Enternecer por femarques


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CAPÍTULO 15:

BEATRICE

 

            Quando acordei nesse domingo, me sentindo empolgada em ver Giuliana e ir até a casa de sua mãe, acreditava que seria um dia incrível. Mas agora vejo que me deixei levar por tempo demais, que dar ouvidos a Amber foi um erro, não posso controlar minha vida se algo toma todo o meu pensamento.

            “E ele era incrível, você não acha?”

            Olho para o lado e vejo Amber. Desde que chegamos do almoço e sentamos no sofá para assistir televisão, ela está falando sem parar sobre como adorou a família de Giuliana, principalmente seu irmão. Fico olhando-a e a vejo como se estivesse longe demais de mim. Noto seus lábios se movendo, mas não ouço nada.

            Minhas mãos mecanicamente abrem os papelotes das balas e as levam, uma a uma, a minha boca. Não sei quantas balas já chupei até então.

            Vivi toda a minha adolescência e idade adulta tentando obedecer aos meus pensamentos. Carrego comigo o medo de fazer coisas, de me envolver com pessoas e situações que acabem, no final, me distraindo de meu objetivo. Sou responsável por Amber e não posso permitir que eu sinta vontade de ser como minha família foi.

            Dentro de minha cabeça havia o caos. Os pensamentos que me amedrontavam estavam misturados com os últimos acontecimentos. Por muito tempo não tive contato com uma família tão acolhedora como a de Giuliana, e estaria me sentindo bem agora se aquele beijo não tivesse acontecido.

            Não sabia o que pensar ou como tentar organizar tudo o que estava acontecendo dentro de mim. Era claro que a amizade com Giuliana me fazia bem, conseguia me divertir como há tempos não fazia, e mesmo que sentisse medo de que com ela eu acabasse relaxando demais, algo nela me deixava bem. Quando saíamos, parte minha se sentia segura, como se estar com ela me garantisse que não preciso passar vinte e quatro horas do dia me controlando.

            Atração por uma garota era algo novo, aliás, me sentir atraída por alguém era algo novo. Não pensava em nada disso, e agora, como um martelo que não cessa, me lembrava de tudo o que Amber disse sobre eu poder me interessar por ela, de como meu corpo todo se tornou vivo quando seus lábios tocaram os meus.

            Respiro fundo quando me lembro do beijo, com dificuldade, como se precisasse puxar o ar com toda a minha força. O tempo parou naquele instante em que, por erro nosso, por descuido, por falta de atenção, nos beijamos. O constrangimento que senti com as perguntas de Constance durante o almoço se transformaram em culpa quando a beijei, por ter me sentindo tão viva na hora, mesmo achando errado.

            “Você está bem, Bea?” Amber me pergunta, virando-se de frente para mim.

            Antes que eu pudesse responder, meu celular toca em cima da mesa de centro e vejo que é Giuliana me ligando. Sinto meu estômago embrulhar e meu coração bater tão rápido que a veia em meu pescoço pulsa.

            Atendo-a, sentindo o nó em minha garganta ser maior do que a capacidade de falar. Ela me chama para um café, mesmo que tenhamos acabado de nos ver. Não era o melhor momento para mim, que me sentia tão assustada com tudo, com essa situação tão nova para mim. Amber está me encarando e Giuliana esperando uma resposta. Era melhor encarar Giuliana do que encher minha cabeça com as ideias de minha irmã.

 

            Usando ainda o mesmo vestido em que fui até a casa de Constance, entro no café e me sento de frente para Giuliana, cumprimentando-a de longe.

            “E então, tudo bem?” Ela pergunta, falando rápido demais.

            Sorrio para ela, tentando me concentrar naquele momento, mas meus olhos desviam a todo momento para sua boca. “Tudo. E com você?”

            “Ah, sim. Tudo bem comigo.”

            Calafrios percorrem meu corpo, terminando logo abaixo do umbigo, no pé da barriga. A olhava e pensava em como queria experimentar seu beijo de novo, há quanto tempo não sou beijada por ninguém. Será que nesse tempo todo eu sempre gostei de garotas e só soube agora? Como Giuliana conseguiu me fazer sentir assim?

            Respiro fundo, tentando afastar pensamentos desse tipo e me concentrar em nosso encontro.

            “Bea, queria me desculpar de novo pelo...”

            Ela vai falar do nosso beijo. E vai se desculpar. É claro que ela não se sente como eu, não ficou transtornada como fiquei.

            “Você não é a Beatrice?” Um garoto aparece em nossa mesa, interrompendo Giuliana.

            “Sou.” Respondo enquanto me ajeito na cadeira, me sentindo desconfortável. Olho para ele de relance e nada me chama a atenção. Cabelos ruivos e encaracolados, o rosto jovem demais marcado por sardas, destacando os olhos castanho claro.

            “Não lembra de mim?” Ele pergunta apontando agora para si mesmo.

