Ones musicais por Raquel Amorim


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Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=GiXHRwNTu_I

 


“Tu é trevo de quatro folhas
É manhã de domingo à toa
Conversa rara e boa
Pedaço de sonho que faz meu querer acordar
Pra vida
Ai ai ai

Tu, que tem esse abraço casa
Se decidir bater asa
Me leva contigo pra passear
Eu juro afeto e paz não vão te faltar
Ai ai ai

Ah, eu só quero o leve da vida pra te levar
E o tempo para, ah
É a sorte de levar a hora pra passear
Pra cá e pra lá, pra lá e pra cá
Quando aqui tu tá

Tu é trevo de quatro folhas
É manhã de domingo à toa
Conversa rara e boa
Pedaço de sonho que faz meu querer acordar
Pra vida
Ai ai ai

Tu, que tem esse abraço casa
Se decidir bater asa
Me leva contigo pra passear
Eu juro afeto e paz não vão te faltar
Ai ai ai

Ah, eu só quero o leve da vida pra te levar
E o tempo para, ah
É a sorte de levar a hora pra passear
Pra cá e pra lá, pra lá e pra cá
Quando aqui tu tá

Tu
Tu
Tu
Tu

Ah, eu só quero o leve da vida pra te levar
E o tempo para, ah
É a sorte de levar a hora pra passear
Pra cá e pra lá, pra lá e pra cá
Quando aqui tu tá

É trevo de quatro folhas
É trevo de quatro folhas, é 
É trevo de quatro folhas
É trevo de quatro folhas, é”


 

           

Eu tinha uma perspectiva de vida de seis meses, seis míseros meses, uma garota de dezenove anos, iria morrer antes de ter a sua primeira transa, antes de vivenciar as loucuras da faculdade, antes de conhecer a mulher ou homem da sua vida, casar, ter filhos, sim, todos esses sonhos se perderam por um câncer, um maldito câncer nos rins, transplante? Sim, era uma solução, mas até então não tinha doador compatível, passei os últimos três anos em um hospital, ia para casa quando apresentava uma melhora, mas tudo voltava a piorar, até que veio essa notícia, sem transplante eu tinha uma estimativa de vida de seis meses, então pensei, o que fazer em seis meses? Acredito que seja o que todos pensam ao saber que vão morrer, mas o problema é que eu não poderia sair da cama, eu mal podia me mexer, então a situação de fazer tudo que não se fez na vida em seis meses era impossível, a minha condição impedia, eu iria morrer na cama de um hospital com meus pais me observando, então se passaram três meses do prazo, eu ainda estava lá, cada vez mais magra, cada vez mais morta, mais infeliz, então aconteceu, eu tive uma crise, a pior de todas, eu pude sentir que chegou a hora, meu corpo todo doía, meus olhos ardiam, meu coração parecia querer sair pelo peito, eu só pensava em meus pais, em tudo que eles sofreriam, chegou a hora, só escutei minha mãe gritar e tudo escurecer, adeus vida, adeus família, eu apaguei.

- Flávia, consegue me ouvir?

            Eu via aquela luz na minha frente, aquele deve ser o paraíso, acho que eu iria para lá, talvez beijar mulheres não seja tão pecado assim como dizem, afinal estou no céu, certo?

- Flávia. Consegue me ouvir?

            Aquela voz eu conhecia, espera, era o meu médico. Então como se o borrão da minha visão tivesse saído, observo ele mover a luz na frente dos meus olhos.

- Eu não morri?

            Ele sorri e tira a luz, agora posso olhar para ele corretamente.

- Não, querida, e nem vai, pelo menos não por isso.

- Como... como assim? – Gemo ao tentar me mexer, minha barriga doía.

- Calma, você está operada. Então, ontem à noite quando teve a crise, eu estava vindo avisar que conseguimos os rins, você fez o transplante.

- Eu... eu não vou morrer?

- Não pelo câncer, querida, você voltou para nós.

            Essa era a voz da minha mãe que chorava. Ela chegou perto e acariciou meus cachos castanhos. Eu amo tanto a minha mãe.

- Agora você precisa apenas seguir todas as recomendações e em no máximo um mês estará perfeita para viver uma vida normal.

            Eu ainda não sabia o que era uma vida normal, naquele momento só queria chorar junto com a minha mãe.

- Você tem uma sorte muito grande, Flávia, não desperdice essa nova chance.

            Foram suas palavras antes de sair da sala, e eu jurei que não faria isso, não dessa vez. Então fiquei no hospital mais quatro dias, depois fui para casa, um mês depois estava bem, poderia viver minha vida, o problema é que eu não sabia se tinha vida, eu parei há três anos, complemente. A questão agora é, o que fazer? Estava naquele restaurante, olhando as várias pessoas conversarem, sorrirem, e eu observava aquela lata de cerveja na minha frente, beber ou não beber? Já fazia três meses da minha cirurgia, segundo o médico eu podia beber, só não exagerar, eu não bebia antes, então queria experimentar tudo que não fiz. Primero bebida, depois sexo.

