Ones musicais por Raquel Amorim


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Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=wWs2dqKRgdI

 


“Já longe de tanta fumaça
Menina que manda seus beijos com graça
Me faça rir, me faça feliz
Sentada na areia, brincando com a sorte
Não chove não molha
Não olhe agora, estou olhando pra você
Não olhe agora, estou olhando pra você

Me faça um gesto, me faça perto
Me dê a lua que eu te faço adormecer
Me faça um gesto, me faça perto
Me dê a lua que eu te faço adormecer

Anoitecerá
Na estrada o farol de quem se foi
Já não ilumina quando te beijar
Parece que a vida inteira esperei para te mostrar
Que na rua dia desses me perdi
Esqueci completamente de vencer
Mas o vento lá da areia trouxe infinita paz

Já longe de tanta fumaça
Menina que manda seus beijos com graça
Me faça rir, me faça feliz
Sentada na areia, brincando com a sorte
Não chove não molha
Não olhe agora, estou olhando pra você
Não olhe agora, estou olhando pra você

Me faça um gesto, me faça perto
Me dê a lua que eu te faço adormecer
Me faça um gesto, me faça perto
Me dê a lua que eu te faço adormecer

Anoitecerá
Na estrada o farol de quem se foi
Já não ilumina quando te beija
Parece que a vida inteira esperei para te mostrar
Que na rua dia desses me perdi
Esqueci completamente de vencer
Mas o vento lá da areia trouxe infinita paz

No nosso livro, a nossa história
É faz de conta ou é faz acontecer?
No nosso livro, a nossa história
É faz de conta ou é faz acontecer?
No nosso livro, a nossa história
É faz de conta ou é faz acontecer?
No nosso livro, a nossa história
É faz de conta ou é faz acontecer?

Acontecerá”


 

            Mais um dia de trabalho terminado, acreditar que aquilo era uma vida feliz era puro erro. Eu consegui o que sempre almejei, casa, carro, trabalho, mas onde estava a felicidade? Me formei em engrenharia, consegui um maravilhoso emprego, não estou reclamando disso, mas ainda assim sinto que sempre falta alguma coisa. Dirijo meu carro naquele final de tarde, passo pela praia, já quase vazia, mas algo me chama atenção. Um grupo de pessoas cantavam e brincavam, alguns tinham os rostos pintados, talvez era algum tipo de teatro, ou circo, não sei, mas me chamaram atenção devido a sua felicidade e seus sorrisos. Bom, o máximo que vou fazer quando chegar em meu apartamento é comer alguma besteira e dormir, não custa nada parar e admirar aquela alegria. E faço isso, estaciono o meu carro, tiro o meu salto dobro a manga da minha camisa social, coloco meu blazer sobre o ombro, minha saia impedia alguns movimentos, mas agora eu só precisava andar, vou em direção a eles e os observo, algumas outras pessoas também faziam isso. O grupo irradiava alegria, tudo que eu não tinha, não da forma que eu imaginei que seria. Eles cantavam, dançavam, alegravam, tudo que eu não tinha. Pego meu terno feminino e coloco no chão, que se dane, o sorriso que eu dava naquele momento valia muito mais do que aquele pedaço de pano. Sento na areia e continuo os admirando. Mas então meu olhar se prende em uma pessoa em especial, uma mulher, na verdade, ela sorria com os outros e brincava com as pessoas ali perto. Não me olhe, não me olhe agora, porque eu não consigo parar de olhar para você. Mas ela o faz, mesmo eu estando mais afastada ela me olha de volta e seu sorriso engrandece, foi inevitável, ela sorri tão perfeita que foi impossível eu não sorrir de volta. Ela me faz sorrir, me faz estremecer, me faz sentir exatamente o que eu não tenho. Sentada ali naquela areia, eu brincava com a sorte, porque aquela desconhecida me fez sentir coisas apenas com um olhar, as mesmas coisas que eu julgava serem certas para mim.

- Olá.

            Você chegou perto, se afastou do seu grupo e chegou perto de mim, meu corpo tremeu, porque você fez ele estremecer.

- Oi.

- Prazer, me chamo Vanessa.

- Oi, me chamo Lilian, ou Lili.

- Lili, carinhoso, bonito e simples, espero que isso espelhe tudo que você é.

            Seu sorriso é tão contagiante, tão meigo, tão ideal, é tudo que eu sempre busquei para mim.

- Talvez.

            Mas então você senta ao meu lado sem pedir permissão. Apenas senta e ficamos olhando o mar sem dizer uma palavra. Você apenas sorria, apenas encarava o nada, ou melhor, encarávamos o pôr do sol perfeito. Seu rosto não estava pintando como o dos outros, tinha uma maquiagem, mas era mais leve, seus cabelos negros estavam presos em um rabo de cavalo, e essas roupas coloridas lhe davam alegria, eu só conseguia pensar que você era tudo que eu sempre quis.

- Que tal uma aventura?

            Você me olha de volta. Eu não vivo aventuras, Vanessa, eu sou muito certa para isso, eu poderia lhe dizer essas palavras, mas o seu sorriso estava lá.

