Três lados para uma moeda - jasmine (livro 2) por Raquel Amorim


[Comentários - 36]   Impressora Imprimir Capitulo ou História - Lista de Capítulos

- Tamanho do Texto +

(10 de fevereiro de 2018, Sábado)

- Mamãe, “atiti” Pepa!

            A pequena diz para Jasmine que estava fazendo o almoço delas naquele dia, a esposa estava resolvendo algo com irmão e o cunhado no escritório. As duas estavam tão bem casadas, que as vezes parecia irreal. A pequena já com seus mais de dois aninhos se sentia feliz com as duas mães e sua grande casa e televisão para se divertir assistindo seus desenhos preferidos.

- Sim meu amor, venha.

            A loira pega a filha que estava na cadeirinha, e leva para uma poltrona especial que tinha na sala só para ela, essa que dispunha de um cinto de segurança, parecia essas que usam em carros, mas era muito mais confortável. A mãe a coloca no local prendendo o cinto, ligando a televisão e depois ativando a babá eletrônica.

- Prontinho, qualquer coisa você já sabe, chama a mamãe, ela está escutando você daqui. – A loira aponta para o aparelho e a filha apenas assente, pois sua atenção estava no desenho da Pepa.

            Jasmine beija seus cabelinhos vermelhos e volta para a cozinha, preparava um peixe no forno, o cunhado e o namorado iriam almoçar na casa das duas naquele dia. Fazia seis meses que eles abriram mais três filiais do bar, então Pietro e André, que acabou aceitando a casa, cuidavam de duas e Jasmine e a esposa das outras duas. E agora estavam pensando em investir em outro negócio, o ramo hoteleiro estava crescendo, mas esse assunto ainda vinha sendo discutido pelas duas.

- Eu não aguento mais ver tanto papel. - André disse ao aparecer na cozinha.

- Eu também não. – Pietro também aparece.

- O que você está fazendo? – A ruiva fala a o abraçar a esposa por trás e depositar um beijo e sua nuca.

- Peixe, estou tentando, espero que dê certo.

- Hum, está cheiroso. Onde está a Júlia?

- Advinha? – Jasmine disse ao virar o corpo e dá um selinho na esposa.

- Oh, claro, televisão. Aquela menina está viciada naquela coisa gigante.

- Amor, eu acho até bom, ela fica tão quietinha. É adorável.

- Certo, certo. Ela está crescendo tão rápido.

- Sim, mas eu adoro ver todas as suas fases é tão lindo vê-la crescer, mal posso esperar para levá-la a escola, escutar ela dizer que ama a mamãe. Nossa, eu estou tão boba, deve ser a TPM. – Jasmine fala irritada consigo mesma.

- Você sempre foi boba Jas, não coloque a culpa em nada. Essa é você.

            André fala e se encaminha com o namorado para a sala onde a sobrinha estava.

- Eu sou uma bobona por vocês, não é?

- Você quer que eu minta ou fale a verdade?

- Ok, ok, já entendi.

            A loira diz sorrindo e beija de leve os lábios da esposa. Ela com certeza era uma bobona por aquelas duas.

..........................................

(20 de abril de 2018, Sexta-feira)

            Jasmine estava deitada na cama com sua filha ao lado, sua esposa estava saindo do banho, a ruiva encara as duas e revira os olhos, Júlia tinha o celular da mãe, assistia a algo qualquer, típico, ela sempre brigava que a loira iria estragar a filha mimando tanto, mas quem disse que ela ligava?

- Não diga uma palavra.

- Você nunca me escuta.

            A ruiva fala e vai em direção ao closet, Jasmine sorri cúmplice com a filha e a puxa para deitar a cabeça em sua barriga, começando a acariciar seus cabelinhos vermelhos.

- Nós temos que começar a obedecer a mamãe filha, ou ela vai brigar com a gente.

- “Bigar” não.

- Vai, ela vai sim.

- “Lular”? – A ruivinha mostra o aparelho para a mãe.

- Não, pode ficar só mais um pouquinho.

            A pequena sorri e volta sua atenção, mas antes que ela possa se animar o aparelho vibra, mostrando a foto da sua avó na tela.

