Enternecer por femarques


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CAPÍTULO 12:

BEATRICE

 

            “Estou pronta.” Amber aparece na porta do meu quarto, sorridente como nunca. Ela estava com o cabelo comprido preso em um rabo de cavalo, usando uma de suas calças jeans novas e uma blusa branca de ombros caídos, mais justa ao seios e solta na barriga.

            “Pode pedir por um táxi então.” Respondo me virando para o espelho, terminando de arrumar o meu cabelo.

            Contei a ela sobre o convite no sábado e desde então, só se fala disso. Ela não tocou mais no assunto da sexualidade de Giuliana e eu me mantive quieta sobre as pesquisas que andei fazendo. Se contasse isso a Amber, era mais um motivo para ela reforçar a ideia de que minha curiosidade vai além do que eu penso, e como eu não sabia ainda o que fazer quanto a isso, era melhor não ser influenciada.

            Aproveitando a tarde ensolarada de Norwich, peguei emprestado um vestido de minha irmã. Ele tem o comprimento até um pouco acima dos joelhos e é azul marinho. Visto um casaco leve de algodão por cima e decido deixar meu cabelo solto. Jogo-o para o lado, deixando meus cachos caírem de qualquer jeito, e saio de casa com Amber.

           

            O caminho até a casa dos pais de Giuliana é longo. Eles moram afastados da cidade, em uma casa de campo que me faz ficar de boca aberta quando o táxi estaciona em frente. Pago ao motorista e desço com Amber. Andamos devagar até o interfone do lado de fora do grande portão preto.        

            Uma mulher fala com a gente, dando a impressão de que já nos esperava quando digo meu nome e o de minha irmã. Rapidamente o portão se abre, nos dando acesso a casa. Passamos por um jardim lindo e espaçoso, onde vejo o carro de Giuliana estacionado, próximo a uma garagem. A casa é ainda maior do que a de Giuliana. A entrada é toda cheia de flores e árvores, com um caminho de terra que leva até a porta da frente, com um pequeno parquinho ao lado oposto da garagem.

            Antes de chegarmos até a porta, Giuliana vem ao nosso encontro a passos apressados. Quando a vejo sorrindo, abro um sorriso largo e sinto minhas bochechas corarem. Ela nos cumprimenta com um beijo no rosto e passa a andar ao nosso lado.

            “É um pouco longe, não?”

            “É, bastante, viu?” Amber comenta, dando risada.

            “Não tem problema mesmo para os seus pais que tenha nos convidado?” Pergunto receosa, enquanto Giuliana dá de ombros antes de responder e me lança um sorriso sem separar os lábios.

            “Imagina, minha mãe adora receber pessoas na casa dela, e adora me ter aqui, então...”

            Dou risada e concordo com a cabeça. Quando chegamos a porta, Giuliana a abre e nos dá espaço para entrarmos primeiro. Assim que entro, me deparo com uma sala enorme, mas também vazia. A casa estava silenciosa e calma. Reparo em toda a decoração e em como tudo era perfeitamente arrumado, decorado e lindo. Todas as coisas pareciam ter o seu lugar ali.

            As paredes eram todas pintadas em branco, os móveis brancos e também em marrom bem claro. Atrás da sala havia uma escada de madeira escura. Em todas as paredes tinham quadros e em praticamente todos os móveis daquele cômodo tinham porta-retratos com fotos de pessoas que deveriam ser da família, já que Giuliana estava nelas.

            “Vamos, o pessoal está lá fora.”

            Seguimos minha amiga até uma grande porta de vidro que, como ela explicou, daria ao fundo da casa. Disse que sua mãe queria aproveitar o dia ensolarado e servir o almoço no jardim.

            Uma grande mesa de madeira estava maravilhosamente posta com o almoço, com muitas pessoas sentadas em volta. Fazia tempo que eu não tinha contato com tantas pessoas ao mesmo tempo. Olho para Amber ao meu lado, arregalando um pouco olhos. Meu coração batia rápido. Minha irmã sorri para mim e segura minha mão, apertando suavemente.

            Logo que entramos, não tenho tempo de observar mais nada além da piscina ao fundo, já que todos que estavam sentados a mesa se levantam e vem em nossa direção.

            Giuliana apresenta a todos: seu pai, um senhor tão bonito quanto sua filha, deixando claro a quem ela herdou seus traços, dono de um sotaque italiano engraçado. Seu irmão, com o sotaque muito menos carregado que o deles, mais puxado para o britânico. Uma senhora notavelmente inglesa e por último, sua mãe.

            “E essa é minha mãe, Constance.”

            Estendo a mão para ela, mesmo que todos os outros da família, tirando Abigail, tivessem me puxado para um abraço, e ela, com suas duas mãos, segura a minha. Constance me oferece um sorriso cheio de ternura e me encara com os olhos brilhando.

