Três lados para uma moeda - jasmine (livro 2) por Raquel Amorim


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- Você não vai atender?

            Bárbara pergunta para a namorada. Jasmine olhava fixamente para o aparelho. Era uma chamada de vídeo de Lucas. Apesar que querer muito desejar felicitações ao amigo, ela temia por mais alguém aparecer nessa chamada.

- Não sei.

- Amor. Ele é seu amigo. E nos ajudou, mesmo não o conhecendo, eu sou grata a ele. E seja lá o que está temendo terá que enfrentar.

- Ok. – A loira suspira. – Você tem razão, mas me dê minha filha, vou apresentá-la a meu amigo, e você também, vem aqui.

            Jasmine pega a pequena no colo e logo depois atende a chamada, estando sentada na cadeira do escritório.

- Hey, olha só que coisa fofa.

- Sim, minha filha é linda não acha?

- Meu Deus Jas. Ela é muito fofa.

            O amigo admirava com cautela a criança e de fato ela é perfeita. Com aqueles olhinhos claros e o sorriso sapeca. Entendia perfeitamente porque a loira se apaixonou por aquele ser especial.

- Lucas, essa aqui é a mulher da minha vida. Bárbara, a mãe de Julia. Diga oi amor.

- Olá. Prazer em finalmente conhecer você Lucas.

- É uma honra também querida. E serei eternamente grato por fazer essa cabeça de vento feliz e colocar essa coisinha fofa na vida dela.

- Eu que agradeço por tê-la em minha vida. Minha filha a ama, e isso para mim já é o bastante.

- Certo, certo, vejo que vocês estão completamente apaixonadas. Também quero te apresentar alguém Jas. Amor. – Então uma loira aparece na imagem. – Essa aqui é a Rebeca.

- Olá Jasmine, já ouvi falar muito de você. – A mulher sorri simpática.

- Espero que só coisas boas. Prazer em te conhecer Rebeca.

- O prazer é meu. – Então elas escutam a voz de uma mulher chamando. – Tenho que ir, a senhora Albuquerque está me chamando. – A loira beija a bochecha do namorado e sai.

- Ela está aí?

- Sim, estão todos aqui. Você...

            Ele não termina, mas todos sabem qual seria a sua pergunta. Jasmine respira fundo e resolve fazer o certo, apesar de tudo, era a sua mãe, e no fundo ela queria vê-la, saber que estava bem.

 - Tudo bem, eu vou falar com ela.

            A loira fala e sente um aperto da mão da namorada em seu ombro. A pequena se move em seu colo, os olhinhos também atentos ao celular. Jasmine até cogitou dizer a Bárbara para tirar a pequena da sala, mas precisava sentir Júlia perto de si para conseguir ter aquela conversa com a mãe. Então logo ela ver a imagem da mulher na tela, estava abatida, mais magra, com certeza lutando pela doença do marido.

- Oi mãe.

            As lágrimas de Juliana foram inevitáveis. A filha dela estava linda, e a cena dela segurando aquele bebê encheu seu coração de felicidade.

- Jasmine. Meu Deus, você... você está linda meu amor.

- Você... como você está?

- Eu... eu acho que bem, seu pai...

- Não mãe, não me fale dele, eu não quero saber. Estou falando apenas com você. – A loira mais nova logo trata de mudar de assunto. – Quero te apresentar duas pessoas. Essa aqui é a Júlia, minha filha. A pessoa que mais amo nessa vida. Diga oi meu amor. – Jasmine disse olhando para a criança em seu colo, que coloca mais uma vez a mão dentro da boca e depois faz seus sons estranhos, mas fofos.

- Ela é tão linda filha. Fico feliz que esteja bem. – E era verdade, a mulher estava muito feliz.

- Sim, eu a amo com todas as minhas forças e isso me leva a outra mulher da minha vida. Mãe, essa aqui é a Bárbara, mãe dessa coisinha linda. – A ruiva aparece na tela do celular.

- Olá senhora Albuquerque, é um prazer conhecê-la.

- Por favor querida, me chame de Juliana. E o prazer é todo meu. Eu agradeço por fazer a minha filha feliz. Serei eternamente grata.

- Não me agradeça por isso, essa loira aqui que me salvou, literalmente, a mim e a minha filha.