- Se continuar olhando assim, ela pode se apaixonar.

            Uma voz soou perto do meu ouvido. Uma mulher, ela era loira, tinha os olhos azuis, sentou ao meu lado e sorriu fraco.

- Desculpe, não queria te assustar, apenas fiquei com pena da latinha, se apaixonar por você deve ser algo fácil.

- Você...

- Olá, sou Beatriz.

- Eu... eu sou Flávia. – Aperto sua mão, era suave, mas ao mesmo tempo firme.

- Então, qual o segredo por trás de ficar encarando a latinha?

- Eu... – Ela era uma estranha, então porque não falar a verdade? – Eu nunca bebi.

- Nunca? Qual a sua idade?

- Vinte.

- Uou, você é um ser raro.

- Não, eu... eu estava doente, desde os meus dezesseis anos ficava indo e voltando de hospitais, agora... eu não vou mais morrer, estou curada e...

- Deixa eu adivinhar, quer fazer tudo que não fez antes?

- Sim. – Respondo baixo, um pouco envergonhada, parece ser idiota escutado saindo de outra boca.

- É compreensível. Ok, e quais os itens da sua lista?

- Hum... beber, fazer uma viagem de carro e... transar.

- Uou, com certeza você é um ser raro.

            Ela sorriu, passamos a conversar, descobri que ela era a dona do restaurante, tinha vinte e cinco anos e era formada em contabilidade. Passei a frequentar o lugar, ficamos amigas, e ela prometeu me ajudar em todos os itens, aos poucos fui cumprindo todos além dos três citados, até que faltou só dois, viajar a transar.

- Ok, não precisamos fazer isso se não quiser.

            Ela disse ao entramos em seu apartamento. Ela prometeu que me ajudaria em tudo e faria. Respiro fundo e me aproximo dela, coloco meus braços em torno do seu pescoço e encaro seus olhos claros, a verdade era que eu aquilo, muito.

- Eu quero fazer, não só por essa lista idiota, e sim porque eu quero, quero que seja com você. Você me fez acordar para a vida, se transformou em meu pedacinho de um sonho que poderei realizar, nossas manhãs de domingos são perfeitas, nossas conversas boas e raras de se encontrar são maravilhosas, você é minha sorte, meu trevo de quatro folhas, esse que não quero perder.

            Ela segura a minha cintura com força e carinho, encosta mais nossos corpos e sorri.

- Eu sempre serei o seu trevo.

            Então me beija, naquele dia não foi só uma perda de virgindade que aconteceu, naquele dia foram dois corpos se conectando de forma que pudessem se conhecer, e depois nunca mais nos separamos, ela era o meu trevo e eu era o seu amor. Até que faltou só um item, esse que faremos no fim do ano, então o fim do ano chegou. Pegamos as malas colocamos no carro, um mês de viagem, um mês conhecendo alguns pedacinhos do Brasil, iriamos fazer um tour pelo Nordeste, o máximo que conseguirmos. Paradas em hotéis de estradas, comidas de postos de gasolina, era tudo simples, mas era exatamente isso que eu queria. Chegamos a um lugar na estrada cheios de montanhas, ela parou o carro e subimos nas pedras, estava no momento do pôr do sol. Então abro os braços aproveitando o vento bater em meu rosto, depois sinto os seus braços ao redor da minha cintura.

- Abra suas asas, querida, abra e sinta.

            Eu senti, minha sorte tinha mudado, porque agora ela sempre estava comigo. Viro meu corpo e a encaro.

- Seus braços são a minha casa, seu abraço é meu lar. Para onde você for eu vou, para onde você passear, voar eu estarei junto. Você é meu trevo, a minha sorte, não ousarei te perder. 

- Você não vai.

            E ela me beija, parece que o tempo para com o seu toque, parece que ela consegue tudo de mim, mas deve ser isso mesmo, ela consegue tudo de mim, porque ela é a minha sorte, o meu trevo de quatro folhas.

- Eu amo você, querida.

- Eu amo você, Beatriz.

 

            Jurei nunca perder a minha sorte, e não ousarei descumprir tal promessa. 

Nome: mtereza (Assinado) · Data: 29/11/2017 23:19 · Para: 22. É TREVO – Anavitória

Muito fofa como a  música e duo que a canta bjs



Nome: perolams (Assinado) · Data: 27/11/2017 14:30 · Para: 22. É TREVO – Anavitória
Essa one merece muito ser desenvolvida como história.

Resposta do autor:

POis é, muitas na verdade, mas vamos ver... Bjussss



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