidade de ouro. Isso só pode ser ajuda divina.    

 

-- Não exagere, Marcela. Imagina se Deus vai ajudar alguém dessa forma -- a médica revirou os olhos -- Agora temos de pensar em uma maneira de convencer a Andreia -- Sibele aproximou-se de Marcela certa de que seu plano era perfeito -- Natasha tem tanto dinheiro, que nem sabe o quanto. Vocês nunca mais se preocuparão com outra coisa a não ser viajar e curtir a vida com muito luxo.  

 

Os olhos de Marcela brilharam gananciosos.   

 

-- Uma ilha só para nós!  

 

-- Sim, Natasha tem duas ilhas: A ilha Falcão e a ilha Carolina. Natasha nunca perdeu a esperança de encontrar a irmã, por isso deu o nome dela a ilha.  

 

-- E como é a ilha que ela mora?  

 

-- A Ilha Falcão? Você não faz ideia da beleza e do luxo daquele lugar. É grandioso, é mágico.  

 

-- Como ela conseguiu tudo isso?  

 

-- Os mares do Sul possuem muitas ilhas. Natasha é descendente de Açorianos, povo que colonizou aquela região de Santa Catarina. Os imigrantes mais espertos compraram terras praticamente a preço de banana. Principalmente as ilhas, que não tinham valor algum para eles.  

 

Marcela estava extremamente interessada. A cada resposta de Sibele, ela se entusiasmava ainda mais com a ideia.  

 

-- E os hotéis?  

 

-- Os hotéis foram construídos pelo avô de Natasha, porém, depois que ela ficou à frente dos negócios muita coisa mudou. Ela é uma empresária moderna, cheia de ideias inovadoras. Logo os hotéis viraram cinco estrelas, estão sempre lotados e tem até fila de espera.   

 

-- E nós vamos ficar com um pedaço de terra insignificante? O que nós faremos no meio do mato? Vamos criar macacos?  

 

Sibele ergueu os olhos e olhou para o teto, incrédula, antes de voltar a encarar Marcela.  

 

-- Você quer tudo de mão beijada? A ilha está com toda infraestrutura necessárias para a implantação de qualquer tipo de obra. Natasha está sendo muito bondosa, outro no lugar dela não procuraria pela irmã.  

 

-- Não temos dinheiro nem para ir até Santa Catarina, imagina construir alguma coisa em uma ilha.  

 

-- Deixa de ser cabeça dura -- Sibele caiu sentada no sofá -- Você acha que a Natasha vai deixar a tão sonhada irmã, sem dinheiro para investir na ilha?  

 

Marcela sorriu cheia de maldade. Tinha lógica o que Sibele falava. De certo modo seria até melhor que fosse dessa forma. Poderiam superfaturar as obras e ganhar muito dinheiro as custas da irmãzinha empresária.  

 

-- Não seja injusta comigo, baby -- Marcela colocou os braços ao redor do pescoço de Sibele e deu um selinho nela -- Eu não conheço a Natasha, não sei que tipo de pessoa ela é, por isso que estou tão receosa.  

 

Afastaram-se ouvindo o barulho da chave abrindo a fechadura da porta.  

 

-- Vai ser dureza convencê-la -- disse Marcela.  

 

 

 

 

 

Léozinho entrou no quarto, cantarolando, sentou-se na cama, as mãos entrelaçadas sobre os joelhos e um olhar curioso percebendo que Natasha estava pronta para sair.  

 

-- Vai curtir a noite de sexta? -- o rapaz encostou as costas contra os travesseiros e sentou com as pernas cruzadas.  

 

-- Convidei a doutora Talita para sair comigo -- Natasha olhou-se no espelho, depois virou-se para Léozinho -- Vou levá-la para jantar no Moinho.  

 

-- Hum, que chique! O Moinho é um restaurante muito prestigiado cujos convidados são formados pela alta sociedade de Florianópolis.  

 

Natasha enfiou as mãos nos bolsos da elegante calça social e fitou Léozinho por alguns segundos.  

 

-- Bem lembrado. Tomara que os sanguessugas não estejam por lá.  

 

-- Acho difícil, chefinha. Você sabe que aquele restaurante é o preferido dos políticos da região.   

 

-- Tudo bem -- Natasha pegou a chave do carro e deu alguns passos em direção a porta -- Eu sei como lidar com esse bando de puxa-saco.  

 

-- Dispensou o motorista?   

 

-- Dispensei. Hoje quero privacidade.  

 

Natasha abriu a porta e saiu para o corredor.   

 

-- Avisa a Eliza que fui jantar fora do hotel e não sei a hora que volto.  

 

-- Pode deixar, patroazinha.  

