Três lados para uma moeda - jasmine (livro 2) por Raquel Amorim


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Notas da história:

Segundo livro, leem o primeiro... obgrigada e tenham uma boa leitura.

Sete meses antes do acampamento (Dezembro de 2015)

- Não pai, eu não vou casar com ele.

- Ah você vai. É o filho dos Frazão. Único herdeiro. Você vai casar com ele. Já está decidido.

Abelardo Albuquerque, um homem alto, forte de pele branca e cabelos negros. Com seus 55 anos, adquiriu nesse tempo uma fortuna no mercado da carne, suas inúmeras fazendas em Minas Gerais, distribuíam seu produto por todo o território brasileiro como também para o exterior. Era o filho mais velho de três, tendo como caçula sua irmã Carmem Albuquerque de 35 anos e seu irmão do meio André Albuquerque de 37 anos. Tinha dois filhos, Jasmine e Fernando, a menina mais velha e o caçula de 18, esse que o pai preparava para assumir os negócios da família. Teoricamente sua filha teria esse lugar, mas o homem era tão machista que nunca permitiria que uma mulher cuidasse de seus “bois”. E com isso logo tratou de arranjar o casamento de sua filha com um filho de outro fazendeiro, também muito rico, mas não tanto quanto eles.

Nesse momento, estava toda a família reunida na grande mansão que moravam em Minas Gerais, o homem estava dando a notícia a sua filha. Essa que não ficou nada feliz com isso. Jasmine era uma linda mulher de 19 anos. Seus lindos cachos loiros a deixavam terrivelmente irresistível, uma tentação que não passava despercebida por ninguém. Lucas Frazão fazia parte do grupo de amigos que sempre saiam juntos para festas. Faziam faculdade, na mesma instituição, porém em cursos diferentes, tudo de uma forma bem extravagante, afinal tinha muito dinheiro. Em meio a essas saídas, sempre rolava uns beijos entre eles, mas nada sério, porém esse pequeno envolvimento não passou despercebido pelos Albuquerque e muito menos os Frazão. 

- Você não pode me obrigar a isso. Eu não vou casar por seus interesses. Você já não tem dinheiro suficiente? Ainda que o dos outros?

            Nesse momento Jasmine recebe um tapa na face, essa que quase cai, se não fosse a mãe para segurá-la não haveria outro destino senão o chão.

- Oh meu Deus – Juliana diz, com os olhos cheio de lágrimas.

            Juliana Albuquerque era uma mulher loira de 45 anos, a mulher era uma dona de casa exemplar. Apesar de ser formada em direito, nunca exerceu a função, pois logo casou com Abelardo, e o mesmo nunca permitiria que sua esposa trabalhasse. Depois do casamento, também arranjado pelos pais de Juliana, logo veio Jasmine, e então a loira mais velha se conformou em suprir as necessidades do marido como esposa. Ela era totalmente contra a decisão do marido. Mas nunca iria contra o mesmo, ele sabia ser bem agressivo quando queria, e ainda tinha o segredo que Fernando contou. Ela era totalmente religiosa, e apesar da oposição a decisão do casamento, nunca iria aceitar sua filha com outra mulher isso nunca. No fim fora convencida de que esse seria o melhor para a filha. Lucas era um bom rapaz e de uma boa família. Eles já se conheciam, e até tinham algo um com o outro, o que poderia dá errado? Simples, era não gostava de homens. Mas isso a senhora Albuquerque nunca iria admitir.

- Olha aqui garota insolente. Você vive debaixo do meu teto, usufrui do meu dinheiro, come e bebe da minha comida. Você faz o que eu mandar. Então pode esquecer essa história de gostar de mulher. Filha minha não é gay, eu nunca vou admitir isso.

- Como... foi você não foi? Seu imbecil. – Jasmine falou direcionando-se ao irmão. Que tinha um sorriso vitorioso no rosto.

- Não fale assim com seu irmão. Ele está querendo te ajudar. Você não tem cabeça para tomar qualquer decisão. Você é uma garota mimada, insolente, abusada. Um casamento irá te colocar no seu lugar. Seu marido saberá mandar em você.

- Eu não quero casar. – Jasmine diz aos prantos.

- Você não tem de querer. Eu estou mandando e você obedece.

- Eu não vou casar, você não pode me obrigar.

- Você quer pagar para ver? Tente, apenas tente me desafiar para ver o que acontece.

- Você não pode me obrigar. Eu vou embora, eu fujo, eu sumo daqui eu....

- Jasmine, fique quieta. – Juliana tenta acalmar a filha.

- Não. Eu prefiro morrer.

- Então morra. Mas saiba que se sair dessa casa você não será mais a minha filha. Eu não tenho filha gay, nunca vou ter. Vai embora, e viverá de que? Você se acostumou a sua vidinha do bom e do melhor. Sem meu dinheiro você não tem nada.

- Eu posso...

- Pode o que? Admita Jasmine, você é uma inútil. A sua única qualidade é ser bonita. Servirá de troféu para o seu marido. Será a senhora Frazão exemplar, para todos admirarem, e babarem por você. É para isso que vocês mulheres servem, cuidar de seus maridos e fazerem as vontades deles.