            Não consigo responder nada, apenas o encaro. Seu rosto não me traz lembrança alguma, como todos os outros que passam por mim todos os dias.

            “Você já me ajudou a encontrar vários livros na Booksellers.” Ele abre um sorriso enorme e seus olhos brilham.

            “Ah.” É tudo o que consigo responder.

            “Quer sair comigo qualquer dia desses? Podemos conversar sobre livros.”

            Deixo meu queixo cair e desvio o olhar dele. Olho para Giuliana, que o encara perplexa. Minha falta de interesse no garoto é algo além de meus problemas. Eu tinha certeza, agora, de que não queria me envolver com ele e com nenhum outro. A ideia me deixa ainda mais assustada e agora meu corpo todo parece perder a força.

            “Ela não quer, amigo. Sinto muito.”

            Olho assustada para Giuliana quando a mesma responde por mim, arregalando os olhos em sua direção.

            “Se nos dá licença.” Giuliana diz, se levantando. O garoto me olha sem reação, mas não tanto quanto eu. O máximo que consigo fazer é revezar meu olhar entre eles, sem acreditar no que ela está fazendo.

            Ela se senta quando o garoto se afasta constrangido e contrariado, e balança a cabeça de um lado a outro, notavelmente irritada com o convite que recebi.

            “O que foi isso, Giuliana?” Pergunto rispidamente, inclinando meu corpo um pouco para a frente, tentando diminuir a distância entre nós para que eu consiga falar baixo, para que ninguém nos ouça.

             “Ué, você não ia sair com um cara desses.”

            “É? Por que?”

            “Qual é, Bea. Ele ainda era um menino e você não gosta de relacionamentos que te distraiam de sua rotina.”

            Encaro-a e cruzo meus braços, voltando a me encostar na cadeira. Não acreditava que ela estava usando isso como argumento. Além de não saber nada do que se passa comigo e de como penso, usava algo que contei a ela para querer me impedir de sair com aquele pobre garoto.

            “Você não sabe nada sobre a minha rotina e o que eu quero ou não fazer. Você também não pode responder as coisas por mim.” Começo a sentir minhas mãos suarem e já não sei mais o que fazer com nossa situação.

            “Desculpa, mas não achei que ele fosse o melhor para você, Beatrice. Mas quer sair com ele, ainda dá tempo se correr.” Ela responde com as mãos espalmadas em minha direção, mas sem esconder sua irritação, deixando claro que seu pedido de desculpas não era verdadeiro.

            “Você não tem o direito de achar o que é melhor ou não para mim, nós somos apenas amigas.”

             “Jura? Que bom saber que somos apenas amigas, eu nunca quis nada além disso.”

            Franzo o cenho e abro a boca, mas não consigo dizer nada. Balanço a cabeça em negativa e quero sair de perto dela. Me levanto, ainda muda, e saio da cafeteria.

            Corro para meu apartamento com o nó na garganta de mais cedo tão insuportável que meus olhos se enchem de lágrimas. Fico ainda mais irritada por estar chorando por Giuliana e não por mim, por nenhum de meus medos. É claro que gostar dela era errado, que nossa amizade era a única coisa que queria comigo.

            A angústia de toda a situação, de não saber o que tudo isso significava e de não ter solução alguma para isso ou forma de lidar, me tomavam completamente. Tudo estava fora do lugar, errado. A melhor coisa que eu poderia fazer agora era me trancar em casa e evitar que buscasse alívio para meu desespero em lugares perigosos, ao menos para mim.

 

            Entro em casa e passo por Amber com pressa, me tranco em meu quarto e me jogo na cama. Não queria pensar em mais nada, apenas me concentrar em voltar a ser como eu era antes de Giuliana.

Nome: Teresa (Assinado) · Data: 16/10/2016 00:14 · Para: Capítulo 15

Tá cada vez melhor! Adorei saber a versão dela. O que ela sente. Ainda estou curiosa porque ela afasta as pessoas e não quer sair da rotina.



Resposta do autor:

Oi, Teresa,

Fico bem feliz que você esteja gostando.

Aos poucos, você vai descobrindo esse mistério que rodeia Bea. 

Beijos, 



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 14/10/2016 04:10 · Para: Capítulo 15
Vixe. Esse descontrole e insuportável para Beatrice. Ela não vai mais querer ver a giu.

Resposta do autor:

Oi, Patty

Realmente, esse descontrole é bem complicado mesmo. Mas vamos ver se ela vai resistir aos encantos de Giu. kkk

Beijos, 



Nome: Ada M Melo (Assinado) · Data: 14/10/2016 02:36 · Para: Capítulo 15

fiquei com o gostinho de quero mais!!!kkkkkk



Resposta do autor:

Oi, 

haha Capítulo pequenino, ne? Mas jaja vem mais um

Beijos, Ada,



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