- Você não fala muito, mas faça algum gesto, algum sinal e eu prometo que te farei adormecer e trarei a sua atenção só para mim. A lua aparecerá em alguns minutos, ela vem para o sol poder dormir, não precisamos ser assim, podemos ser a lua e o sol juntos, uma não precisa ir embora para a outra aparecer, seja a minha lua e eu serei o seu sol.

            Como eu poderia dizer não, depois dessas palavras? Mas ainda assim, eu era me sentia certa demais para isso.

- Eu não conheço você, não posso fazer isso.

            E você apenas sorrir. Maldito sorriso. Então se levanta e me oferece a mão.

- Venha me conhecer, eu posso te mostrar que para ser feliz não precisamos de muito, basta estar no lugar certo, com as pessoas certas.

            Com isso você me conseguiu, porque era exatamente o que eu sempre almejei. Simplesmente segurei na sua mão e saímos, quando voltei a realidade já estávamos sentadas em sua moto a caminho de sei lá onde, eu segurei em sua cintura e sorri, porque aquele vento batendo em meu rosto, era um pouco da felicidade que sempre almejei, pelo menos naquela noite eu serei feliz, com você.

- Entre.

            Eu fiz, mas ainda amedrontada. Era um lugar grande, um galpão, tinha um palco.

- Fazemos nossas apresentações aqui.

            Você disse estando ao meu lado. Moro em São Paulo há vinte e oito anos e nunca ouvi falar desse lugar, mas então eu percebo, na verdade eu sei pouco da vida externa, eu sempre fui assim.

- Venha.

            Você me leva a uma área cheia de roupas coloridas e pessoas andando de um lado para o outro, elas sorriam e faziam piadas o tempo todo. Aquilo era felicidade genuína, coisa que eu nunca tive.

- Aqui é onde ficamos. É um lugar grande, então fizemos nossos quartos nos fundos, cada um tem o seu. É simples, mas é nosso, e é sempre alegre, eles sempre estão sorrindo e fazendo barulho, em dias de show isso aqui lota. Amanhã terá, se você quiser aparecer.

            Estávamos paradas em um corredor com várias portas.

- Se eu sair do trabalho cedo, posso tentar vir até aqui.

- Claro que sim. – Eu sei que seu tom foi acusador. – Venha.

            Você me puxou para fora, onde o grupo que estava na paria chegava.

- Hey, Vanessa, cadê meu beijo?

            Um rapaz disse, então você chegou perto dele e beijou a sua bochecha.

- Agora sim posso dormir feliz. – O tal rapaz me olha. – Cuide dela viu, essa garota vale ouro.

            E assim você fez com todos os outros que iam entrando no galpão. Beijou a bochecha de casa um, eles sorriam animados para você.

- O que você é? Uma espécie de amuleto?

- Não, sou apenas a pessoa que tirou eles da rua, lhe deu um lar, comida, roupas e um motivo para ter esperança.

            E aquilo foi como se você tivesse tomado meu coração para si, como se eu pudesse sentir que nunca mais me afastaria, agora eu sou sua, Vanessa, me tome para si.

- Esse... esse lugar é seu?

- Não, esse lugar é nosso, porque todos nós moramos aqui.

            Você sorriu e se aproximou de mim. Encostou nossos corpos com cuidado, com cautela, eu poderia te afastar, mas quem disse que eu quero fazer isso? Sua mão esquerda segura a minha cintura e a sua direita foi para a minha nuca, enlaçando seus dedos em meus cabelos dourados.

- Anoiteceu, e eu só consigo imaginar estar exatamente aqui contigo. Parece que passei a vida inteira esperando por você. Te beijar agora é o meu maior desejo, mas não posso fazer isso sem um gesto seu. A praia, o mar, o vento frio da areia me trouxe você, Lili, então fique, me deixe te provar que não precisa de muito para ser feliz, porque eu sinto que é isso que você quer, apenas felicidade, eu trago isso a você, você sorri comigo, então fique, me deixe te mostrar que a vida é muito mais do que você tem.

            Você me encarava e sorria, minha respiração falhou, porque você soube dizer as palavras certas, no momento certo. Sim, minha resposta seria sim, mas eu sou certa demais para isso.

- Isso é tão incerto.

            Porém você sorriu mais, porque você sabe a verdade, sabe que a no fim da noite eu estarei em seus braços, porque você é tudo que eu sempre almejei.

- Não se preocupe com o amanhã, viva o agora, isso é uma certeza.

            O que eu poderia fazer?

- E se for apenas um faz de conta? Uma situação criada por nossas mentes? Uma ilusão boa que nós duas queremos.

- Então vamos fazer acontecer. Vamos escrever a nossa história e criar o nosso livro. A areia da praia trouxe você para mim, Lili, eu não pretendo te deixar ir embora, mas ainda assim preciso de um gesto seu, preciso que aceite ficar.