 

 

 

 

 

Andreia preparou um lanche rápido e foi comer na sala. Apesar de estar muito cansada, queria conhecer um pouco mais sobre a nova namorada da irmã. Sentou no sofá com o prato sobre a perna e olhou indagativa para Sibele.   

 

-- Você trabalha em um hotel?  

 

-- Na verdade, eu trabalho como clínica geral em um ambulatório que fica na Ilha do Falcão -- antes de continuar, Sibele olhou Marcela de soslaio -- Na ilha temos dois hotéis e várias pousadas.  

 

-- Uau! -- Andreia suspirou e deu uma mordida com vontade em seu sanduiche -- Essa ilha deve ser um paraíso.  

 

-- Você tem razão, a Ilha do Falcão é mais um paraíso na terra, essa ilha é conhecida por ser um lugar seguro, o mar é lindo, de águas cristalinas e praias encantadoras pelo visual. A gastronomia do hotel é tão deliciosa quanto o cenário.  

 

-- Como é o nome desse empresário? Quero fazer uma pesquisa na internet para ver se aprendo alguma coisa -- disse Andreia, debochando de si mesmo.  

 

-- Não é um empresário, é uma empresária -- disse Sibele, preparando o caminho para entrar no assunto -- O nome dela é Natasha Falcão.  

 

-- Deve ter um marido por trás dela, sempre tem -- deu uma mordida de leve no sanduiche e um gole generoso no suco de laranja -- Mulheres não são muito respeitadas nesse ramo.  

 

-- Natasha é solteira. Com a morte dos pais, o avô reassumiu os negócios. O idoso, mas experiente empresário, a levou para junto dele. Natasha o acompanhava para suas visitas regulares aos hotéis, aprendeu sem pressa os segredos e artimanhas do mercado. Coordenou a modernização e o marketing dos hotéis e pousadas com pulso de ferro. Eles tiveram um relacionamento profissional maravilhoso, levando-se em conta o fato de que, Natasha na época, era apenas uma menina.  

 

-- Poxa, que história interessante -- Andreia estava impressionada -- Parece até coisa de filme.  

 

-- Você acha? Então espera eu te contar toda a história.   

 

Andreia colocou o prato sobre a mesa e inclinou-se para frente cheia de curiosidade. A história pareceu-lhe interessante e deixou-se envolver pela narrativa de Sibele.   

 

-- Continua -- pediu -- Admiro mulheres empreendedoras, de histórias inspiradoras, que batalharam e ainda batalham para transformar seus sonhos em negócios rentáveis e bem-sucedidos.   

 

-- Natasha têm determinação de sobra e investiu pesado na profissionalização dos seus produtos e serviços para conquistar o mercado. Trilhou caminhos marcados pelo trabalho árduo e busca por conhecimento, ela é um exemplo para outras mulheres e sua trajetória está cheia de ensinamentos valiosos.  

 

 

 

 

 

-- Você está linda -- disse Natasha, suavemente.  

 

-- Obrigada -- agradeceu ela, desmanchando-se diante do elogio.  

 

-- Vamos? -- a empresária indicou com a cabeça o caminho de saída -- Esse vestido caiu muito bem para você. Seu marido é um homem de sorte.  

 

Natasha piscou para ela. Mulheres de vestido e salto alteravam seu equilíbrio. Um instinto inato? Como se fosse uma doença. Sua fraqueza, sua kriptonita.  

 

O concierge abriu a porta do carro para elas entrarem. Natasha ligou o automóvel e saiu.   

 

Passava das nove quando chegaram ao Moinho. A senhora Acácia, primeira-dama do município, foi recepcioná-la na porta.  

 

-- Natasha! -- a mulher deu um abraço de urso na empresária -- Para nós é uma honra e uma grande alegria tê-la em nossa mesa.  

 

Natasha respirou fundo buscando ar.  

 

-- Obrigada, Acácia -- a empresária olhou ao redor e dirigiu um belo sorriso aos conhecidos -- Quero lhe apresentar a doutora Talita, a nossa médica do hotel.  

 

Acácia analisou-a de alto a baixo lentamente, com seu olhar um tanto invejoso.  

 

-- Muito prazer, Talita -- cumprimentou-a com claro desdém -- O que aconteceu com Sibele? Ela não trabalha mais no hotel?  

 

-- Sibele teve que se ausentar para resolver problemas de ordem particular, mas logo estará de volta -- sem esperar que Acácia continuasse, segurou a mão de Talita entre as suas -- Muito obrigada pelo convite, mas fizemos reserva.   

 

-- Ah, que pena! Temos tanto que conversar.  

 

Natasha começava a ficar incomodada com a presença de Acácia. Contudo, a experiência lhe ensinara que, com pessoas como a esposa do prefeito, o melhor era manter-se sob controle e com um comportamento frio e calmo.  