- Ainda assim, obrigada.

- Certo, amor, vou levar a Júlia lá para fora. Você ficará bem?

- Sim. – Ela olha para a filha. – A mamãe já vai meu amor, não aceite nada que seu titio der a você. – Ela se inclina e beija a bochecha da filha.

- Foi um prazer Juliana, espero que um dia possamos nos conhecer pessoalmente. Até mais.

- Eu também. E sua filha é linda.

- Obrigada. Vem meu amor, vamos salvar o titio Pietro do titio André. – Ela pega o bebê e depois se inclina beijando de leve os lábios da namorada. – Estarei lá fora se precisar, eu amo você.

- Eu também te amo.

            As duas sorriem, a ruiva dá um último aceno para a mais velha e sai. Juliana admira a cena das três, elas já eram uma família, o que complicava mais as coisas, dessa forma Jasmine nunca voltaria para Minas Gerais e aquilo a angustiava.

- Então, vocês são lindas juntas.

- Sim, nos amamos, e eu amo a Júlia, eu a quero como filha. Ela é minha filha.

- Eu... eu fico feliz. Quer dizer, é uma grande responsabilidade, mas vejo que está decidida a fazer isso.

- Sim, com toda a certeza. Mesmo se eu e Bárbara não dermos certo, eu a quero como filha.

- Uau, você está mesmo decidida a fazer isso.

- Sim mãe, e espero que respeite minha decisão.

 - Querida não, eu não vou te julgar, por favor, não pense pior, eu só fiquei surpresa, mas se está feliz é isso que importa.

- Sim, eu estou feliz, elas me fazem feliz.

- Então... não pretende voltar? – Jasmine suspira.

- Mãe, me desculpe, mas eu não tenho motivos para voltar, estou refazendo minha vida. Conheci pessoas maravilhosas, as únicas pessoas que me importam aí é você e o Lucas. Mas meu amigo me prometeu cuidar de você até onde for possível. Eu não vou jogar minha felicidade no lixo de novo por causa dele.

- Ele... ele está doente filha e seu irmão...

- Não! Eu não quero saber, pode ser egoísta, pode ser cruel, mas eu não quero saber, pelo menos não agora. Eu não posso, eu ainda não superei, eu estou feliz, não me peça para voltar, não agora.

            Bárbara suspira, Lucas tinha razão, ela não poderia pedir para a filha voltar. Não depois de ela não ter ficado ao lado de Jasmine quando ela mais precisou. A mulher estava feliz, tinha uma família e uma filha que era perfeita. Os dois homens eram problemas dela.

- Eu não vou te pedir isso Jasmine, eu não vou estragar a sua felicidade de novo.

- Obrigada. Eu... eu tenho que ir, ninguém consegue acompanhar o ritmo de Júlia ela estar querendo dá os primeiros passinhos, e só quer ficar no chão, Bárbara diz que só eu tenho paciência o que é verdade.

            A loira fala com um sorriso enorme e os olhos brilhando. Juliana nunca seria capaz de acabar com aquela felicidade da filha, não dessa vez.  

- Tudo bem. Eu... espero que mantenha contado.

- Eu vou, sempre que quiser pode pedir para o Lucas me ligar.

- Sim, sim, e se possível sempre me deixe ver minha neta... quero dizer.... – Ela para de falar constrangida.

- Tudo bem mãe. – Jasmine sorrir, aquilo a deixou feliz. – Se ela é minha filha, então é sua neta. Obrigada por isso. Eu... eu amo você. Até mais.

- Eu... eu também te amo Jasmine. – O coração da mais velha já disparava, escutar tais palavras da filha era algo muito bom. – Eu entrarei em contato.

 

            Então elas deligam. Era isso, Jasmine conseguiu seguir em frente, estava feliz, e Juliana nunca seria capaz de destruir a vida da filha mais uma vez, o filho e o marido eram problemas dela, e ela iria lidar com ele sozinha. Já Jasmine sentia que tirou um peso das costas. Ela queria se sentir mal pelo pai, mas não conseguia, ele não estragaria sua vida mais uma vez, era melhor ela saber o menos possível, nesse momento ela só queria beijar sua namorada e pegar sua filha no colo. As duas mulheres que importam em sua vida. 

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