Enternecer por femarques


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CAPÍTULO 13:

GIULIANA

 

            Volto para dentro da casa de minha mãe, após acompanhar Beatrice e Amber até o táxi, sem saber o que pensar sobre o que aconteceu. É claro que não foi proposital, mas ainda assim, não conseguia me sentir arrependida. Foi rápido demais, e ao mesmo tempo, parecia que o tempo havia parado naquele segundo em que meus lábios tocaram os dela.

            Não tem como isso ser mais errado, não tem como eu estar me enganando mais do que isso. Beatrice gosta de homem e eu não quero estragar a nossa amizade, além do que, gostar dela me faria perder todo o sistema de não me envolver que construí.

            Minha mãe corre em minha direção quando abro a porta e entro, segurando meu rosto com as duas mãos, apertando minha bochecha de modo que faço um pequeno bico com os lábios.

            Ela me encara com a cabeça erguida por eu ser mais alta do que ela e sorri como se hoje fosse o dia mais feliz de sua vida.

            “Beatrice é uma garota adorável! Ela é educada, bonita, gentil e ainda gosta dos costumes ingleses.”

            “Como sabe disso?” Pergunto com a voz estranha por ela ainda estar segurado minhas bochechas.

            “Conversamos e ela me disse que adora cozinhar e foi ensinada a fazer as coisas de modo tradicional.”

            Reviro os olhos e respiro fundo. Tente esquecer o que aconteceu, vamos lá.

            “Ela é uma adorável amiga”. Digo dando ênfase ao “amiga”, falando a palavra bem devagar.

            Minha mãe me solta e agora é sua vez de revirar os olhos. Ela bate com a mão no ar, como se dissesse que não acredita em mim.

            “A senhora pode tirar o seu cavalinho da chuva.” Junto as sobrancelhas ao dizer isso para ela e vou até a sala pegar a chave do carro.

            Procuro por Abigail e Callie para irmos embora. Nos despedimos de toda a minha família e seguimos para minha casa.

            No meio do caminho, enquanto dirigia, Abigail se ajeitou no banco de passageiro ao meu lado e pigarregou.

            “Aquela garota é uma graça.”

            Ela diz baixinho, como se estivesse receosa com seu comentário, apesar de seu tom de voz ser firme. Rio baixo e balanço a cabeça, será que minha família toda queria acreditar que Beatrice e eu tínhamos algo?

            “Ela é sim, Abigail.”

            “Você poderia convidá-la para ir a sua casa qualquer dia desses, posso fazer um chá da tarde.”

            Rio alto agora e a olho enquanto estamos paradas no semáforo.

            “Ela conhece a minha casa, esteve lá outra noite para assistir a um filme comigo.”

            “Como é?” Calliope pergunta, com a voz aguda demais, alta demais. Ela apoia os braços nos bancos da frente e joga seu copo por entre eles, ficando entre mim e sua avó. Olho para ela de lado, com uma sobrancelha arqueada.

            “Calliope, por favor.” Abigail a repreende e volta a falar comigo.

            “Deveria ter me avisado, teria deixado algo para vocês comerem.”

            “Eu pedi algo para comermos, não se preocupe.”

            “Então a convide novamente.”

            Olho para o lado e pisco para ela, dando-lhe um sorriso largo.

            “Sim, senhora.”

           

            Chegamos em casa meia hora depois e eu corro para o meu quarto para tirar a roupa apertada. Visto uma calça de moletom, minhas preferidas, e uma camiseta de malha preta. Respondo a uma mensagem de Matteo, me chamando para sair, e digo que estou cansada por ter passado a tarde na casa de minha mãe.

            Vou para a sala e me deito no sofá. Ligo a televisão e começo a assistir a uma série.

            Estou deitada onde Beatrice esteve aquele dia. Me lembro de como ela ficou à vontade, mas também se encolheu toda quando falou de si. De repente, a imagem de seu corpo sentado ali parecia real demais em minha cabeça, nítida demais. Queria acreditar que esses pensamentos existem apenas pela influência do que meus amigos disseram, colocando coisas em minha cabeça. Não era a melhor decisão para ninguém que algum sentimento além de amizade fosse criado nessa relação.

            Eu não podia gostar dela e motivos não me faltavam, além disso, entraria em um relacionamento platônico e viveria sofrendo, e sofrer tudo de novo era algo que não estava nos meus planos por muito tempo. Não. Não estava nos meus planos pelo resto da minha vida.

            “Giuliana?”

