Três lados para uma moeda - jasmine (livro 2) por Raquel Amorim


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(08 de abril de 2017, Sábado) – Minas Gerais.

            Jasmine acorda com batidas fortes na porta. Júlia estava em um berço próximo da cama e a namorada estava deitada em seu peito. Ela se assusta quando olha para o lado e ver a hora, 05:30 da manhã, ainda era cedo.

- Jas... acorda.

            Ela Lucas, se ele estava em sua porta, temia pelo pior. Ela levanta com cuidado para não acordar a mulher, abre a porta e encara o amigo, não era preciso palavras, ela sabia o que significava. Lucas vai e abraça a amiga, só precisava passar segurança.

- Ele está indo Jas, se quiser se despedir, essa é a hora. Sua mãe acabou de me ligar. Ela precisa de você.

            Jasmine apenas acena com a cabeça, ela não conseguia falar. Entra no quarto mais uma vez e troca de roupa, sem fazer barulho. Quando ia saindo, ela olha para a ruiva dormindo, incerta se ia ou não sem ela.

- Não se preocupe, eu falo para ela. Vocês estão cansadas, e tem a Júlia, eu cuido delas para você.

            Essa foi Rebeca. Jasmine apenas assente e acompanha o amigo. Em total silêncio eles entram no carro. Jasmine não sabia que pensar ou sentir, a única coisa que vinha a cabeça era que independentemente de qualquer coisa, seu pai estava morrendo, e isso mexia com os sentimentos de qualquer pessoa com alma. Minutos depois já estavam em frente a grande mansão dos Albuquerque, vários carros estavam estacionados. Provavelmente os tios da loira estavam ali, o pensamento de eles estarem desejando a morte do irmão pensando na herança a domina, mas mal sabem eles que com certeza apenas o nome de Fernando apareceria no testamento, foi o que a loira imaginou.

- Você consegue.

            Ela escuta o amigo dizer ao sentir a mão dele apertar seu joelho. Era melhor acabar logo com isso. Ela respira fundo e sai do automóvel, logo estão dentro da casa, e foi inevitável, todos os olhares foram para ela. Os tios, os primos, os empregados, todos. Ela não fala com ninguém, assim como ninguém teve coragem de falar com ela, apenas olhares eram trocados e isso a deixou mais nervosa. Lucas segura firme em sua mão e direciona os corpos para a escada. A loira já sabia o caminho, então para em frente a porta da suíte principal, o choro de Juliana poderia ser ouvido do lado de dentro.

- Vai dá tudo certo.

            Lucas beija sua bochecha e empurra a porta devagar. Estava a mãe sentada em uma cadeira ao lado da cama, um padre e um médico. Todos olhavam com compaixão para o homem. Juliana encara a filha, seria uma alucinação tê-la ali? Ela levanta e vai ao encontro do corpo da menor, alucinação ou não, ela precisava daquele contato. Jasmine se deixa derramar lágrimas, ver a mãe assim tão frágil era doloroso.

- Jasmine, você está aqui filha.

- Sim mãe, estou.

            Elas se apertam forte, era real o contato. Estavam presas em uma bolha só delas, mas então escutam o homem tossir. Elas se separam e olham para a cama. Abelardo lutava para conseguir olhar para a única pessoa que queria se despedir antes de partir, ele se punia, pois pensava que morreria sem ver sua filha uma ultima vez.

- Jas... Jasmine.        

            A loira respira fundo e vai para perto, sentando na cadeia onde antes a mãe estava, Juliana fica atrás da filha. Os olhos dos dois se conectaram, ele não poderia falar tudo que queria, mas bastava ter o perdão da filha para poder partir em paz. O homem estende a mão e Jasmine a segura, apertando com força. Ela já chorava, assim como ele.

- Me... me perdoe.

            O coração da loira acelerou. Ela nunca ouviu aquela palavra sair da boca do homem. Talvez o que diziam da morte fosse verdade, talvez passasse visões de toda a vida, para no final saber do que deveria se arrepender, e o maior arrependimento de Abelardo Albuquerque foi ter sido tão injusto e cruel com a filha, e a única forma de partir em paz era através do seu perdão.

- Pai... – Ela fala baixo.

- Por... por favor... me perdoe.

- Sim. – Ela diz sincera, porque era verdade. – Eu perdoo você.

            O homem lançou um sorriso para a filha e a esposa, um “Eu amo vocês” e um último suspiro, foram as três coisas que Abelardo fez antes de fechar seus olhos. Seu coração parou e seu peito deixou de subir e descer. Ele partira, mas todos naquela sala sabiam que ele partiu em paz. Jasmine deita sua cabeça ao lado da cama ainda segurando a mão do homem com força, Juliana senta do outro lado chorando encostando sua cabeça no peito do marido. Era o fim para Abelardo Albuquerque.

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- Me leve até ela.

            Bárbara disse direta depois de Rebeca contar o que aconteceu, elas já estavam trocadas e a pequena também, depois de alimentar a criança elas saíram em direção à mansão. A ruiva estava nervosa, e isso piorou quando viu o tamanho da mansão, agora ela pôde ter uma ideia da imensidão da riqueza da família de sua namorada. Ela pega a filha e se encaminha para a porta, junto com Rebeca. Quando entram, as atenções vão para elas. Elas veem Lucas sentado no sofá, quando ele as ver corre e a abraça a namorada.

- Ela está lá em cima. Ela precisa de vocês.

            Foi o suficiente para Bárbara saber o quanto a mulher que amava estava abalada. Logo estavam dentro de um quarto. O antigo quarto da loira, que não foi mudado nada. Jasmine sente o delicioso perfume de sua filha inundar o ambiente. Era só isso que ela queria, as duas mulheres de sua vida junto dela. Não espera e corre para abraçá-las, chorando dolorosamente no peito da ruiva. Bárbara sabia que, mesmo depois de tudo que o pai fez, ela sentiria essa perda. Jasmine tinha um bom coração, era seu pai, sua família, ela iria chorar, porque era humanamente impossível não o fazer.

- Estamos aqui meu amor. Estamos aqui.

            A ruiva fala ao acariciar os cachos da amada e apertá-la o máximo que podia. Jasmine só podia chorar, mas ela chorava também de alívio, pois no fim ela conseguiu dá o perdão, e isso a deixava orgulhosa de si mesma. Júlia, queria abraçar e beijar a mãe por ela estar chorando. Ela odiava aquilo. Então ela puxa o cabelo da loira.

- Mama, mama. “Chola” no no. – Ela diz balançando a cabeça negativamente.

 

            Jasmine eleva a cabeça e encara a pequena. Um sorriso tímido surge em seu rosto. Era apenas isso que ela precisava. Júlia era seu ponto de faz e felicidade. Sua família eram aquelas duas mulheres. 

Nome: lay colombo (Assinado) · Data: 29/08/2017 12:17 · Para: 33

Pelo menos ele se arrependeu, tanta gente q morre com ódio no coração e sem adimitir os erros q cometeram.



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