Ones musicais por Raquel Amorim


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Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=k4V3Mo61fJM

 


“Quando você tenta o seu melhor, mas não tem sucesso


Quando você consegue o que quer, mas não o que precisa
Quando você se sente cansado, mas não consegue dormir
Preso em marcha ré

Quando as lágrimas começam a rolar pelo seu rosto
Quando você perde algo que não pode substituir
Quando você ama alguém, mas é desperdiçado
Pode ser pior?

Luzes te guiarão até em casa
E aquecerão seus ossos
E eu tentarei consertar você

Bem no alto ou bem lá embaixo
Quando você está muito apaixonado para esquecer
Mas se você nunca tentar, você nunca saberá
O quanto você vale

Luzes te guiarão até em casa
E aquecerão seus ossos
E eu tentarei consertar você

Lágrimas rolam no seu rosto
Quando você perde algo que não pode substituir
Lágrimas rolam pelo seu rosto
E eu

Lágrimas rolam pelo seu rosto
Eu te prometo que vou aprender com meus erros
Lágrimas rolam pelo seu rosto
E eu

Luzes te guiarão até em casa
E aquecerão seus ossos
E eu tentarei consertar você”


 

            É sim meio hipócrita pensar dessa forma, saber que você pode ter tudo aos seus pés, porém não tem o que mais quer. Poderia dizer amor, poderia dizer atenção, mas a quem eu quero enganar? Eu só queria uma coisa, uma mãe. Claro que eu tenho uma, claro sim, mas amá-la é doloroso, pois ela não consegue ver além da minha casca, ela não consegue ver além do status de “gay” estampado em minha testa. Dinheiro, riquezas, mansões, carros do ano, tenho isso tudo, afinal ser filha de um governador deve valer de alguma coisa, mas até aqui eu não sou nada, tentei o meu melhor e não tive sucesso, porque para a minha mãe, o meu sucesso não virá comigo me “esfregando” com uma mulher. Tenho dezenove anos, curso direito, moro em Los Angeles e vivo cercada de no mínimo dois seguranças. Claro, uma vida de princesa, uma princesa sem coroa e sem mãe, que era o que eu mais queria.

- Ester, endireite essa postura.

            Minha mãe fala no meu ouvido, era um comício do meu pai, e claro que eu deveria estar ali, afinal, eu era a única filha do tão famoso governador Pterson Taylor. Eu bufo mais uma vez e volto a sorrir para o público, meu pai discursava com elegância, ele tem dessas coisas, tem um sorriso encantador e um papo que convence muitos de muitas coisas. Minhas rotinas eram sempre assim, mas graças a Deus acabou, agora estávamos em direção à nossa casa, uma linda casa amarela no melhor bairro de Los Angeles. Meus pais conversavam de algo e eu só olhava pela janela, vendo aquelas pessoas normais andando, falando no celular e vivendo suas vidas. Quando chegamos minha mãe não falou nada, apenas subiu para o seu quarto, o que eu poderia esperar? Ela nunca fala nada mesmo, pelo menos não depois de eu confessar as minhas tendências a admirar a anatomia feminina, a senhora Taylor chorou, gritou, esbravejou e no final de tudo disse: “Isso vai acabar com a campanha do seu pai”. Olhem só, claro que ela estava preocupada com isso, e não comigo, não com o que eu sentia, não com o que queria. Me fez jurar que aquilo ficaria em segredo, pelo menos até a eleição acabar, eu fiz, afinal nunca prejudicaria meu pai, mas a campanha acabou, ele ganhou e cá estou eu, depois de dois anos, ainda vivendo essa mentira.

- Filha. - Escuto a voz do meu pai, eu o encaro e ele me olha carinhoso, somente nele ainda sinto um pouco de amor, isso me conforta, saber que perdi uma mãe, mas ganhei um pai. – Tudo bem?

- Sim.

            Só consigo dizer isso, afinal, eu estou presa a isso, mal consigo dormir, me sinto cansada e andando em marcha ré, sinto que consegui o que eu queria, mas não era o que eu precisava, não depois de desperdiçar o meu amor com uma garota que só queria a fama da minha família, minha ex namorada deixou bem claro quando disse: “Eu só estava com você por ser filha do governador”. Se aquilo doeu? Bom, sim, porém doeu mais quando minha mãe disse: “Eu te avisei, namorar mulheres é errado”. Mas que idiotice é essa? Ela é mulher, o quão irônico era aquilo? Bom, tento ser o mais flexível possível, afinal, ainda tenho um pai.