- “Bobó, bobó”.

            A ruivinha diz animada, então sua mãe pega o aparelho, ela encara a foto por alguns segundos, seu coração disparou as batidas. Ela já falou com a mãe hoje e se ela estava ligando novamente e a noite, não seria nada bom, definitivamente nada bom.

- Ok, apenas atenta.

            Ela fala para si mesma, sob o olhar atento da filha. Júlia se animou por falar com avó novamente, mas então o que aparece na tela não é nada bom. Juliana tinha os olhos vermelhos e lágrimas escorriam por todo o rosto, ela se controlava, mas quando viu a filha não aguentou, se derramou em mais lágrimas. O coração da loira se quebrou, foram poucas vezes que ela viu a mãe assim, e agora ela só encontrava um motivo para vê-la daquela forma de novo.

- Amor... – Jasmine chama e logo Bárbara aparece, vendo o olhar triste da esposa, e então escuta os soluços da sogra. – Leve a Júlia daqui, por favor.

            A ruiva a encara, palavras não precisavam ser ditas para saber do que se trata. Na verdade, elas sempre falavam sobre esse dia, e o esperavam com temor, pois sabiam que cedo ou tarde o pior iria acontecer.

- Certo. – Ela pega a filha no colo. – Se precisar de mim estarei aqui, sempre estrarei.

            A loira apenas assente e lhe dá um selinho. Bárbara acaricia seu rosto e logo depois sai do quarto, então Jasmine respira fundo e volta sua atenção ao celular.

- Onde?

- França.

- Quando?

- Ligaram-me hoje sobre um testamento dele, foi há três dias.

- Mãe... você... eu sinto muito.

- Eu sei meu amor, mas... nós já esperávamos, mas ainda assim dói tanto.

- Eu sei. – A loira mais nova suspira. – Como você está?

- Estou processando. Ele ainda tinha uns 300 milhões, e pelo que me disseram meu nome é o único que aparece no documento.

- Ele foi coerente, você foi a única pessoa que ele sempre amou.

- É, acho que sim.

            Então um silêncio se fez presente. Elas não sabiam o que dizer, sentiam coisas diferentes, eram situações diferentes para elas.

- Como aconteceu?

- Overdose. – A mãe suspira.

- Eu... eu sinto mesmo, de verdade mãe, eu não queria isso para ele, apesar de tudo ele era meu irmão.

- Eu sei meu amor, eu nunca pensaria diferente. Eu só queria que soubesse, ele era seu irmão e... – Ela fecha os olhos com força. – Só queria que soubesse.

- Eu sei mãe, está tudo bem. Se quiser posso ir visitar você, com a Júlia, pedir para Pietro e André tomarem conta um fim de semana dos negócios, posso fazer isso.

- Seria ótimo filha, estou com saudades de vocês. – E então o sorriso se fez presente na mais velha.

- Sim, seria ótimo.

- Certo, vamos seguir em frente, ele fez a escolha dele há um tempo, e colheu o que plantou, ele era meu filho, e eu sempre vou amá-lo, mas... é isso, serão apenas lembranças.

- Eu estarei aqui sempre que precisar mãe.

- Eu sei, eu amo você.

- Eu também te amo.

 

            E então elas desligam. Era isso, acabou, mas essa fase acabou. Fernando Albuquerque tinha acabado da maneira que todos imaginavam que seria. As drogas os consumiram, a vida lhe deu uma chance, mas ainda assim não foi suficiente para ele. Viveu esse tempo apenas com muitas mulheres, drogas, viagens e usufruindo do dinheiro. Conheceu muitas pessoas, umas más e outras boas, mas ainda assim ele continuou com sua vida até que chegou seu fim. Jasmine não conseguiu sentir raiva, nem tristeza, nem alívio, ela não sentia nada, seu único sentimento era referente aos da mãe, vê-la mal a deixou mal, mas nada mais que isso. O que era aceitável devido ao passado. Era isso, sem mais vírgulas, apenas um ponto final.

Você deve fazer login ou se cadastrar para comentar.