 

-- Por que a senhora e o prefeito não passam um final de semana na ilha? Aquela suíte ainda está lá, aguardando por vocês.  

 

As narinas de Acácia se alargaram quando ela respirou fundo de emoção.  

 

-- Você é um amor, Natasha. Vou conversar com o Juliano e ligo para o hotel.  

 

Natasha tomou o braço da médica e a conduziu para longe de Acácia.  

 

-- Tem gente que não gosta de mim por causa das coisas que eu digo -- disse Natasha assim que se afastaram -- Imagina se eles soubessem o que eu penso.  

 

 

 

 

 

Andreia parecia paralisada, escutando a história com a boca aberta, como se estivesse ouvindo uma história de terror.  

 

-- E até hoje ela não teve nenhuma notícia da irmã?  

 

-- E provavelmente não terá -- disse Sibele, bastante realista -- Depois de vinte anos, acho praticamente impossível ela aparecer. Na minha opinião a criança foi levada para fora do país ou, quem sabe, está morta.  

 

-- Que horror -- disse Andreia, colocando-se no lugar da empresária. Quanto sofrimento aquela criança deve ter passado, sem a mãe, sem o pai e sem a irmãzinha -- Admiro a determinação dessa mulher, não é qualquer um que que após uma tragédia, consegue seguir a vida com tanto animo e sucesso.  

 

-- Ela seria bem mais feliz se encontrasse a irmã desaparecida -- disse Marcela, sentando-se ao lado da irmã adotiva -- E nós podemos ajudá-la.  

 

-- Vou rezar para que ela encontre a Caro... -- Andreia cortou o que estava falando e olhou para a irmã com o cenho franzido -- O que você está querendo dizer com: Nós podemos ajudá-la?  

 

Sibele saiu de onde estava e abaixou-se diante de Andreia.  

 

-- Eu e Marcela, estávamos conversando até a pouco sobre isso. Seria a única saída para vocês.  

 

Andreia agora não estava entendendo nada.   

 

-- Alguém, por favor pode me explicar aonde vocês querem chegar com essa conversa fiada?  

 

-- A irmã desaparecida da Natasha era ruiva e com sardas pelo rosto como você. Sem contar o fato de que você é adotiva.  

 

-- Vocês estão querendo dizer que eu sou a irmã desaparecida dela? -- Andreia caiu na gargalhada -- Minha mãe me entregou para os seus pais na porta da maternidade, Marcela. Você sabe muito bem disso, ela era uma drogada, viciada em crack. Meus pais morreram das drogas, não de acidente de carro.  

 

-- Eu sei muito bem que você não é a irmã dela -- disse Marcela, rindo do comentário de Andréia -- mas poderá ser, se quiser.  

 

Andreia olhou para ela com uma expressão carregada de censura e de raiva.  

 

-- Estou realmente entendendo o que vocês estão planejando?  

 

-- Não temos outra saída, Déia -- Marcela segurou as mãos dela entre as suas -- Ou fazemos isso, ou acabaremos na sarjeta. Você...  

 

-- Nunca! -- Andreia berrou e levantou-se bruscamente, sem a deixar terminar a frase -- Pois prefiro a sarjeta do que agir como uma criminosa.  

 

Andreia saiu da sala como um furacão, entrou no quarto e bateu a porta com força.   

 

 

 

 

Nome: Mille (Assinado) · Data: 10/01/2018 17:08 · Para: Capitulo 7 O PLANO

Oi Vandinha 

Vai sonhando Marcela que a Natacha não irá cair na tua lábia e a Deia nunca vai sugerir algo em troca.  A situação vai fazer a ruiva aceitar não por causa da ambição da irmã e sim no bem estar do pai, já que até o atendimento hospitalar pode ser interrompido por causa do plano. 

Quero ver como essas doidas vão falsificar o exame de DNA, mais não será difícil já que a Sibele está metida,  a mentira pode durar alguns tempos, a verdade  sempre vem a tona.

Bjus e até o próximo capítulo 

 



Resposta do autor:

Olá Mille.

Tem um ditado popular que diz que: "A ocasião faz o ladrão". É muita pressão sobre a Andreia, será dificil dela suportar.

Beijos. 



Nome: NovaAqui (Assinado) · Data: 10/01/2018 13:55 · Para: Capitulo 7 O PLANO

Nunca é muito tempo e você não tem tempo e não tem dinheiro e vai aceitar com a desculpa de ajudar seu pai.

Aff

Abraços fraternos procês!



Resposta do autor:

Olá!

A barra está muito pesada para a Andreia, será muito dificil para ela suportar tudo sozinha.

Beijos.



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