- Que bom. Você trocará de segurança. O Piter pediu dispensa, mas indicou sua filha. Ela começa amanhã.

- Ok, pai, já vou dormir.

            Digo simples e ele me dá um beijo na testa. Eu nunca iria contrário às suas vontades, nunca mesmo. Então sorrio fraco e subo a escada, contente porque ainda tenho um pai. Depois de me preparar, deito e vou dormir. Pois o dia seguinte será a mesma rotina. Só espero que essa nova segurança seja tão legal quanto Piter. As lágrimas sempre vêm à noite, porque eu sei que perdi alguém insubstituível, afinal como colocar outra pessoa no lugar da sua mãe? Eu também não sei a resposta disso. Será que poderia ser pior? Na manhã seguinte vou para o carro de luxo que sempre me leva para escola, um segurança é o motorista, mas agora tem uma mulher sentada no lugar que era de Piter.

- Bom dia, senhorita Taylor, meu nome é Sarah, serei sua nova segurança.

            Ela fala sem olhar para trás, eu também não ligo, ela está ali porque é paga, com certeza não é a melhor opção estar sendo segurança de uma garota de dezenove anos.

- Ok.

            Simples e curta, então Fred dá a partida no carro. No meio do caminho os sinto inquietos. O homem fala ao telefone alguma coisa e logo depois entramos em um beco. Lá havia um carro também de luxo.

- O que está acontecendo, Fred?

- Senhorita, estávamos sendo seguidos, agora a senhora entrará no outro carro com Sarah e eu seguirei nesse, tentarei despistá-los.

            Meu coração acelera. Vamos nós mais uma vez, isso também, vez ou outra fazia parte da minha rotina, ser filha do governador tem suas vantagens, mas também tem suas merdas. Faço o que ele diz, pois já sei o protocolo. Logo estamos nas ruas de Los Angeles mais uma vez, e vejo o outro carro com Fred sumir. Respiro fundo e olho para frente.

- Para onde vamos?

- Para onde a senhorita quer ir?

            Pela primeira vez em muito tempo, aleguem me pergunta o que eu quero, olho para a mulher ao meu lado e sorrio fraco, ela me encara de volta, tira os óculos escuros e também sorri, talvez, só talvez, ela seja o meu concerto, uma amiga, uma confidente, quem sabe algo mais.

- Cinema.

            Ela me olha confusa, como eu disse, ser filha do governador tem suas merdas, e uma delas é não poder frequentar lugares públicos, então nem lembro a última vez que fui a um cinema, e foi exatamente isso que expliquei para ela.

- Claro, vamos ao cinema.

- Mas você não pode ir vestida assim. – Ela usava terno e aqueles sapatos, isso seria tão esquisito.

- Se importa e passarmos em meu apartamento antes?

- Não, vamos nessa.

            Ela sorri e logo estávamos em um prédio classe média. Subimos e eu espero na sala, era aconchegante, pequeno, mas bonito. Ela logo volta com roupas normais, porém sua arma estava na parte de trás da sua cintura.

- Desculpa, não posso sair sem ela estando com você.

- Tudo bem. Vamos.

            Eu entendia perfeitamente. Depois vejo ela ligando para Fred, ele estava bem, o que  me deu alivio, mas ele queria que voltássemos logo, meu corpo gela, mas depois volta ao normal, pois Sarah disse que não podíamos, pois ela viu o mesmo carro nos seguindo, então iria se esconder, se em duas horas não tivesse notícias nossa era para Fred acionar a polícia. Garota esperta. Então ela desliga e logo depois estamos em frente ao cinema. Sarah encosta seu corpo ao meu por trás.

- Desculpe, mas tenho que fazer isso.

            Eu queria que ela fizesse aquilo, eu queria mesmo.

- Tudo bem.

            Logo depois entramos na sala e lá estávamos, assistindo a um filme de terror. Era assustador, pessoas morrendo, sendo decapitadas entre outras coisas piores. Depois que acabou, ainda tínhamos meia hora.

- O que quer fazer?

- Eu não sei, talvez devêssemos voltar, já quebramos tantas regras que você pode perder o seu emprego.