            Seus olhos, seu sorriso, suas palavras, sua felicidade, eram tudo que eu sempre almejei, se você quer um gesto, eu te dou, Vanessa, porque eu quero ficar, quero essa felicidade para mim. Me aproximei e colei nossos lábios, pude sentir o seu sorriso, porque você sabe que aquilo era um sim, o seu gesto, o seu sinal. Nossas línguas brincaram uma com a outra. Seu corpo era perfeito para me acolher, suas mãos eram ideais para o meu corpo, você provou isso naquele pequeno quarto que você chama de seu. E eu provei a você que queria ficar, nos amamos, nos entregamos e na manhã seguinte eu não fui embora. Eu sempre ia embora, mas quando senti seus braços ao redor da minha cintura, eu só queria ficar ali com você.

- Você ficou.

- Sim. – Você sorri ao me encarar. – Eu vou ficar.

- Eu sei, porque nós somos a felicidade uma da outra.

            Sua mão acaricia o meu rosto. Aquilo era real, era verdadeiro. Porque eu ficaria, eu iria para onde você quiser.

- Não quero que mude sua vida por mim, Lili, e nem eu vou mudar a minha por você, entenda, não há nada de errado em sua vida, em trabalhar, em ter uma boa casa, uma boa profissão, isso não é o problema, a questão é que que você passou a priorizar isso, então deixou sua felicidade de lado, pense, eu estou aqui, não vou a lugar nenhum, então trabalhe, construa tudo que quiser, mas no fim do dia, esteja aqui comigo, venha almoçar comigo, venha jantar comigo, venha me amar nessa cama, você pode ser feliz tendo seu carro novo do ano, mas não se esqueça que precisa se amar e ser amada também.

            Claro que eu sorri para você, porque era tudo que eu sempre almejei.

- Eu estarei aqui no fim do dia em seus braços, Vanessa. Te amando e sendo feliz.

- Eu sei que sim, querida, porque nós somos a felicidade uma da outra.

            E você beijou, porque era verdade, nos completávamos, A areia da praia nos trouxe uma para a outra, e a partir dali iriamos construir a nossa história, se era um faz de conta no início deixou de ser quando passamos a fazer acontecer, porque você me provou que posso ser feliz mesmo tendo as minhas superficialidades, no fim, apenas somos perfeitas uma para a outra.

- Nossa história será linda contada para os nossos filhos.

            E eu sorri, porque nós teríamos filhos, mesmo nessa confusão, nos casaríamos e teríamos filhos, eles iriam adorar saber que a mãe deles era uma ótima artista que ajudou tantas pessoas. E eu amo isso em você, Vanessa, amo o fato de sermos perfeitas uma para a outra.

- Estarei aqui no fim do dia depois você irá conhecer a minha casa.

- Adorarei conhecer a sua casa.

 

            E assim foi, no fim do dia não importava em qual casa estávamos, se era na sua ou na minha cama, o importante era que éramos nós duas. Passamos a ter dois lares, o galpão e meu apartamento, depois do casamento veio os filhos, dois, um lindo casal de gêmeos, então passamos a dividir mais a minha cama, mas você nunca perdeu a sua essência, querida, você sempre será aquela mulher que eu conheci na praia, que me fez sorrir e tomou meu coração para si, porque eu amo você, Vanessa, amo o que construímos, amo ter trago de volta a minha felicidade, amo ter mostrado o básico da alegria, porque você é o que eu sempre almejei. Conseguimos construir nosso pequeno castelo.

Nome: Lili (Assinado) · Data: 12/11/2017 21:07 · Para: 11. NOSSO PEQUENO CASTELO - O Teatro Mágico

Caramba você é demais mesmo viu.



Resposta do autor:

Opa... obg linda, bjusss e obg também pela indicação, vocês estão fazendo eu abrir meus horizontes musciais e conhecer muitos artistas. Adorei escrever essa one. E o pior, ou melhor não sei, é que algumas estão me dando ideias de fazer um enrelo longo, e confesso que essa do Teatro Mágico foi uma, o enredo dá uma obra bem legal, mostrando esses lados diferentes da felicidade, mas não agora, porém a ideia pode fluir. Bjusss



Nome: Blume (Assinado) · Data: 11/11/2017 20:19 · Para: 11. NOSSO PEQUENO CASTELO - O Teatro Mágico

Ola,

 

Teatro Magico, muito bom ... primeira vez a ouvir a musica deles. adorei.

 

Fico lindo parabens

bjbj



Resposta do autor:

Também gostei da música, bjussss



Nome: mtereza (Assinado) · Data: 11/11/2017 14:41 · Para: 11. NOSSO PEQUENO CASTELO - O Teatro Mágico

Adoro o teatro mágico ficou show bjs 



Resposta do autor:

COnfesso que eu não conhecia, mas gostei muito da letra da músicas, vocês leitoras estão fazendo eu abrir os meus horizontes musicais. bjussss



Nome: Socorro de Souza (Assinado) · Data: 11/11/2017 12:35 · Para: 11. NOSSO PEQUENO CASTELO - O Teatro Mágico

Oi autora do pra vc saber tô lendo tds e tô amando viu ... vc tá de parabéns!!!!

Que trabalho maravilhoso o seu viu 

bjs 



Resposta do autor:

Opa, obg linda, vocês fazem toda a diferença. Obg mesmo, bjusssss



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