            “Muito prazer, Beatrice. Faz muito tempo que minha filha não traz uma moça para a nossa casa.”

            Arregalo os olhos para ela e sinto minha garganta secar. Olho para Giuliana que, pela primeira vez, está com o rosto todo corado. Quando percebe meu olhar nela, abre e fecha a boca algumas vezes, tentando balbuciar algo que não sai.

            Volto a olhar para sua mãe e dou um sorriso tímido, de canto. Encolho meus ombros quando ela solta minhas mãos e procuro por Amber, que já estava longe de mim, conversando com o irmão de Giuliana, Francesco.

            Nós nos sentamos a mesa e Constance insiste para que sua filha se sente ao meu lado. Giuliana me serve e pergunta a todo o momento se está tudo bem. A comida tem um cheiro delicioso, mas só consigo pensar no que sua mãe disse.

            Quando começo a comer, uma jovem aparece e se senta a mesa. A olho e reconheço no mesmo instante. É a mesma garota em que estava acompanhando Giuliana ao teatro quando nos encontramos e também é a garota que vi com ela na foto quando fiz aquela pesquisa maluca na livraria.

            Como todos os seus familiares, a garota também era linda. Benito, pai de Giuliana, apresenta a mim e a minha irmã para a menina quando ela se senta no lugar vago a minha frente.

            “Prazer, Calliope.” Ela sorri para mim, mas não como todos os outros, e não se levanta para me cumprimentar.

            Enquanto comemos, observo a todos. Francesco era o mais parecido com a mãe. Noto como todos, até mesmo ele com seu sotaque menos italiano, falam alto e riem bastante. Não sei há quanto tempo não estou no meio de pessoas que se dão tão bem, que são uma família.

            Constance conversa comigo, perguntando o que eu faço e também a Amber. Conto a ela que trabalho em uma livraria e que Amber ainda é estudante.

            “Giu me disse que você conhece muito bem os livros e fala latim fluentemente.”

            Engasgo com a comida e olho novamente para Giuliana, que dessa vez está de cabeça baixa, com o cotovelo apoiado na mesa e seu rosto escondido na palma de sua mão.

            “Ah, sim, senhora. Eu aprendi latim quando mais nova.”

            “Por favor, pode me chamar de você.” Constance me oferece outro sorriso terno, largo. Ela insistia em me mostrar como estava feliz com a minha presença. Por um lado, era acolhedor e me fazia sentir muito bem. A ausência de contato familiar que tive por tanto tempo, falava muito alto em mim para que ignorasse isso. Mas por outro lado, me assustava pensar que Giuliana tivesse falado de mim para sua mãe, como se exibisse a ela minhas qualidades. Não entendia o motivo de ter feito isso. Além de tudo isso, Constance ainda acreditava que tínhamos algo. Sua filha não disse a ela que eu era apenas uma amiga?

            Talvez Amber tivesse razão e Giuliana não me quisesse apenas como uma amiga. Isso comprova minha curiosidade em ter perguntado sobre seu interesse em mim, mesmo que nunca tenha demonstrado nada.

            Mas é claro, não podemos passar de amizade, eu nem mesmo gosto dela. Não é? Eu sei o que sinto e sei de todos os riscos em me deixar gostar de alguém. Giuliana era incrível, era bonita, inteligente, mas...

            Balanço a cabeça alguma vezes quando me noto pensando em suas qualidades e em nossa relação, tentando afastar esse tipo de pensamento.

            “Ah, claro. Beatrice fala muito bem latim e conhece vários livros. A senhora tem que ver como a pronúncia dela é ótima.” Amber se intromete na conversa, respondendo por mim como se me vendesse. É lógico que ela também notou o que Constance estava pensando e agora tirava proveito disso.

            Depois do almoço assustador, cheio de perguntas e elogios, a mesa é tirada por duas mulheres mais velhas enquanto todos permanecem ali conversando. Amber se levanta com Francesco e saem dali, entrando na casa.

            “Quer dar uma volta?” Giuliana me pergunta, virando-se para mim. Ela parecia constrangida com tudo o que estava acontecendo e seria melhor evitar mais perguntas.

            “Claro.” Sorrio para ela e nos levantamos.

            Andamos em volta da piscina e depois ela me leva para dentro da casa. Me mostra a cozinha e as salas, onde tudo continua perfeitamente arrumado, e depois subimos as escadas até uma porta branca.

            Giuliana a abre e entramos em um quarto.

            “Aqui era o meu quarto.”

            O cômodo ainda parece intacto. As paredes pintadas em branco, com alguns pôsteres enquadrados pendurados à mesma, uma cama de solteiro e alguns móveis com fotos suas ainda criança e outras quando ela devia estar na adolescência. Sorrio para tudo aquilo e para como seus pais preservaram seu quarto.