            Alguém me chama baixo, mas com um tom de voz ríspido. Pisco os olhos algumas vezes e percebo que me perdi em pensamentos.

            Quando consigo voltar a realidade, vejo Calliope parada a minha frente, com os braços cruzados e o rosto notavelmente emburrado. Encaro-a sem entender o que está acontecendo e franzo a testa.

            “O que foi, menina?” Me ajeito no sofá, me sentando nele com uma perna esticada a frente e a outra com o joelho dobrado.

            “Você está saindo com aquela garota?”

            Arregalo os olhos para ela e começo a rir.

            “Não é da sua conta.”

            “E você gosta dela? Até a levou para conhecer seus pais.”

            Reviro os olhos e respiro fundo bem devagar. Que belíssimo dia hoje está se tornando.

            “Callie, eu gosto, como amiga. Mas isso não é algo que te diga respeito.”

            “Então porque você fica sorrindo para ela?”

            “Olha, eu achei que você soubesse que o que você tem comigo nunca vai passar de sexo. A gente se diverte, se conhece, mas como amigas. Você sempre saiu comigo e foi a eventos comigo como minha amiga. Não interessa se eu gosto ou não de Beatrice. Agora me dá licença.” Faço sinal com a mão para ela, para que saia da frente da televisão.

            “Pois parece que você gosta muito dela. E quer saber? Achava que o que você tinha passado com seu último namoro tinha te feito aprender alguma coisa. Cuidado.”

            “Vai a merda, Calliope.” Me levanto e a deixo indignada e sozinha na sala.

            Por que todo mundo que está perto de mim tem que insistir nisso? Estou deixando tão claro assim que talvez eu goste dela? É claro que gosto de passar um tempo com ela, nós nos divertimos, damos risada, a faço rir mesmo sendo mal humorada, e consigo conversar com ela sem pensar em mais nada.

            Já dentro do quarto, me encaro no espelho do guarda-roupas e repito tudo o que pensei. Minha respiração pesa conforme a ansiedade de pensar em tudo isso cresce. Levo as mãos até meus cabelos e os coloco para trás, balançando a cabeça de um lado para o outro.

            “Mas que droga, Giuliana.”

            Tiro minha roupa rapidamente e visto uma calça jeans com uma camiseta. Precisava ver Beatrice e ter certeza de que ela estava com o que beijo que aconteceu mais cedo. Precisava ter certeza do que estava sentindo ao seu lado, deixando em mim a esperança de que eu perceba que o gostar dela não passa de amizade.

            Aviso a Abigail que vou sair quando passo com pressa por ela na cozinha. Dirijo o mais rápido que posso até sua casa, quando penso que não posso aparecer de surpresa. Dou várias voltas em sua rua com o carro enquanto procuro alguma desculpa para aparecer, até que passo em frente ao café na esquina da rua de sua casa, o mesmo que já nos encontramos antes.

            Estaciono o carro e entro ali. Me sento na mesma mesa e respiro aliviada por estar cheio, pelo menos passaria despercebido caso ela não quisesse me encontrar, achando que a beijei de propósito.

            Enquanto digo a garçonete que quero um café, ligo para Beatrice, que demora para me atender.

            “Oi.”

            Fecho os olhos e os pressiono quando escuto sua voz do outro lado da linha. Ela parece rouca e fala baixo demais.

            “Oi, Bea.”

            “O que aconteceu?” Ela pergunta, sem paciência.

            “Então, tive uma reunião de última hora com um fornecedor e estou aqui no café perto da sua casa. Pensei em te chamar para tomar um chá.”

            “E não tinha uma café perto do seu trabalho?”

            Começo a rir com seu comentário, mesmo achando-a estranha. Beatrice parecia estar se comportando como quando nos conhecemos.

            “Eu gosto desse. Então, quer vir?”

            Ela demora para responder, mas acaba concordando com um suspiro ao final da frase. Depois que desligamos a chamada, não sei quanto tempo demora para ela aparecer, mas é algo que parecia com uma eternidade. Nesse meio tempo tomo dois cafés.

            Ela aparece com o rosto pálido e assustado, usando ainda a mesma roupa que usou para o almoço em minha mãe. Me cumprimenta de longe e se senta a minha frente.

            “E então, tudo bem?”

            Beatrice me sorri, mas algo parece errado. “Tudo. E com você?”

            “Ah, sim. Tudo bem comigo.”

            Nos encaramos em silêncio por um período constrangedor de tempo. Consigo escutar minha própria respiração e observo atentamente cada vez que ela pressiona os lábios e depois os umedece com a ponta da língua.