- Mãe. É isso que você pensa? É isso que... – Jasmine não termina de falar. Estava tão desorientada com tudo, que não conseguia nem pensar direito. Ela sempre soube do machismo de seu pai, mas nunca pensou que fosse tão radical. Ela estava agora encarando a mãe.

- Eu... – Juliana tenta falar.

- Sua mãe nada. Ela sabe o lugar dela. Ela sabe cuidar e valorizar o marido que tem. E você deveria seguir o exemplo dela. Não sei como você é assim.

- Mãe... – Ela tenta novamente.

- Por favor Jasmine. É o melhor para você. – Ela diz triste, mas firma.

- Então está decidido. Vamos marcar esse casamento.

- Eu não quero...

- Cale a boca Jasmine. – Só agora o irmão mais novo se manifesta. – Você já fez muito merda. Não bastou ficar se agarrando com aquela garota na frente de algumas pessoas? Você é idiota ou o que? Aceite que é o melhor para você. O Lucas até gosta de você, ele vive dizendo o quando você é gostosa. Então pronto.

- Fernando! – Juliana grita. – Respeite sua irmã.

- Respeitar mãe? Olha o que ela queria fazer da vida dela. Uma mulher? Isso não é normal.

- Eu também não concordo com isso. Então já resolvemos. Ela irá casar com o Frazão.

- Mãe...

- Jasmine, pare de falar, já está decidido. Vamos organizar tudo, no máximo em seis meses vocês casam. – A mulher fala e deixa a sala do escritório do marido. Seus olhos derramavam inúmeras lágrimas. Ela sabe que sua filha poderá ser infeliz, assim como ela é no casamento, mas tem a esperança de que Lucas seja um marido muito melhor do que o seu. Ele é um menino bom, apesar da família Frazão também valorizar os costumes, eles eram bem menos radicais que o marido, e se apegava nisso para pensar em um casamento feliz para a filha.

- Pai....

- Seis meses Jasmine. É isso que você tem. Aceite a minha decisão. Seu noivo já deve estar ciente da decisão também. Amanhã teremos um jantar para oficializar tudo. – Então também sai da sala. A deixando apenas com o irmão.

- O que eu te fiz? Porque me odeia tanto? – Ela diz sem encarar o garoto.

- Você existe, isso já basta.

- Eu não entendo...

- Você é uma idiota mesmo. Você é mais velha, você é a herdeira número um de tudo isso.

- EU não quero a droga do dinheiro. Eu não quero nada. – Ela grita.

- Eu não me importo. Você é inteligente, é bonita. Todos te adoram, te admiram. Eu tinha tudo a perder. Eu não sou muito inteligente, não sou o mais bonito, e todos me detestam. Eu apenas me livrei de você.

- EU odeio você, eu odeio você. – Ela diz indo para cima do irmão e socando seu peito. Apesar de mais novo ela já tinha o corpo mais musculoso que o dela. Ele segura seus braços e diz:

- Então estamos quites querida irmã. – Ele fala sorrindo e sai da sala. Deixando a irmã caída no chão e derramando tantas lágrimas que seus olhos começaram a doer.

            Jasmine estava destruída. Esse casamento nunca daria certo. Lucas era um homem bom. Mas as circunstâncias acabaram com as chances de ela ser um dia feliz com ele. Eles se davam bem na cama. Mas era tudo carnal, sexual, nunca foi apaixonada por ele. E no mundo dela, amor não significava nada. Ela estava fadada a uma vida infeliz e sem maiores ambições. Nem sua faculdade terminara. Queria ser pediatra, ela adorava crianças. Foi um grande sacrifício o pai a deixar fazer, mas no fim se convenceu de que teria uma filha “doutora” e isso era bom para encontrar um bom partido para. Mas no fim sempre se tratava de colocar uma coleira nela. E aquilo era tão doloroso. Em pleno século vinte e um, e muitas pessoas ainda pensavam assim.

 

Poderia até ser muito errado, mas ela estava odiando seu pai e irmão nesse momento. Ela os odiava e sempre odiaria por obrigarem a fazer isso. E sua mãe a decepcionou, ela estava contanto com seu apoio, mas ela não o fez. Seu choro intensifica com a possibilidade de sua futura vida. Ela nunca se perdoaria se permitisse que deixasse que fizessem isso com ela. Mas o que poderia fazer? Seu pai estava certo, ela não servia para nada, sua única ambição na vida fora essa faculdade. Ela dependia deles, do dinheiro deles. E nunca conseguiria viver sem essa mordomia. A única forma era se conformar e tentar ser feliz ao lado de Lucas Frazão, um rapaz bonito, galante, rico, e que sempre a respeitou. 

Nome: ClaraH5 (Assinado) · Data: 01/10/2017 02:11 · Para: 1

Gente to querendo fazer um grupo de Whats para falarmos sobre muitos assuntos e sobre os livros, só uma ideia, então quem estiver interessado me dá um oi (98)99176-3804. Não coloquem seu numeros aqui, me chamem já no Whats. Então é isso, bjussss



Nome: cidinhamanu (Assinado) · Data: 26/09/2017 05:29 · Para: 1

Você provou que não precisa ter um roteiro megalomano pra tornar uma história interessante, e, sim, botar o sentimento naquilo que escreve e fazer tudo com dedicação...
Parabéns! História muito boa, simples e muito bem escrita. Beijos!



Resposta do autor:

Obg linda, de verdade...



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