            Ela se encosta na porta, fechando-a e respira fundo duas vezes antes de falar algo. Me sento na cama, esperando que consiga falar.

            “Me desculpa pelo comportamento da minha mãe.”

            “Ah.” É tudo o que consigo dizer. Sem entender o motivo, me sinto decepcionada. Esperava que ela dissesse qualquer coisa, menos que se desculpasse, e isso me incomoda de uma forma muito maior do que deveria. Estava me perdendo em meio a tudo isso e agora não conseguia pensar em outra coisa a não ser entender o que estava acontecendo. “Imagina, mas, sua mãe acha que estamos juntas?”

            “Provavelmente deve achar que gosto de você. Não que eu não goste, mas somos amigas. É que faz muito tempo que não namoro ninguém e ela deve ainda ter esperança. Mas eu não disse nada a ela.”

            Balanço a cabeça para cima e para baixo, concordando. Dou a ela um sorriso sem mostrar os dentes, o melhor que posso e me levanto. Vou até um porta-retratos em que na foto está Giuliana e Francesco.

            “Então, seu irmão não fala como vocês.”

            Ela ri, parecendo mais aliviada, e se aproxima de mim, encostando-se na escrivaninha, ficando com o corpo de frente para o meu.

            “Nos mudamos para cá quando ele tinha apenas um ano, então, por mais que convivesse conosco, teve contato com o sotaque britânico desde pequeno.”

            “Ele é seu irmão mais novo, não é?”

            “É sim, o caçula da família.” Ela sorri quando diz isso, deixando seu rosto todo iluminado. A ligação entre os dois parecia forte e ela o devia amar como amo Amber.

            “E cadê o seu irmão mais velho?” Pergunto, devolve a foto para seu lugar.

            Giuliana deixa de sorrir e contrai o maxilar. Ela olha para o outro lado em que não estou e suspira.

            “Eu não gosto de falar disso.” Responde ainda sem me olhar.

            Me sinto culpada por ter tocado em um assunto que não a fizesse bem, logo ela que nunca me pressionou para nada. Todas as respostas que dei a ela foram satisfatórias ao seu ver e suas perguntas, por mais assustadoras que fossem no início, agora não me assustam tanto, conforme me acostumo a elas e crio mais confiança em Giu.

            Levo minhas mãos até seu rosto e toco-o delicadamente. Com pouca força, tento fazer com que ela volte a me encarar e consigo. Seu semblante está surpreso, não como achei que estaria, zangado. Ela abre um sorriso tímido e deita a cabeça em minha mão.

            “Desculpa, não queria te chatear, não sabia que era um problema.”

            “Imagina, você não tinha como saber.”

            Nos encaramos não sei por quanto tempo, mas o suficiente para que eu não soubesse mais se a resposta a minha curiosidade deveria ser esclarecida.

            Tiro a mão de seu rosto bruscamente quando percebo o que estou fazendo e dou um passo para trás.

            “É melhor descermos.” Digo em um fio de voz e saio do quarto em sua frente, com a respiração pesada.

            No corredor, quando ela me alcança, peço a ela para usar o banheiro e ela me indica. Me tranco no mesmo para o ritual após o almoço e chupo minhas balas rapidamente, logo saindo do mesmo.

            Estamos descendo as escadas quando Calliope passa por nós . Sorrio para ela, que não me corresponde. Ela apenas levanta as sobrancelhas e sobe os degraus correndo.

            Assim que chegamos a sala, Constance se levanta do sofá e vem em minha direção. Segura minha mão e sai andando, me puxando.

            “Me deixe te mostrar as fotos da família.”

            Olho para o sofá, onde vejo Amber e Francesco sentados lado a lado, e Abigail em um outro sofá.

            Constance me faz sentar no maior sofá e se senta ao meu lado, pegando um álbum grande da mesa de centro. Ela me mostra fotos de todos os seus filhos pequenos, e ali posso ver o irmão mais velho de Giuliana, parecido com ela. Ela me conta como conheceu seu marido, em viagem a Itália e por lá acabou ficando, até decidirem voltar para a Inglaterra.

            Eles pareciam uma família cheia de tradições, e ela, com certeza, tinha orgulho de todos os seus filhos.

            Gosto de estar ali e por um momento, me esqueço da saudade enorme que sinto de minha mãe. Estar com a família de Giulliana me fez reviver sentimentos que há tempo não sentia.

            Giuliana aparece segurando dois potinhos e atrás dela, uma das empregadas está segurando uma bandeja cheia deles. Giu se senta na mesa de centro, a minha frente, e me oferece um.

            “Gosta de sorvete?” Ela abre um sorriso enorme, parecendo uma criança.

