Três lados para uma moeda - jasmine (livro 2) por Raquel Amorim


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Jasmine chega perto da namorada e a abraça pela cintura com força, ela não queria que a aquele garoto chegasse perto da sua família. A loiro trava o maxilar ao ver a cena.

- Já vi que nem o tapa que nosso pai lhe deu serviu para acabar com essa sua “sem-vergonhice”.

- Cala a boca Fernando. – Juliana fala alto.

- Claro, papai está doente e você logo traz essa daí para dentro de casa. Quando ele souber, não quero nem imaginar o que ele fará.

- Você é um idiota garoto. – A loira já falava chorando. – Nosso pai está morto. Você é tão irresponsável, tão imaturo, que nem sabe que seu pai morreu. Ele morreu Fernando, morreu pedindo meu perdão. Você...

            Ela mal conseguia falar, só sentiu os braços da sua amada a abraçando. Bárbara a apertou forte deixando seu choro escorrer por sua blusa preta. A pequena segurou em seu cabelo e acariciou, ela adorava fazer isso.

- Então o velho morreu.

            As mulheres estavam enojadas pelas palavras do rapaz. Ele demonstrava tanta frieza que ninguém acreditaria se fosse contado. Fernando agora só penava que era dono de tudo, mas nem ele sabia dos planos do pai.

- Cala a boca Fernando. – Ele ignora a mãe e olha para a irmã.

- Você, pode ir embora, eu sou dono de tudo agora. Não quero você em minha casa.

            Jasmine tenta avançar no irmão, mas é impedida pela namorada. Então escuta a filha chorando, ela se assustou com os gritos no rapaz.

- Hey meu amor, não chore, a mamãe está aqui.

            Jasmine disse pegando a menina nos braços da namorada.

- Mamãe? – Fernando pergunta surpreso, depois que a garotinha se acalma no colo da mãe, a loira vira para ele.

- Não é da sua conta. Você não merece nada de mim, eu pensei que poderia te ajudar, mas não dá. Você é um monstro. Eu quero você longe da minha família, que quero você longe de mim e das pessoas que eu amo.

            Juliana observa a filha com lágrimas nos olhos e segurando a criança possessivamente, e só então ela percebe: Fez a maior besteira da sua vida.

- Você que voltou, eu não fui atrás de você.

- Eu voltei por minha mãe, e até meu pai se arrependeu do que fez antes de partir, mas já você... – Ela suspira. – Não se preocupe Fernando, você estará livre de mim antes mesmo que perceba. Eu estou feliz, você não faz diferença. Então, isso aqui é um adeus. – Jasmine fala por fim e vira para a mãe que a encara e acaricia os cabelos da ruivinha que tinha a cabeça deitada no combro da loira. – Eu vejo você antes de ir embora. E adianto que não demorará muito. Eu não posso mais ficar aqui – A mulher apenas assente, ela entendia a filha.

            Jasmine beija a testa da mais velha, depois olha uma última vez para o irmão que tinha o maxilar travado. O fato da irmã está tão feliz lhe deixou com ódio, sentimentos de raiva e inveja, ele nunca seria feliz como Jasmine. Mesmo depois de tudo que aconteceu, ela conseguiu se reerguer e aquilo o deixava louco de raiva. A loira simplesmente pega na mão da namorada e puxa par fora, ela só queria sair daquela casa, tirar sua família de perto daquele ser repugnante.

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- Hey calma, sou eu.

            Bárbara fala ao ver que a namorada se assustou quando ela tocou em seu rosto, a loira dormia calma, mas precisava comer, pois não colocou nada na barriga durante todo o dia, e já era noite. Jasmine olha para a cama, a ruiva sabe o que ela procura.

- Ela está lá embaixo com o Lucas e a Rebeca. Eles a adoram. – A ruiva fala sorrindo, ainda acariciando o rosto da loira.

            Jasmine abre os olhos e encara a mulher sentada ao seu lado. A ruiva acariciava a pele branca da namorada com devoção, pois ela adorava aquela mulher, ela amava aquela mulher, e sempre estaria ao seu lado. A loira pega a mão da outra e leva até a boca beijando com carinho, Bárbara sabia que a namorada precisava da família, que nesse caso eram aquelas pessoas na casa de Lucas. Quem importava para ela, estava ali, sua mulher, sua filha, seu melhor amigo e até Rebeca, essas eram as pessoas que Jasmine amava.

 - Eu amo você.

            A loira disse simples, apenas aquelas palavras eram suficientes para elas demonstrarem a intensidade daquele sentimento. Era real e puro.

- Eu também amo você.

            A ruiva se inclina e beija os lábios de Jasmine, que sorri no movimento. Elas se conheciam o suficiente para saberem que tudo iria ficar bem, palavras não eram suficientes para nomear o que elas sentiam, só elas entendiam, apenas elas saberiam qual era a sensação de sentirem aquele amor.

- Você tem que comer algo. – A ruiva fala ao se afastar.

- Sim, estou morrendo de fome.

            Jasmine fala sorrindo. Minutos depois estavam sentadas à mesa de jantar, a loira, a ruiva, o casal de amigos e a pequena Júlia que quando viu a mãe estendeu a mão para seu colo, ela sempre fazia isso quando via Jasmine, e era adorável a forma que elas se davam bem.

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- Além de ela viver nessa vida nojenta, ainda assumiu uma filha que nem é dela. Jasmine se superou dessa vez.

            Fernando fala para a sua mãe. Juliana tentava não escutar, tentava ignorar. Mas era impossível de fazer quando o assunto que saia da boca do rapaz era apenas a loira.

- Ela é muito burra, e ainda coloca o nosso sobrenome naquela bastarda.

            E nessa hora a mãe explodiu. Ela não permitiria que aquele moleque falasse assim da sua neta. Ele tinha que ser parado e se não fosse pacificamente seria na “marra”.

- Cala a boca Fernando. Você não se deu conta, seu pai morreu. Ele morreu. – Ela chorava. – Você é egoísta, mesquinho, prepotente. Eu não sei onde errei com você, mas estou tão decepcionada que nem consigo olhar para a sua cara. Eu sinto vergonha de você, sinto até.... nojo.

- Mãe... – Ela nunca tinha falado com ele daquela forma.

- Eu acho bom você não se meter na vida delas, pois aí sim, eu te garanto, você estará sozinho nessa vida. E não se garanta no dinheiro, pois do jeito que ele vem fácil, ele também vai.

 

            E sai da sala. Deixando o rapaz de boca aberta e com um único pensamento: A culpa é de Jasmine.

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