- Não se preocupe com isso. – Estamos sentadas dentro do carro, então ela vai se aproximando. – Se você deixar, se você quiser eu posso ser a sua luz. Posso ser a sua chance de amar, só vai saber se vale apena se você tentar.

- Talvez eu só precise de concerto. – Falo um pouco ofegante, ela estava muito próxima, então sinto o seu sorriso.

- Eu posso concertar você.

            Então ela me beija com muito voracidade, vontade, mas também com carinho. Sua língua tinha um sabor adocicado, assim como o seu toque era indescritível. Tínhamos meia hora e estávamos em um estacionamento do shopping, em um carro blindado e escuro, sim, foi o que eu pensei. Então me afastei e fui para o bando de trás. Ela sorri, tira a arma deixando no banco e foi atrás, senta e eu sento em seu colo. Suas mãos sobem o meu vestido e apertam a minha bunda, aquilo foi terrivelmente sexy, então começo a puxar a sua camiseta, expondo sua barriga sarada, os cabelos negros de Sarah são perfeitos, não resisto e coloco minhas duas mãos em sua nuca, puxando os fios de leve.

- Vamos fazer isso, vamos nos concertar.

- Sim, vamos nos concertar.

            Eu repito, e ali, naquele carro, naquele estacionamento nós começamos o concerto. Começamos a nos amar. Ela passou a ser a minha luz, eu já não ligava para o que eu tinha perdido, eu já não ligava para o que a minha mãe dizia, tínhamos nossos momentos de amor, de felicidade, até que a minha mãe e meu pai descobrirem, dois anos depois, perto da eleição mais uma vez. E não, eles não a demitiram, eles não a processaram, eles não fizeram nada, pois fizemos um acordo, meu pai estava mal nas pesquisas, afinal, o conceito da minha mãe o vinha deixando sem votos da comunidade LGBT, então como conseguir mudar isso? Sim, eles tinham uma filha na comunidade, porque não usar isso a seu favor? E lá estava eu mais uma vez, acenando, sorrindo e algumas vezes até discursando, afinal aquilo teria que ser convincente, mas eu não ligava, pois eu tinha a minha luz, eu tinha meu concerto, sei que no final de tudo ela estaria em minha cama, as noites passaram a não ser tão dolorosas. Ela entrava em meu quarto e dormia ao meu lado, Sarah Huston foi e é o meu concerto. Aquilo durou mais um ano, meu pai ganhou e eu resolvi tomar as rédeas da minha vida. Me formei e comecei a trabalhar na empresa de um amigo do meu pai, claro que sim, afinal eu ainda era a filha do governador. Agora aqui estou eu, em “nosso” apartamento. Meu pai não se opôs, minha mãe foi relutante, mas não se importava tanto, afinal ela tinha o que queria, era a primeira dama de Los Angeles. Pediram-me apenas discrição, o que eu sempre tive. Olho por nossa janela de vidro e observo as pessoas passando apressadas em seus carros. Então sinto dois braços fortes em minha cintura.

- Oi.

            Seu sussurro perto do meu ouvido é viciante.

- Oi.

- Então... o que tanto pensa?

            Eu sorrio e viro o corpo, agora encarando seus olhos, meu olhar preferido. Beijo seus lábios de leve.

- Estava pensando em como você me concertou, em como me ajudou.

- Então devemos uma a outra.

- Sim, éramos uma bagunça e nos concertamos.

 

            Então ela me beija, porque era verdade, éramos a luz de nossos caminhos e nossas chaves para o concerto, e bom, fizemos isso até os últimos dias de nossas vidas. 

Nome: Blume (Assinado) · Data: 22/11/2017 10:56 · Para: 13. FIX YOU (Consertar você) - Coldplay

Ola 

 

 Amei.. esse vai para o meu top5 kkkk

Parabéns bjbj 



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 16/11/2017 09:03 · Para: 13. FIX YOU (Consertar você) - Coldplay

Eita essa música de  Coldplay e ótima é sobre o seu olhar descobrir uma nova perspectiva dela gostei 



Resposta do autor:

EU não conhecia, mas é bem legal como eu já disse, vocês estão me fazendo ter uma nova perspectiva das coisas e expandir meus gostos musicais. 



Nome: Socorro de Souza (Assinado) · Data: 14/11/2017 19:02 · Para: 13. FIX YOU (Consertar você) - Coldplay

Que isso!!!!

Sensacional!!!

quero +++



Resposta do autor:

Valeu  linda....

 



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