            Pego o que ela oferece e agradeço. Continuamos vendo as fotos, mas hora ou outra desviava o olhar para ela e me surpreendia quando a via me olhando também.

            Passamos a tarde conversando e ouvindo histórias engraçadas, até que Amber pediu para ir embora, pois precisava estudar. Abraçamos todos eles, enquanto Giuliana nos esperava na porta.

            Constance segurou em minhas mãos e me puxou para um abraço.

            “Foi um prazer conhece-la, Beatrice. Minha filha está muito feliz.”

            Minhas bochechas queimam com o rubor e eu nego com a cabeça, sorrindo sem jeito. Me solto do abraçado dela e cruzo os braços, como se tentasse me encolher.

            “Eu gosto muito da amizade com sua filha.”

            Constance sorri e estreita os olhos, como quem sabe de algo. Ela concorda com a cabeça e me deixa ir.  

            O táxi já nos esperava lá fora e Giuliana nos acompanha até a porta. Amber se despede dela com um abraço e entra no carro.

            “Obrigada pela tarde, eu me diverti muito.” Digo a ela, sorrindo.

            “Imagina, minha família adorou vocês.”

            “Sentia falta de estar em família.”

            Giuliana dá um sorriso terno e se aproxima para se despedir com um beijo na bochecha, ao mesmo tempo em que também vou em sua direção. Ela acaba me dando um beijo na boca, selando seus lábios nos meus por segundos. Segundos que fizeram meu corpo todo ficar elétrico. Meu coração disparou e logo me afastei, levando meus dedos até meus lábios.

            “Meu Deus! Me desculpa! Eu não queria ter te beijado!”

            Me sinto constrangida e decepcionada, ao mesmo tempo em que o desespero começa a tomar conta de mim.

            “Quer dizer, não que eu não queira.” Ela começa a falar rápido demais, gesticulando com as mãos. “Mas somos amigas, e não estou desrespeitando isso. Foi sem querer, me desculpa.”

            Dou um sorriso sem graça a ela e toco seu ombro por um instante.

            “Tudo bem, Giu.”

            Entro no carro e peço que o motorista saia logo. Não tenho coragem de olhar para trás, mas sei que ela ficou olhando o carro partir. Abro a bolsa com pressa e começo a pegar as balas. A dúvida está crescendo e tomando parte demais de meus pensamentos, minha preocupação de todos os dias e meu esforço em me manter longe do meu destino começam a ser ignoradas, e isso não pode acontecer.

            “O que aconteceu?” Amber pergunta preocupada.

 

            “Estou me deixando levar e vou acabar fazendo besteira. Isso nunca deveria ter começado.”

 

 

E fica aqui um trecho do próximo capítulo...

Fico encarando seu lugar vazio e a sensação que tenho agora dentro de mim é horrível, mas ainda estou com raiva demais para ir atrás dela. Só queria o melhor para ela e não merecia que ela descontasse seus problemas em mim.

Nome: Teresa (Assinado) · Data: 03/10/2016 21:07 · Para: Capítulo 12

Adorei =) já conquistou a futura sogra kkkk



Resposta do autor:

Oi, Teresa,

kkkkk Acho que conquistou, né? Duas britânicas juntas. 

Obg pelo comentário, 

Até a próxima

Beijos



Nome: patty-321 (Assinado) · Data: 03/10/2016 01:54 · Para: Capítulo 12
Nada de pirar Beatrice. Engraçado a mãe da giu querendo q elas tenham algo. Eça calliope qual é a dela?

Resposta do autor:

Oi, Patty

Será que Bea vai pirar? Bom, Calliope pode ser uma pedrinha no sapato, não? kkk

Vamos descobrir.

Obg pelo comentário

Beijos



Nome: Rita (Assinado) · Data: 02/10/2016 05:11 · Para: Capítulo 12

As barreiras foram quebradas e a Beatrice já percebeu isso. 

Gostei da mãe da Giu :) boa pessoa :)



Resposta do autor:

oi, Rita,

Estão sendo quebradas, einh??

A mãe da Giu é um amor, ne?

Obg pelo comentário, 

Beijos



Nome: Jessy (Assinado) · Data: 01/10/2016 23:28 · Para: Capítulo 12

É tão bom ver a intimidade e o sentimento entre elas crescerem e ao mesmo tempo poder acompanhar os impasses dentro da Beatrice que mesmo lutando para resistir parece ir quebrando de forma lenta algumas barreiras. Cresce também a curiosidade sobre o que permeia a história da Giuliana e do irmão mais velho. 

Beijos e continue, por favor. 



Resposta do autor:

Hey, Jessy,

Fico muito feliz com seu comentário.

Bom, realmente, ambas têm alguns impasses, né? Mas existe algo entre elas e espero que seja o suficiente pra quebrar esses problemas antigos.

Eu que espero que você continue por aqui.

beijos, 



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