            “Bea, queria me desculpar de novo pelo...”

            Sou interrompida quando um garoto bastante jovem se aproxima de nós e para em frente a nossa mesa, ficando entre nós duas.

            “Você não é a Beatrice?” Ele pergunta apontando um dedo para ela, deixando sua cabeça deitada um pouco de lado.

            “Sou.” Ela responde com o rosto todo ruborizado.

            “Não lembra de mim?” Ele pergunta apontando agora para si mesmo. Com certeza o garoto tem problemas com gestos.

            Me encosto na cadeira e cruzo os braços, esperando que ele termine de falar.

            “Você já me ajudou a encontrar vários livros na Booksellers.” Ele abre um sorriso enorme e seus olhos brilham.

            É garoto, ela sabe achar livros. Agora sai daqui.

            “Ah.” É tudo o que Beatrice consegue responder.

            “Quer sair comigo qualquer dia desses? Podemos conversar sobre livros.”

            Arregalo os olhos quando o escuto. Como é? Esse garoto deve ter a idade de Francesco, mal sabe abordar as pessoas sem pedir licença, garoto sem educação, e acredita que consegue sair com Beatrice?

            “Ela não quer, amigo. Sinto muito.”

            Beatrice me olha assustada, os lábios entreabertos, o queixo caído e os olhos arregalados. Ela olha para mim e para o garoto algumas vezes, sem dizer nada.

            “Se nos dá licença.” Digo a ele e me levanto, esperando que ele saia. Ainda assim, ele insiste em esperar alguma resposta dela, mas como nada sai de sua boca, ele acaba desistindo e se retira.

            Me sento de novo e balanço a cabeça de um lado a outro.

            “O que foi isso, Giuliana?”

            Dou de ombros e rio baixinho. “Ué, você não ia sair com um cara desses.”

            “É? Por que?”

            “Qual é, Bea. Ele ainda era um menino e você não gosta de relacionamentos que te distraiam da sua rotina.”

            Ela me encara, irritada e cruza os braços. Umedece novamente os lábios e quando a vejo fazendo isso mais uma vez, preciso piscar com força para afastar da mente a lembrança do beijo.

            “Você não sabe nada sobre a minha rotina e o que eu quero ou não fazer. Você também não pode responder as coisas por mim.”

            Levanto as mãos e as deixo no ar, espalmadas em sua direção.

            “Desculpa, mas não achei que ele fosse o melhor para você, Beatrice. Mas quer sair com ele, ainda dá tempo se correr.”

            Tenciono o maxilar e a encaro, deixando claro minha irritação.

            “Você não tem o direito de achar o que é melhor ou não para mim, nós somos apenas amigas.”

            Rio alto, mas sem achar graça alguma. “Jura? Que bom saber que somos apenas amigas, eu nunca quis nada além disso.”

            Beatrice franze o cenho e abre a boca, mas permanece muda. Ela apenas balança a cabeça em negativa e se levanta, empurrando a cadeira para trás de uma forma barulhenta.

            Sem dizer nada, ela se retira do café e a vejo passar por mim do outro lado da janela de vidro. Ela caminha a passos largos até que eu a perca de vista.

            Fico encarando seu lugar vazio e a sensação que tenho agora dentro de mim é horrível, mas ainda estou com raiva demais para ir atrás dela. Só queria o melhor para ela e não merecia que ela descontasse seus problemas em mim.

 

            Pago por meus cafés e volto para a casa, onde encontraria algo para fazer e esquecer dessa briga idiota, mas que apesar de idiota, me incomodava de um jeito estranho.

Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 06/10/2016 21:37 · Para: Capítulo 13
Aí ai ai.a difícil aceitação de q tem algo a mais. Bj

Resposta do autor:

kkkkk Num é, Patty.

Vamos esperar pra ver essa aceitação..

Beijos,



Nome: Flavia Rocha (Assinado) · Data: 06/10/2016 09:18 · Para: Capítulo 13

Muito boa a história. Tô morrendo de curiosidade de saber qual transtorno a Bea tem, só desejo que tenha cura. E a Giu tem muita paciência. Parabéns pra ela.

Tô ansiosa pro próximo capitulo.



Resposta do autor:

Oi, Flavia, tudo bem?

Obrigada pelo elogio e por ter vindo por aqui.

Então, Bea tem algo, né? Ja deu pra perceber...Giu vai ser de grande ajuda nisso.

Próximo cap sai jaja. kkk

Beijos, 



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